Jornal Digital Regional
Nº 340: 19/25 Mai 07 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


DEIXEM AS CRIANÇAS EM PAZ!

Mais um caso arrepiante passado com crianças tem entrado diariamente em nossas casas, pelas televisões e pelos jornais.

Refiro-me à criança inglesa que desapareceu no Algarve, da cama de um quarto, situado num aldeamento de luxo, que se supunha tranquilo e seguro. Acho que ninguém no seu juízo perfeito não é solidário com aqueles pobres pais e não apoia os esforços dos nossos polícias.

Mas é notório que houve e continua a haver um tratamento diferenciado neste caso. Se fosse uma criança portuguesa filha de uns "desgraçados" quaisquer, fazia-se uma investigação com meia dúzia de agentes e quando os meios de comunicação perdessem o interesse, por haver algum acontecimento ainda mais suculento, o caso ia lentamente morrendo na poeira do esquecimento. Pelo menos desta vez não foi assim e é, apesar de tudo, de louvar.

Só que dez dias depois do desaparecimento os resultados são nulos e parece que a menina se desvaneceu no ar. Ninguém a viu, os cães não detectaram qualquer rasto, a área foi passada conscienciosamente a pente fino, foram interrogadas centenas de pessoas e nada.

Certamente que há indícios, quiçá pistas, que a polícia não divulga, para não prejudicar as investigações, digo eu.

Mas há várias coisas que me metem confusão, como o facto de os meios de comunicação não terem qualquer trabalho de investigação própria. Em dez dias, ninguém avançou com dados de investigação jornalística, nem portugueses nem ingleses, nem televisões, nem jornais. Porquê?

Será que esta cobertura perfeitamente medíocre do caso, apenas acontece por recomendação da própria polícia ou estamos perante uma brutal e generalizada falta de qualidade dos meios de comunicação envolvidos? Acredito que seja a primeira hipótese e, a ser verdade, significa que a polícia acredita que a criança está perto, provavelmente na região e eventualmente viva.

Por outro lado, tenho visto um criminalista, Barra da Costa, no telejornal, a tecer críticas e a levantar suspeitas direccionadas à polícia inglesa e à comunidade inglesa residente em Portugal, baseado em informações de "fonte segura" como costuma dizer. E é curioso que ainda não foi desmentido, nem contrariado por ninguém.

Será esta uma forma da polícia portuguesa dizer indirectamente aquilo que não pode dizer oficialmente? Não sei, mas o comentador que refiro, já foi da Judiciária e aparentemente sabe do ofício.

Uma coisa é certa, uma menina de quatro anos desapareceu, parece não existirem duvidas que foi rapto, as nossas fronteiras não foram encerradas em tempo útil e de forma categórica e eficaz, quem fez este "trabalho" fê-lo com premeditação, com intencionalidade e com meios de dissimulação e encobrimento eficazes. As motivações continuamos a desconhecê-las, vingança, dinheiro, adopção, pedofilia ou alguma tara ainda mais esquisita, não sei, não sabemos.

Apenas temos a certeza que a menina desapareceu, acho que estamos todos revoltados e angustiados com a sorte, com o futuro desta criança. Todos nós já fomos crianças, muitos de nós somos pais ou avós, sabemos como é. Por favor, deixem as crianças crescer em paz!

Brito Ribeiro

PERISCÓPIO SOCIAL

Autarquias demonstram contas

A vida autárquica nacional viveu momentos deveras interessantes no último mês. Os seus órgãos magnos apreciaram os relatórios de contas dos respectivos executivos de Junta de Freguesia e Câmara Municipal.

O Concelho de Caminha também foi a contas e ficou demonstrado aquilo que, sem perceber muito de finanças, já muitos de nós sabíamos: desde 2002, a Câmara de Caminha tem tido um desempenho espectacular ao nível da despesa e do endividamento,. Por isso, os aumentos da dívida (curto e médio/longo prazo) em 1260% (sim, o leitor leu bem o número) e do passivo em 347% significam o estado a que chegaram as contas públicas no nosso município.

A quebra abrupta das transferências para as freguesias de (-)370%, não são culpa dos governos mas sim das opções de gestão da responsabilidade, única e exclusiva, da Sra. Presidente da Câmara de Caminha.

As execuções orçamentais abaixo dos 40%, como no caso de Vila Praia de Âncora, onde o orçamento já fora reduzido para metade, levam qualquer ancorense a interrogar-se sobre o que tem sido feito ao capital investido na actual gestão camarária: por um lado, os ancorenses deram uma vitória esmagadora ao PSD em Vila Praia de Âncora nas últimas autárquicas (no entanto, o Executivo Municipal não tem nenhum vereador de V. P. Âncora); por outro, não se pode escamotear o facto de V. P. Âncora ser a freguesia que mais contribui para as receitas municipais.

É, de facto, vergonhosa esta situação que merece uma posição firme, da Junta e Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora, contra este tipo de tratamento, inédito na história recente do município.

Há pouco tempo, o fiscalista Saldanha Sanches, ensaiava uma explicação para o facto de presidentes de Câmara incompetentes ganharem eleições quando tinham gestões desastrosas: o problema é que os eleitores querem obras e pensam que o dinheiro do município é de alguém abstracto chamado Estado, o que os eleitores não percebem é que esse dinheiro é objectivamente o seu dinheiro.(Sic)

Se todos tivessemos esta consciência de que os 200.000€/ano que nos custam, a Sra. Presidente e os seus três vereadores, mais os cerca de 200.000€/ano que pagamos à sua máquina política são nossos, pensaríamos muito bem antes votar.

A Câmara de Caminha tem, várias vezes, esgrimido com a oposição socialista, utilizando o argumento de que ainda não atingiu o limite de endividamento. Este argumento é falacioso porque uma dívida é uma dívida e, a do nosso município, está perto dos 17 milhões de euros, ou seja, neste momento cada munícipe deve à banca cerca de 1100€.

A defesa de quem está no poder com uma gestão financeira desastrosa é a de, como se diz no futebol, "chutar a bola para a frente" dizendo que vêm aí inúmeros projectos para o concelho desde campos relvados, a piscinas, a casas mortuárias, a jardins de infância... todo aquele chorrilho a que todos já nos habituamos e criticamos mas que nos envove na letargia da esperança que, todos os anos, é assassinada e ressuscitada com os mesmos discursos e promessas.

Só um pequeno exemplo, a Ludoteca vai para quase uma década para se pôr a funcionar! Como é isto possível? Será que quando decidirem inaugurá-la irão ter que proceder a obras de beneficiação? E o saneamento para todas as freguesias?

Creio que todos nós fazemos por esquecer tanto populismo que, no entanto, nos hipoteca o futuro enquanto munícipes e cidadãos.

Pedro Ribeiro

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
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