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ELEIÇÕES MUNICIPAIS NO PAÍS VIZINHO CANDIDATOS EM A GUARDA
No próximo dia 27, os eleitores galegos -tal como os de outras regiões do Estado espanhol- vão ser chamados a eleger os seus representantes nos municípios. O C@2000 ouviu os cabeças de lista pelas quatro formações políticas concorrentes em A Guarda (PP-PSG/PSOE-Terra Galega e BNG), um concelho em que o PP detém a maioria relativa e a presidência, após ter empatado em número de vereadores com o PSG/PSOE (7 cada um) há quatro anos, o grupo Iniciativa Vizinhal 2 "concejales" e o BNG 1. O PP, inicialmente coligado com os dois representantes de Iniciativa Vizinhal (agora integrados no partido Terra Galega), o que lhes permitiu criar uma maioria governativa, viu-se posteriormente forçado a gerir em minoria os destinos do concelho de A Guarda, após a ruptura verificada dois anos depois. Nestas eleições, o Partido Popular renovou a equipa candidata, apresentando como cabeça de lista um jovem advogado de 33 anos, Alberto Gonzalez Vicente, enquanto que o Partido Socialista repete a candidatura de José Dominguéz Freitas, a qual subiu de 4 para 7 o número de "concejales" em 2003. Por seu lado, Celso Fariñas, volta a aparecer como a figura de proa dos ex-Iniciativa Vizinhal , agora agregada ao grupo Terra Galega e que elegera dois representantes no escrutínio anterior, o mesmo sucedendo com o primeiro da lista do Bloco Nacionalista Galego, Xan Lois Lomba, o único vereador nacionalista no município guardés. O C@2000 questionou os candidatos sobre o relacionamento existente (ou não) com a outra margem do Pai Miño, nomeadamente com Caminha, e o que perspectivam neste domínio as respectivas candidaturas a um município em que a pesca, o turismo e o comércio se encontram no centro das suas actividades económicas. Alberto González Vicente, candidato do PP:
Como analisa o relacionamento existente actualmente entre A Guarda e Caminha e o que perspectiva no caso de ser eleito alcalde?
"Pretendemos potenciar o turismo de A Guarda, aproveitando o ferry existente.
É por Caminha que muitos vizinhos portugueses chegam até cá à procura dos nossos restaurantes, mesmo durante a semana, nomeadamente empresários e comerciantes que vêm fazer os seus negócios.
A fim de atrair os portugueses, estamos dispostos a organizar todo o tipo de eventos internacionais que cativem cada vez mais as pessoas, ou mesmo apoiando iniciativas de entidades particulares.
Neste âmbito, é nosso interesse contactar com a Câmara de Caminha e com as demais situadas na margem do rio Minho, para que venha mais gente.
Chamo a atenção para o facto de nós termos a segunda potência turística da Galiza, e que é o monte de Stª Tegra mas, desejamos que os turistas baixem até ao núcleo urbano e ao porto, contribuindo com uma solução para o trânsito dos autocarros. Apostam na construção de uma travessia entre A Guarda e Caminha? Sobre o assunto da ponte entre A Guarda e Caminha, efectivamente, nós não o incluímos no nosso programa eleitoral, embora gostássemos de lutar por ela.
O que sucede é que devemos ser sensatos, a partir do momento em que foi construída uma ponte internacional em Goyán, a 10 km de A Guarda -além da ponte de Tuy.
Eu também não sou técnico mas o principal problema que vejo com a construção de uma ponte aqui, é estarmos a dois ou três metros acima do nível do rio e como ele é navegável, haveria que ter isso em consideração.
Sonhos todos temos e gostaria de o concretizar mas é uma coisa complicada, razão pela qual não colocámos a tema da ponte como prioritário, até por que há um serviço prestado pelo ferry e que é o que nos vale…
…mas a gestão do ferry tem-se tornado complicada… …sim, sei que há cerca de 900 mil euros imobilizados numa conta bancária, dependentes de negociações e da solução de alguns problemas existentes entre a Câmara de A Guarda e a de Caminha, porque ainda não conseguiram sentar-se a conversar sobre o assunto.
Oxalá seja eu e os que concorrem comigo a fazê-lo, porque esse dinheiro poderá servir para realizar muitos investimentos em A Guarda.
Eu fico com inveja quando vou a Portugal e vejo como o cais do ferry está arranjado, enquanto que as nossas docas estão abandonadas, apesar de termos uma importante frota náutica e pesqueira, pelo que considero isso prioritário, embora o dinheiro da exploração do ferry não dê para tudo isso.
O que representa para si obter um bom resultado eleitoral? Seria ter a maioria absoluta
O PP ganhou sempre as eleições em A Guarda.
Apesar de ninguém dar um duro por nós e de ainda há uns meses atrás se dizer que o PSOE ia ganhar, após a nossa apresentação, já ninguém sabe quem vai ganhar, fazendo-se muitas apostas sobre o vencedor das eleições.
Mas como temos muito apoio popular e uma boa equipa, que sabe escutar, as pessoas vão votar em nós porque temos essa força de que o concelho necessita, sem menosprezar o trabalho feito pelos meus antecessores, por quem tenho muito apreço, pelo trabalho de modernização que fizeram.
José Dominguéz Freitas, candidato do PSG/PSOE:
Como analisa o relacionamento existente actualmente entre A Guarda e Caminha?
Efectivamente, aquele Miño que nos devia unir, está a separar-nos.
Nos últimos tempos, não se tem progredido nada, dando mesmo a impressão que no tempo da lancha havia mais intercâmbios.
Gostaria de precisar que das poucas coisas que se fizeram, foi através da comissão das Festas do Monte, composta por companheiros meus, na tentativa de que algum grupo de Caminha actuasse em A Guarda mas, é insuficiente.
Por outro lado, a grande quantidade de turistas que se desloca a A Guarda não fica cá, pensando, talvez, que o que possuímos se pode ver num dia e nada mais temos para lhes fornecer, para os entreter.
De modo a inverter esta situação, propomos realizar um estudo em profundidade de todas as potencialidades do Baixo Miño e dos concelhos portugueses limítrofes, de modo a proporcionar aos visitantes uma maior atracção turística, a par do estabelecimento de contactos e intercâmbios, não só com a Câmara de Caminha, como também com todas as outras da margem do rio Miño, na perspectiva de criar maior dinamismo cultural, turístico e económico.
Gostaríamos de dinamizar o ferry -cuja viabilidade chegou a ser posta em causa-, porque, apesar de tudo, ainda é um foco de radiação de um lado e do outro do rio.
Qual a posição do PSG/PSOE sobre uma eventual construção de uma ponte? Se algum dia vier a ponte, bem vinda seja.
Contudo, pensamos que o tempo em que a ponte esteve mais próxima, já passou, quando não havia ainda a de Goyán, altura em que se poderia tê-la perspectivado um pouco mais acima ou um pouco mas abaixo.
Hoje em dia, fazer uma ponte quando já existe uma outra a cerca de seis quilómetros, parece-nos demasiado ambicioso, além do mais, quando se sabe que são os de Portugal os que mais a reivindicam e existe uma situação económica bastante grave no vosso país, o que dificultaria o seu financiamento.
Aliás, na nossa perspectiva, só faria sentido uma ponte se unisse duas vias importantes, tanto cá como em Portugal, não fazendo sentido ligar a estrada do Pasaxe com a de Caminha.
Repito. Com uma ponte tão perto, as duas administrações deveriam debruçar-se devidamente sobre a forma como administram os dinheiros.
O que será um bom resultado para PSG/PSOE no próximo dia 27? Conseguir nove "conselleiros" (maioria absoluta).
Não possuímos sondagens. Guiamo-nos pelos antecedentes de que dispomos.
Há quatro anos, conseguimos sete "conselleiros" e ao longo deste tempo fizemos trabalho, tanto de oposição como de política construtiva -e dou como exemplo a aprovação do Orçamento de 2006, a fim de evitar a perda de verbas que se tinha verificado em 2005-, deixando de lado o interesse partidário em benefício do município de A Guarda..
Se o Partido Popular e Fariñas nos três primeiros anos não fizerem uma boa gestão, no último mandato foi fatal, acreditando, por isso, que o eleitorado lhes vai passar factura.
Se a isto acrescentarmos o facto de termos um Governo da Xunta e de Madrid socialistas, o que, segundo os especialistas, sempre resulta em algum benefício eleitoral, creio que poderemos chegar aos nove "conselleiros" mas, em todo o caso, o eleitorado o dirá.
Celso Fariñas, candidato de Terra Galega
Que avaliação faz dos contactos entre A Guarda e Caminha?
Na legislatura anterior já começámos a ter intercâmbios culturais com a Câmara de Caminha, através de grupos folclóricos e corais, mas, depois, da parte do "Concello" de A Guarda, paralisou-se esta tentativa de dar andamento a uma série de actividades que eu creio que deveriam ter ido mais além.
Ainda houve algum intercâmbio gastronómico mas não houve continuidade.
Eu acho que deve haver uma conexão muito forte entre ambas as povoações, pois tanto Caminha como A Guarda podem contribuir reciprocamente com muitas coisas.
Se nós tivermos responsabilidades a nível do governo local na próxima legislatura, vamos fazer todos os esforços para que aqueles primeiros passinhos que se deram tenham maior continuidade e sejam cada vez mais amplos.
O que pensa da construção de uma ponte e qual o papel do ferry?
O ferry, no seu tempo, foi um vínculo de unidade, melhorando a situação que tínhamos naquele momento mas, hoje em dia, deixou de ser uma vantagem para ser um problema.
Estamos a falar de dois estados distintos - embora membros da União Europeia - e creio que a administração central deveria dar os passos necessários para que dispuséssemos de um vínculo que possibilitasse uma passagem diária.
Sempre que há eleições locais, autonómicas ou centrais fala-se da ponte mas, depois, não se dá qualquer passo por parte das administrações para encontrar a forma de unir as duas localidades.
Não sei qual será a melhor alternativa mas entendo que haverá que encontrar uma opção a este ferry que cumpriu a sua função, encontrando-se totalmente obsoleto hoje em dia.
O que representaria um bom resultado para a vossa formação política no dia 27?
O melhor resultado possível seria obter a presidência da "alcaldia".
Essa é a nossa aspiração.
Outra coisa será que os cidadãos, com o seu voto, decidam qual o espaço político que cada um vai ocupar.
De qualquer modo, a força que nos concedam para poder votar e decidir no "concello", quer no governo, quer na oposição, deverá permitir que se faça política positiva para o desenvolvimento de A Guarda e para esse projecto comum com Caminha.
Xan Lois Lomba, candidato do Bloco Nacionalista Galego
Que análise faz aos contactos existentes até agora com Caminha e como os perspectiva no futuro?
Os contactos com Portugal têm de ser totais.
Já temos algumas estruturas que não existiam há uns anos atrás, como seja a ponte de Goyán e há necessidade de melhorar as comunicações com Tuy através do futuro (e famoso) vieiro (nova estrada a unir com Tuy), o que equivalerá a uma melhoria das comunicações com Portugal.
No imaginário do nacionalismo galego sempre existiu uma apetência para com Portugal.
Fazemos pare do mesmo tronco, pelo que as relações bi-laterais têm que ser totais, como está a fazer a vice-presidência da Xunta, através da "consellaria" da Mocidade, abrindo diferentes canais de comunicação entre movimentos juvenis galegos e portugueses, que pretendemos potenciar nos "concellos".
Realço que a "Consellaria" de Cultura criou em A Guarda o Centro de Interpretação das Fortalezas do Minho dos dois países.
Contudo, existe a impressão de que continuamos de costas voltadas e isso é uma coisa que o nacionalismo quer erradicar, porque temos muitos interesses comuns.
Infelizmente, nunca se viu Portugal como algo necessário. Apenas como a outra beirada do rio Minho. Mas, para nós, Portugal é algo necessário, uma filosofia que não é seguida pelos partidos de governo.
Não só construir infra-estruturas físicas, mas também estabelecer relações reais e são essas pontes mentais que há que construir para quem tem vivido de costas voltadas.
Acha que uma ponte rodoviária entre A Guarda e Caminha seria importante?
Hoje em dia, esse tema não é prioritário para A Guarda por uma simples razão: Temos uma infra-estrutura que temos de manter da melhor forma possível e que é o ferry -embora haja necessidade de esclarecer muitos pontos escuros que existem, o que pensamos fazer, logo que estejamos no governo local-, além da ponte de Goyán.
Desta forma, o que é prioritário para A Guarda é a melhoria do "vial" (nova estrada a unir com Tuy) que ligará com a ponte de Goyán.
O que será um bom resultado para o BNG nas próximas eleições municipais?
É subir em votos.
Estamos confiantes nas relações que se estabeleceram nestes quatro anos, assim como nas actuações das "consellarias" nacionalistas no Governo galego, permitindo que os resultados sejam esperançosos
Mas, agora, o mais importante não é saber se vai subir muito ou pouco, é saber se o nacionalismo vai estar presente ou não no próximo governo municipal, perante o que se está a passar na política municipal e na galega.
Isto não é qualquer etiqueta. Concerto co gallo do día das Letras Galegas A Banda Municipal de Ribadeo ofrece o seu tradicional concerto co gallo do día das Letras Galegas · A BMR estrea dúas pezas novas no seu repertorio · A segunda parte do concerto é integramente música galega Ribadeo, 19 de maio. A Banda Municipal de Ribadeo (BMR) baixo a batuta do mestre Lourenço Cruz ofrece este sábado, día 19 de maio, ás oito e media do serán no Auditorio Municipal "Hernán Naval", o seu tradicional concerto das Letras Galegas. Esta cita forma parte, xa dende que en xaneiro de 1992 botara a camiñar a formación, da programación estábel da municipal ribadense ao longo de todo o ano. Desta volta a BMR estrutura a súa actuación en dúas partes, unha primeira de música sinfónica, composta de xeito orixinal para banda ou ben arranxada especificamente para este tipo de formacións, e unha segunda adicada integramente á música composta en Galicia. Na primeira parte do concerto a BMR incorpora dúas novas pezas ao seu repertorio, a obertura Ammerland, do mestre Jacob de Haan, e Fantasía para saxo alto e banda de Demmerssemen, co profesor Ismael Porto Barciela como solista, e recupera unha das obras que máis éxito colleitaron entre o público ribadense dende que a BMR se puxo en marcha, unha selección dos mellores fragmentos do musical The Phantom of de Opera, de Andrew Lloyd Webber. Na segunda parte, como xa vén sendo habitual, a BMR inclúe pezas compostas por autores galegos. É o caso dos dous pasodobres que abren e pechan esta segunda metade da actuación, Lugo-Ferrol, de G. Baudot, e Ponteareas, de R. Soutullo, respectivamente. E no medio volve ao repertorio da municipal ribadense unha das obras máis fermosas que se teñen composto no país, Rosa de Abril, de Andrés Gaos, baseada nun poema de Rosalía de Castro ao que lle vai poñer voz Suso López. A outra obra galega do repertorio é Negra Sombra do lucense Xoán Montes que xunto coa interpretación institucional do Hino Galego pechan o concerto desta noite. Suso López |
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