Jornal Digital Regional
Nº 340: 19/25 Mai 07 (Semanal - Sábados)
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MOLEDO

AMIGOS DE MANUEL GORDÃO
PROMOVERAM HOMENAGEM

Um grupo de amigos de Manuel Gordão promoveu-lhe uma homenagem no passo dia dia 11, no Centro Cultural de Moledo.

Bento Sobreiro, o padre Valdemar Cruz e os arquitectos Alves Costa, Sérgio Fernandéz e Siza Vieira foram os promotores da iniciativa, centrada essencialmente na veia artística e profissional do homenageado.

A sua participação na construção de algumas das moradias assinadas por estes e outros arquitectos, foram pretexto para a sua visualização através de imagens representando diversas perspectivas destas obras que marcaram Moledo.

"PROCURAVA SEMPRE A QUALIDADE"

O "comportamento e o modo de estar" do homenageado contribuíram de igual modo para a iniciativa, conforme salientou Sérgio Fernandéz -amigo de Manuel Gordão há mais de 40 anos, quando se iniciou a construção da casa de Henrique Alves Costa.

Este acto suscitou a divulgação de alguns pormenores envolvendo alguns desses projectos em que Manuel Gordão, então carpinteiro e construtor de barcos de recreio (António Pedro viu a sua embarcação saída da sua oficina), com realce para as opiniões práticas avalizadas do mestre marceneiro, geralmente aceites pelos arquitectos.

Casa de Henrique Alves Costa

Sérgio Fernandéz, na presença de Siza Vieira, recordou, como dado anedótico, que o seu projecto da moradia de praia de Alves Costa tinha sido assinado por ele, uma vez que ainda não tinha acabado o curso.

"UM HOMEM IRREQUIETO"

"Vivacidade, convicção e sabedoria" permitiram ao homenageado apostar sempre na qualidade dos trabalhos que executava, ao que não teria sido alheio o contacto mantido ao longo da sua vida com algumas das figuras mais marcantes da praia de banhos de Moledo, em que pontificava a figura de António Pedro, com quem Gordão colaborou, inclusivamente na construção de cenários para o Teatro Experimental do Porto.

De entre os seus amigos e que não puderam comparecer a este acto, conta-se o constitucionalista Jorge Miranda, o qual enviou uma carta de apreço pela iniciativa e, lida na ocasião.

"PARTICIPAÇÃO CÍVICA"

A acção cívica de Manuel Gordão serviu de pretexto à intervenção de Alexandre Alves Costa, referindo que "lutou uma vida inteira por uma cidadania completa para os habitantes de Moledo" e travou "uma batalha pela harmonia da paisagem" da aldeia.

Destacou a sua elevada formação cultural, fruto de um homem que leu muito e beneficiou do convívio e das discussões entre neo-realistas e surrealistas que se hospedavam no verão na desaparecida Pensão da D. Flora.

Sobre a sua personalidade, de certa forma vincada por um temperamento forte, Alves Costa salientou que "ele não gostava de mandar, o que queria era que os outros acreditassem no que ele defendia".

"DISCÍPULO DE GORDÃO"

Siza Vieira

"Às vezes, ralhava-me", esta, uma das expressões utilizadas por Siza Vieira, para definir o rigor com que Manuel Gordão pautava a sua profissão, confessando ainda que "de certo modo, considero-me um discípulo dele", tal como sucedeu com outros carpinteiros e marceneiros.

Centrado na apurada técnica e inúmeros conhecimentos que o homenageado daquele noite possui, acrescentou que ele fazia os trabalhos "com grande desenvoltura"(…)"e as madeiras trabalhadas por ele nunca empenavam", terminando a sua curta intervenção, agradecendo-lhe "o que aprendi".

"FELIZ COM OS AMIGOS QUE CRIEI"

Manuel Gordão não ficou indiferente perante o acto cívico de que foi alvo, começando por realçar o papel importante que sua mãe e esposa tiveram na sua vida e recordou algumas passagens, designadamente, a doença que o reteve no leito na sua juventude, período durante o qual meditou sobre o seu futuro e, já no período de convalescença, uma "boca" de um indivíduo que o viu passar na rua agarrado a uma bengala, viria a motivá-lo a enfrentar a vida com frontalidade.

Dedicou-se à construção de barcos, tirando os modelos de revistas inglesas e tentando a partir daí dar copo aos seus trabalhos, -"o que não foi fácil, devido às diferenças dos sistemas métricos usados nesse país", sublinhou.

A construção do barco de António Pedro ("Chape-Chape") e a sua primeira entrada nele, quando toda a gente estava à espera que fosse ao fundo, dado ser uma embarcação pequena para um homem tão grande, foi uma das histórias recordadas por Gordão, que salientou o quanto aprendeu com este vulto da cultura e que "me incentivou a fazer bem (perfeito)".

Dos contactos mantidos ao longo da vida com os arquitectos, retirou amizades e um "prazer imenso" em trabalhar com eles, aproveitado para relembrar algumas histórias.

A penhora da casa de Henrique Alves Costa por parte da câmara, devido a não ter liquidado uma taxa, dívida essa assumida pelo próprio Gordão a fim de evitar males maiores, sem que conhecesse ainda o seu proprietário, viria a tornar-se o cerne de um relacionamento para toda a vida, que se prolongou com seus filhos.

Citou o gesto do arquitecto Alcindo Cardoso, ao vê-lo deslocar-se -e aos materiais usados nos seus trabalhos- num carro velho a desfazer-se, e mandando-o a um concessionário para que trocasse de viatura, de modo a "evitar que ficasse no caminho, com o carro podre que tinha".

Recordou ainda que o projecto da creche de Moledo, da autoria de dois dos arquitectos organizadores da homenagem, fora objecto de uma menção honrosa no Centro Pompidou.

Teve ainda uma referência ao pároco de Moledo (o qual já se tinha dirigido a ele logo no início do acto), pegando no tema da construção da capela das Preces, quando muitos colocavam entraves à sua concretização e, ele, insistindo, conseguiu materializá-la, apesar das suas convicções pessoais não se ajustarem a modelos religiosos, precisou,

Não se esqueceu de evocar ainda os que com ele colaboraram na junta de freguesia ao longo de mais de 20 anos.

Concluiu as suas palavras, realçando que "sempre respeitei o trabalho do próximo, assim como gostei que me respeitassem".

"POR DETRÁS DE UMA GRANDE HOMEM…"

"Obrigado por me teres ajudado a criar!", assim terminou a série de oradores um sobrinho seu, Joaquim Guardão.

Emocionado, a custo citou vários testemunhos da vivência pessoal com seu tio, realçando "o muito que contigo aprendi e estás sempre a surpreender-me", acabando a destacar o papel da esposa de Manuel Gordão no êxito da sua vida


APROVADO BRASÃO DA FREGUESIA

Com algumas alterações, a proposta para a criação da heráldica da freguesia recebeu luz verde por parte da Assembleia de Freguesia, devendo agora ser sancionada pela respectiva comissão.

Nesta reunião em que os delegados aprovaram as contas de gerência de 2006, foram solicitados diversos esclarecimentos à Junta, versando inúmeras situações que preocupam os eleitos locais.

A presença de sucata na estrada velha de ligação a V.P.Âncora, foi uma delas, garantido Joaquim Seixo, presidente da Junta, que a situação está resolvida, não devendo voltar a suceder, depois de a SUMA intervir no local.

Aliás, o problema da limpeza na freguesia em 2007 -outro dos temas debatidos- não será da responsabilidade da Junta, dado que declinou a proposta de celebração de protocolo com a Câmara, por alegar insuficiência de verbas para o efeito, devendo esses trabalhos manterem-se na esfera do Município.

A Junta confirmou que vai proceder a uma pintura (caiadela) no cemitério da freguesia e que já oficiou para que seja reparada a grade de protecção de peões na passagem desnivelada que une a parte alta à baixa.

A presença de gasóleo no rego das Preces foi outro assunto que preocupou os eleitos, mas, apesar das diligências realizadas no local pela Polícia Marítima, não foi possível detectar a sua origem, segundo informou Joaquim Seixo.

Continua a assistir-se à degradação da sala de espera da estação da CP, levando Joaquim Guardão, presidente da Assembleia, a sugerir o envio de uma comunicação à Refer, a fim de intervirem.

Uma situação preocupante na ligação da EN 13 com a R. das Andoreiras, temendo-se por acidentes, levou a Junta a colocar uma placa proibindo virar à esquerda para quem dela saia para sul, mas, desapareceu pouco depois.

O estado em que se encontra o piso nesta artéria mereceu igualmente uma chamada de atenção por parte do PSD, obtendo como resposta que um técnico camarário já se tinha deslocado ao local e prometendo resolver inicialmente o problema das águas pluviais.

A falta de iluminação pública em alguns pontos de Moledo mereceu igualmente particular atenção dos delegados, pedindo à Junta que intervenha junto da EDP.

A proliferação de animais abandonados junto ao paredão da praia, levou um dos delegados do PSD a considerar aquilo um "canil", pedindo que se intervenha.

A intervenção realizada na curva sul da entiga estrada do Camarido, mereceu um elogio por parte de todos, dado ser uma necessidade em termos de segurança rodoviária.

Ainda em termos de rede viária, as altas velocidades que muitas viaturas atingem na Avenida de Santana, proporcionaram a Joaquim Guardão a apresentação de um pedido a formular junto da GNR para que policie devidamente esta artéria.

O estado em que se encontram os passeios e pavimentos desta avenida, constantemente esventrada para intervenções, mereceu igualmente reparos dos delegados.

JUNTA DE FREGUESIA DE MOLEDO

Horário de Atendimento ao Público

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