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INSTITUTO DO AMBIENTE VIABILIZA TROÇO NORTE DO IC1 (RIBA D'ÂNCORA-VILAR DE MOUROS) CONTRA PARECER DE COMISSÃO TÉCNICA MORADORES, JUNTAS E ECOLOGISTAS DENUNCIARAM SITUAÇÃO E AMEAÇAM COM TRIBUNAIS
A Comissão de Moradores de Vilar de Mouros, as juntas de freguesia desta aldeia, Argela e Lanhelas e ao ambientalistas da Corema convocaram a imprensa para lhe dizer que "desta forma, não aceitam o IC1". "De uma forma incompreensível, contraditória e eventualmente ilegal, o presidente do Instituto do Ambiente (IA) contraria o parecer da Comissão de Avaliação (CA) e decide aceitar, de uma forma genérica, o projecto de execução do troço norte do IC1 Riba d'Âncora-Caminha", denunciou Paulo Bento, representante da comissão de moradores de Vilar de Mouros. OPÇÃO TOMADA POSTA EM CAUSA
Após um primeiro chumbo do projecto de execução deste traçado pela CA, esta comissão voltou a conferir "parecer negativo" a uma nova versão apresentada pela Ferrovial (empresa com 95% de capital espanhol que lidera o consórcio "Euroscut" a quem foi concessionada a obra), alegando que "as alterações propostas agravam os impactes do primeiro estudo" e, a própria empresa vem agora afirmar que o corredor (Solução 2) "não é exequível", o que põe em causa a própria opção tomada. Foi realçado que os técnicos da CA referem ser necessário "proceder à reavaliação" de todo este troço -uma ideia já adiantada inicialmente pelos contestatários, recordaram- mas que o IA não seguiu, aprovando-o agora condicionalmente e impedindo que se inicie a obra antes de se realizarem "reuniões com os munícipes e freguesias", de acordo com o constante na Declaração de Impacte Ambiental, lê-se na decisão tomada. A CA reputa ainda de "preocupante" uma alteração num dos pontos do traçado, que leva a que o itinerário se aproxime da Solução 4 que foi eliminada na fase inicial deste processo. APELO À PRESIDENTE
Carlos Alves, presidente da Junta de Vilar de Mouros, apelou à presidente da Câmara para que impeça a consecução do "atentado ambiental", porque "ainda está a tempo de mostrar que está ao lado das populações".
Em relação a esta freguesia, a CA admite que "não foram cumpridas as medidas de minimização com vista à preservação" da Ponte Românica de Vilar de Mouros e da "manutenção da sua envolvente". REGATO DO REAL EM PERIGO
José Carlos Silva, presidente da Junta de Freguesia de Argela, manifestou a sua "total estupefacção" perante a decisão do I.A e realçou que a sua freguesia está em perigo.
Será o caso das linhas de água (minas, nascentes e o próprio Regato do Real que poderá sofrer alterações às "condições de escoamento natural" devido à construção do nó de Dem) e da maior proximidade das populações. Este autarca manifestou ainda receio de que a ligação a Caminha se faça pelo interior da freguesia, referindo, no entanto, que "não somos contra o IC1, por isso apontámos alternativas que não foram contempladas e que trarão consequências para Argela", afirmando por último que "iremos até às últimas consequências".
Por seu lado, perante este cenário, Lanhelas receia o pior, conforme o reconheceu Rui Fernandes, presidente da Junta, em cujo limite norte da freguesia se prevê a saída do IC1, junto ao Lugar de Gouvim, Gondarém. PEDIDA AUDIÊNCIA Foi já pedida uma audiência ao novo secretário de Estado do Ambiente (incluindo a presença da freguesia de Gondarém), esperando que esteja "menos contaminado pela realidade caciqueira alto-minhota", numa alusão ao anterior membro do Governo, alvo de muitas críticas.
Os convocantes da conferência de imprensa não pretenderam retirar ilações da coincidência da decisão do IA com a remodelação no Ministério do Ambiente ocorrida pouco depois (embora Paulo Bento admitisse ter sido possível que o anterior secretário de Estado pudesse ter estado na origem), nem com a campanha que a Câmara de Caminha pretende lançar junto dos munícipes que não tenham ligações à rede pública de água (e de saneamento) e sejam abastecidos por minas e poços. FERROVIAL NÃO FOI POUPADA Foram ainda particularmente críticos com a actuação da Ferrovial, acusando-a de "não respeitarem nada nem ninguém, excepto o seu lucro e de apenas terem cuidado em construir túneis em Espanha", dando como exemplo o sucedido no Rio Âncora, em Soutelo, com a fonte da Retorta, em Vila Praia de Âncora ou no IP9. Em última instância, estão dispostos a recorrer aos tribunais, pelo que um advogado estará a analisar a situação, designadamente, a contradição entre o parecer da CA e deliberação do Ministério do Ambiente.
CRIADA COMISSÃO MUNICIPAL DE DEFESA PROJECTOS PARA SANTO ANTÃO E SENHORA DAS NEVES
Criada esta semana a Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios, foram desde já elaborados dois projectos de prevenção de incêndios florestais candidatados ao Programa Comunitário Agris, abrangendo uma área cerca de 2000 hectares (baldio e privado), nos montes de Santo Antão e Senhora das Neves. Através destas candidaturas, o município caminhense pretende construir dois parques de lazer nestes locais, prevendo ainda intervir na "abertura e manutenção" de caminhos florestais com 15 metros de largura, "reparação de quatro pontos de água e construção de mais três", além de prever a colocação de "sinalética e vigilância móvel" no período de verão. Durante os cinco anos de duração do projecto, serão investidos 1.500 milhões de euros (1.100 destinados à redução do risco de incêndios e sua progressão e 400 para vigilância, intervenção precoce e prevenção). A Câmara de Caminha comparticipará no esforço destes projecto com 300 mil euros, no caso de serem aprovadas as candidaturas, conforme o espera Júlia Paula, segundo anunciou durante a última reunião camarária. Revelou ainda que avançou com outra candidatura direccionada para a vigilância móvel, prevendo criar duas brigadas de duas pessoas cada uma, entre 30 de Junho e 15 de Setembro deste ano, entre as 12 e as 20 horas, uma iniciativa que os seis concelhos da "Vale-e-Mar" vão levar por diante. |
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