Com o Verão, chegaram as férias, as festas, os forasteiros…
- E as pragas do costume, acrescentou D. Gambozino.
- Quais pragas, D. Gambozino?
- A praga dos engarrafamentos viários, da confusão, do agravamento local dos preços, da exploração, dos actos de vandalismo, etc.
- Isso é verdade! Temos de estar de olho fino! - afirmaram os populares.
- Mas a pior praga, que já começou, é a dos incêndios.
- Sim, sim. Já arderam uns bons hectares da nossa serra! E ainda estamos em Julho! Só ao fim de quatro horas é que as duas corporações de bombeiros conseguiram extinguir as chamas. Não há maneira de se acabar de vez com estes malditos incêndios…
- Que destroem a riqueza florestal, o ambiente, vidas humanas…
- Todos os anos prometem que as coisas vão melhorar, que vão tomar medidas especiais, e nada se vê!
- Se bem que os vossos alcaides, honra lhes seja feita, têm levado a peito a defesa dos vossos pinhais. Até estabeleceram protocolo com os bombeiros, e está no terreno um piquete de vigilância e prevenção.
- Já é alguma coisa, que representa boa vontade. Só que não é o suficiente, como o comprova o incêndio de 15 de Junho.
- Com certeza. Faltam os meios. É preciso investir nesta matéria.
- Investir?! Estes (des)governantes só pensam em poupar … em vender património …
- Mas investem milhões em submarinos.
- Está a ver, D. Gambozino? Preferem gastar dinheiro em submarinos, que não produzem riqueza nenhuma, em vez de investirem na defesa desta nossa riqueza nacional, que é a floresta, com aquisição de modernos equipamentos técnicos de combate eficaz a fogos ...
- Que seria menos dispendioso que andar a alugar ao estrangeiro aviões de combate a fogos.
- Isso é tudo um negócio, D. Gambozino! Um negócio para essas companhias de aviação, mais interessadas em prolongar que em extinguir as chamas.
- Sim. Um negócio, que ninguém sabe quanto custa, nem a quantos favorece. Uma teia de interesses insondáveis…
- Que ninguém entende. Porém, o que nós queremos é que o Governo cumpra, que tome medidas, que destine verbas para esta causa. E que não venha, de papo inchado, gabar-se de que faz mais e melhor com menos dinheiro.
- Se fizesse tudo com menos dinheiro não precisava de subir os impostos, nem de inventar e criar novos impostos. O que falta é coragem. E só coragem. Coragem para encarar as causas dos incêndios. Coragem para atacar essas causas. E coragem para investir nessa área.
- Entretanto, o país vai ardendo e ficando mais pobre …
- É questão de vontade. Se, para a realização do Euro 2004, vossos caudilhos foram capazes de garantir segurança absoluta, também a conseguirão agora para salvaguarda da vossa floresta.