Como já vem sendo prática quase constante no Remo português, os critérios de selecção dos atletas que tentam o apuramento para integrarem os diversos seleccionados, geram controvérsia e não menos injustiças e dualidade de critérios.
Neste particular, o Sporting Club Caminhense possui um longo e infeliz historial.
No final desta época, quando se ultimam as equipas que vão representar Portugal nas competições internacionais, designadamente em juniores, uma vez que o 2XPLH que tentou o apuramento para as Olimpíadas de Atenas não conseguiu esse objectivo, a controvérsia estalou.
Os jovens atletas juniores tentam um lugar para o Mundial de Barcelona (aqui mesmo à porta) e para a Coupe de la Jeunesse, em Itália.
Os responsáveis técnicos e federativos apostaram apenas na presença de um 2XH no Mundial de Barcelona e os restantes remadores a apurar -e que já se encontram em estágio a fim de definir o lote final-, irão até à Coupe, talvez em 4XH, 4-H e 2XF.
E dizemos talvez, porque depende dos resultados dos testes que ainda vão realizar na água antes da partida, conforme nos referiu Luís Faria, responsável pela Alta Competição.
Esta opção é considerada errada por muitos.
Este ano, houve um grupo de excelentes remadores, muitos deles a baixarem de 6.25 nos 2000 metros ergométricos, que poderiam perfeitamente completar um Shell/8 competitivo e capaz de realizar uma boa prestação, além de outros barcos mais pequenos.
FALTA DE DINHEIRO DITA RESTRIÇÕES
Sabendo-se que a Federação não nada em dinheiro -face aos cortes já efectuados pelo anterior Governo e que o seguinte seguramente irá continuar, agravado pela possibilidade da perda do estatuto de utilidade pública, pelo facto de os resultados internacionais não terem correspondido aos ditames dos responsáveis pelo desporto nacional, o que poderá ditar consequências gravosas para esta e outras modalidades-, a presença em Barcelona poderia ficar bem mais barata.
Com o aluguer (ou cedência ) de um autocarro, poderiam transportar-se os remadores e técnicos, evitando-se dessa forma as sempre onerosas deslocações por avião. O próprio Caminhense adiantou tal possibilidade mas, em vão, conforme nos revelou João Paulo Garrido, presidente do clube verde e branco que já enviou uma exposição à Federação Portuguesa de Remo, protestando pelas decisões tomadas, quanto aos critérios de escolha dos remadores.
João Paulo Garrido, lamentou a confusão reinante no sector, perante "dispensas" injustas de alguns atletas (Filipe Azevedo foi um deles, segundo apurámos, tendo sido preterido por outro atleta, apesar de ter cumprido os requisitos estabelecidos previamente pela FPR, enquanto que Paulo Cerquido foi excluído do 2X que iria participar no Mundial).
TESTES ALEATÓRIOS
Segundo soubemos junto da equipa técnica do SCC, os critérios de apuramento foram utilizados de forma aleatória, não tendo sido seguidas as mesmas avaliações (testes ergométricos e na água) para os remadores que poderiam participar no Mundial ou na Coupe.
João Paulo Garrido denunciou que, inicialmente, se previu uma selecção para 20 atletas e, em 20 de Abril, esse número reduziu-se para metade.
Criticou ainda o facto de Filipe Azevedo ter sido excluído do lote da Alta Competição depois de ter cumprido todos os requisitos, "enquanto que outros com o mesmo nível foram incluídos, sem os terem cumprido", lembrou.
No que diz respeito à opção por um remador de Viana., em detrimento do Paulo Cerquido, quanto ao 2X que vai ao Mundial, as queixas também se ouvem, dizendo-se que foi injustamente relegado para a Coupe.
A agravar toda esta situação, há casos de remadores de outros clubes indevidamente seleccionados, quando apresentaram resultados melhores aos de outros...do mesmo clube.
Luís Faria defende-se, dizendo que a tutela do desporto impôs metas impossíveis de obter nas competições internacionais, designadamente para a Coupe, depois de terem sido testados em Munique (Abril).
"REANÁLISE"
Face a estes resultados, foi decidido "reanalisar todo o processo", saindo um documento enviado aos clubes, em que se "pré-elegeu" um grupo de 23 atletas em que se manteriam em "laboração contínua até ao início do estágio terminal".
Luís Faria sublinhou que desde Setembro que os clubes sabiam quais as exigências em termos de resultados a obter nos Mundiais e na Coupe, impostas pelo Instituto do Desporto.
A última selecção (após os Nacionais) terá sido baseada em testes físicos e não de água ("porque já não havia tempo", assinalou), terminando com os controversos testes em terra no princípio de Julho.
Luís Faria reconheceu que existiu uma "componente técnica" em que os técnicos da FPR se basearam para apresentarem as suas opções.
GOVERNO IMPÕE "PARADA ALTA"
Depois de todo este vendaval, novos testes na água serão realizados em Montemor-o-Velho durante este fim de semana, a fim de apurar se do lote dos pré-seleccionados há barcos com possibilidades de atingirem a Final A no 2XH, no Mundial, enquanto que às tripulações previstas levar até à Coupe, o IND imporia tempos que permitissem acalentar esperanças de virem a ser medalhados.
Se tal não for atingido, as tripulações nem sequer embarcam, assinalou.