The Cure trouxeram a Vilar de Mouros a nostalgia dos anos 80
No segundo dia da edição do Festival Vilar de Mouros 2004, coube aos Fingertips as honras de abertura do palco principal.
O dia ainda ia alto e o público começava afluir ao recinto. De facto, eram apenas umas parcas centenas de pessoas que se alglomeravam junto ao palco.
À medida que o concerto ia progredindo e a afluência de público aumentando, o vocalista Zé Manel, ia puxando pelo público fazendo-o reagir.
Pela primeira vez a actuar num grande festival, a banda de São Pedro do Sul, deu o seu melhor. Apresentou uma música inédita, cantou os já clássicos "Picture Of My Own" e "Melancholic Ballad For The Left Lovers" e arrebatou o público com uma versão de "Tainted Love" dos Soft Cell, absolutamente irrepreensível.
Por fim, presentearam o público com aquele que será o próximo single da banda "How Do You Know Me", que por certo será mais um êxito a somar aos da jovem banda.
Num registo completamente diferente da doce melancolia protagonizada pela música da banda antecessora, seguiram-se os norte americanos Ice-T.
Rap, puro e duro. A banda apostou em "aquecer" o público num registo provocatório.
As promessas de que Ice-T subiria ao palco foram-se sucedendo, mas os músicos é que iam assegurando a performance da banda, até que à quarta música, entra finalmente em palco o "desejado" Ice-T, aludindo ironicamente ao presidente Bush.
O estatuto de activista que o músico, actor e escritor foi conquistando, esteve patente ao longo do concerto.
Os amantes do rap, tiveram oportunidade de assistir a um concerto do melhor que se produz nesta área musical, de certo modo comparável com o que os Public Enemy ofereceram no ano transacto ao público que visitou este mesmo festival.
Dez minutos antes do previsto, os Clã irrompem em palco.
Com uma plateia mais escassa do que a de há um mês atrás no festival Super-Bock Super Rock, mas com um alinhamento bem mais alargado, os Clã procuraram um concerto equilibrado entre os clássicos e alguns temas fortes do novíssimo álbum "Rosa Carne".
Dois anos depois de terem dado um memorável concerto neste mesmo recinto, sob uma chuva torrencial, voltaram novamente a "marcar pontos" com uma notável performance de Manuela Azevedo.
"H2Homem", "Corda Bamba" e "Sopro no Coração", entre muitos outros sucessos, fizeram as delícias do público.
Ameaçaram acabar como começaram, de "GTI", mas terminaram inevitavelmente com um "Problema de Expressão", perante uma plateia completamente rendida aos encantos da banda Portuense.
Finalmente, cerca da uma da manhã, a banda mais aguardada da noite.
Os The Cure do místico Robert Smith, tomaram conta duma plateia que, surpreendentemente, se foi avolumando.
Trata-se indubitavelmente duma banda de culto, a fazer-se notar pelos muitos fãs que se acumularam perto das grades, exibindo maquilhagens e penteados semelhantes aos de Smith, bem como também algum merchandising alusivo à banda.
Quanto ao concerto propriamente dito, a banda alternou entre clássicos e alguns temas do mais recente álbum.

A evolução para o actual estilo musical mais "mainstream" marca uma certa ruptura com um passado de que a banda não se pode alhear, especialmente quando consegue levar ao rubro a plateia com temas como "Lovesong", "In Between Days" ou "Just Like Heaven".
Smith, não é nem activo, nem interactivo. Mantém a sua pose sorumbática e limita-se a soltar um "thank you" de onde em onde.
O público, esse, reage mais aos velhinhos temas da década de 80, do que aos registos mais recentes.
Após três "encores", onde não faltaram temas como: "Forest", "Close To Me", "Lovecats", "Why Can't I Be You" e "Friday I'm In Love", a banda termina num final apoteótico com o já esperado "Boys Don't Cry".
Encerra assim, em grande, a segunda noite do Festival Vilar de Mouros, edição 2004.
Texto:Ana Mascarenhas
Fotos: Helena Soares
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