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IC1 CABO DA GNR PARTICIPA DE PRESIDENTE DA COREMA JOSÉ GUALDINO ERA ACUSADO DE "COACÇÃO SOBRE FUNCIONÁRIO" E EM RESPOSTA VAI "PROCEDER JUDICIALMENTE" CONTRA MILITAR DA GNR COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO IC1 DE VILA PRAIA DE ÂNCORA IMPEDIDA DE PARTICIPAR EM REUNIÃO - CÂMARA FALA DE "CONFUSÃO"
Um cabo da GNR de Caminha que assumia interinamente o comando do posto, apresentou uma queixa contra o presidente da Corema, alegando ter sido "coagido" a actuar, quando a Euroscut iniciou as obras de construção do troço do IC1 entre Dem e Argela, no passado dia 14 de Junho, altura em que José Gualdino, acompanhado de outros elementos da direcção e de uma advogada, solicitou a sua intervenção junto da empresa, de modo a verificar se o Instituto de Estradas tinha autorizado o começo dos trabalhos.
Contudo, o Tribunal de Caminha arquivou a queixa, "por ter sido infundada a acusação quanto à prática do crime de que vinha a ser acusado o presidente da direcção da Corema", refere este grupo ecologista. Mas, esta associação não se quedou pelo arquivamento da queixa e "perante a inqualificável actuação do referido elemento da Guarda Nacional Republicana, a qual consubstancia um crime grave de difamação e de denúncia caluniosa", está disposta a "participar hierarquicamente e proceder judicialmente" contra o militar da GNR. LOUVOR À GNR A Corema, em comunicado, salienta que "tem procurado manter com o comando da GNR de Caminha um relacionamento institucional pautado pelos princípios do respeito e da legalidade, tendo já expressado o seu reconhecimento pelo espírito de colaboração de anteriores comandantes e dos seus efectivos". Como prova do que afirmam, reiteram o seu apreço pelo "espírito de colaboração" -reputado de "inexcedível"- por parte dos Serviços de Protecção da Natureza e do Ambiente de Viana do Castelo, realçando ainda o "aplauso" que merecem os seus efectivos, pela actividade que vêm exercendo. AGUARDADA DECISÃO DO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO
Recorde-se que o começo das obras deste troço, tinha sido precedido pela interposição de uma acção popular junto do Tribunal Administrativo, na tentativa de impedir a concretização da nova estrada, esperando que "nos venha a dar razão" -acrescentam- e "suspenda, o mais rápido possível, o esventramento e a destruição em curso do património natural da freguesia de Argela, antevendo-se situações semelhantes em Vilar de Mouros, Lanhelas e Gondarém". VILAR DE MOUROS NÃO DESARMA
Entretanto, a Junta de Freguesia e a Comissão de Moradores de Vilar de Mouros, no momento em que "os olhares e as atenções de todos se tornam a virar para a nossa freguesia", num referência a mais uma edição do Festival de Música de Vilar de Mouros, também aproveitaram para apelar à Justiça de modo a que "ainda venha a tempo de impedir um grave e irremiediável dano", de acordo com a aludida acção popular "conjunta" com outras entidades, em que é exigida a "suspensão imediata da obra". POLÍTICOS NÃO RESPEITARAM PARECERES TÉCNICOS Assim, durante este evento, está a ser distribuído um comunicado em que é dado realce ao facto de "por duas vezes consecutivas os técnicos da Comissão de Avaliação terem reprovado os projectos de execução do IC1", mas, "uma decisão política e quanto a nós ilegal", dizem moradores e autarcas vilarmourenses, não respeitou os "pareceres técnicos". SONHO DE ANTÓNIO BARGE TRAÍDO
Fazendo alusão ao Festival, destacam que a "escassas três centenas de metros do recinto", onde ele se desenrola, "na encosta montanhosa sobranceira que lhe é próxima", uma auto-estrada com um movimento previsível de 20 mil veículos/dia "ameaça quebrar definitivamente um secular equilíbrio entre o homem e a natureza e ferir de morte o que de mais genuíno existe num evento como este", denunciam. Por esse motivo, a não ser travado este processo pelo tribunal "a harmonia paisagística e o bucolismo que nos 60/70 foram a musa inspiradora do Dr. António Barge (pai dos festivais) na concretização do sonho de fazer de Vilar de Mouros a sede do mais popular festival de música do país" estarão postos em causa pelos "poderosos interesses económicos e cegos propósitos políticos", denunciam. TRAPALHADA COM REUNIÃO DO IC1 NO VALE DO ÂNCORA Também em Vila Praia de Âncora crescem os temores pelo futuro da centenária Fonte da Retorta, cujo manancial de água de excelente qualidade e outras nascentes poderão ser postas em causa pelas obras. O facto de a comissão de acompanhamento criada no âmbito da Assembleia de Freguesia da V. P. Âncora, ter sido impedida de participar numa reunião realizada na passada Quarta-feira entre o Instituto de Estradas, Euroscut e Câmara de Caminha e inicialmente agendada para o passado mês de Junho, gerou mal-estar e controvérsia.
Alfredo Pinto, presidente da Assembleia de Freguesia, embora contrariado pela situação criada, espera agora que seja agendada uma reunião a fim de ser apresentado o projecto e caderno de encargo das obras do ramal de ligação do IC1 a V. P. de Âncora, há muito exigidos pela dita comissão. Entretanto, fonte camarária contactada por nós, revelou que terá havido "confusão" na interpretação da convocatória destinada a criar gabinetes de acompanhamento das obras nas diferentes freguesias do Vale do Âncora, motivo pelo qual apenas os presidentes de Juntas e das Assembleias teriam sido convocados, comprometendo-se agora a autarquia a agendar um encontro com a comissão, dentro de duas semanas, salientando contudo Alfredo Pinto que "o tempo escasseia". |
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