CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 175: 6/12 Mar 04 (Semanal - Sábados)

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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


Razões do Gambozino

Acorreram, de todos os recantos, os peixes do Rio Minho, que, em plenário, e na presença do seu distinto vizinho, D. Gambozino, reclamaram seu direito à vida:

- Querem-nos tramar! Querem-nos eliminar da face da água! Primeiro, foi o "Ferry", com dragagens permanentes; agora, é o sonho de mais uma ponte; e, por último, é o acordo hibérico da electricidade, com o projecto de construção de mais três barragens no nosso rio, para morte do rio … e nossa morte.

- É uma tristeza, queridos peixinhos meus! Mas, como diz o velho ditado, enquanto há vida há esperança, confidenciou Sua Alteza.

- Intercedei por nós, que somos inocentes e indefesos! Somos a vida do rio; de nós vivem os pescadores; e de nós vivem os loucos que nos querem extinguir …

- Não vos posso tranquilizar em absoluto, infelizmente. No entanto, há indícios que vos são favoráveis. Lembrais-vos, com certeza, da aberração que foi o projecto de Cela. Contra ele se uniram todas as correntes de opinião (para não falar das ambíguas forças vivas) e tudo morreu aí.

- Não morreu não, D. Gambozino. Agora, em vez da de Cela, já falam em três. Está tudo doido! E depois ainda querem que acreditemos que vão privilegiar o ambiente…

- O ambiente?! Reparai, peixinhos: reconhecem que o "Ferry" produz impactos negativos, e que o estaleiro é um "escarro", mas não lhe põem termo. E, por caturrice, só acabarão com ele se vier a ponte. Neste país da "tanga", esperai pelo luxo de mais uma ponte no mesmo rio! (In)congruências democráticas!

- E as barragens, D. Gambozino? Onde estão os tais sinais de esperança?

- Acalmem, por favor! Está tudo a mexer. Autarcas, pescadores, ambientalistas, produtores do alvarinho, e população em geral, estão todos unidos contra essa barbaridade. E os deputados, defensores das causas do povo, já apresentaram requerimentos na Assembleia da República, condenando este atentado ao património da região.

- Movei vossas influências! Removei nossa tragédia! Demovei a intenção perversa de nos destruir!

- Farei o que for possível. Embora saiba que é difícil, porque o (des)Governo tudo vai vendendo ao mercado hibérico. Vende património. Vendeu a um banco americano, com capitais árabes, os créditos fiscais da cobrança dos impostos em atraso. Vai vender mais 9 empresas, e apressadamente, a grupos económicos, naturalmente transnacionais. Vai vendendo o país. E falam em retoma! Vão-se os anéis, e nem os dedos ficam. Tudo, sob a capa do défice. Assim, a venderem tudo, qualquer pródigo (des)governa. E ainda querem que as outras forças os elogiem! Bom, mas isto não é para vós, peixinhos. É só para aqueles que quiserem abrir os olhos; se quiserem, quando quiserem, e como quiserem. Quanto a vós, meus peixinhos queridos, tudo farei para vos salvar.

- O nosso muito obrigado a Vossa Real Majestade! Já desapareceram, para sempre, várias espécies do nosso mundo piscícola, por causa das barragens galegas que se foram instalando neste rio. Só restamos nós. Ajude-nos! Temos direito à vida!

Manuel Afonso

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