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MOLEDO
RECUO DE COSTA NA ORDEM DOS 12 METROS
PASSADIÇO EM PERIGO
O mar continua a sua erosão progressiva na costa de Moledo, agora centrada uns 150 metros mais a norte do paredão existente na praia. Algumas dezenas de milhar de metros cúbicos de areia já desapareceram da duna primária, representando um recuo de costa na ordem dos 12 metros nos últimos meses, pondo já em risco o passadiço de madeira que atravessa o cordão dunar no sentido longitudinal e que serve de defesa do pisoteio desta área sensível do litoral.
Uma baía formada em frente a um penedo habitualmente tapado pela areia e que agora se encontra totalmente à vista, devido ao desaparecimento dos inertes que o cobriam, é o local onde se verifica actualmente uma enorme reentrância. A colocação de pedras junto ao topo norte do paredão, no Inverno de 2002, permitiu salvaguardar este ano esta parte do cordão dunar, mas mais adiante, sem qualquer protecção, as ondas avançam impiedosamente. JUNTA PEDE AUXÍLIO
Manuel Gordão, presidente da Junta de Freguesia, já alertou no final da semana passada a Câmara Municipal para a necessidade de se proceder ao prolongamento do enroncamento das pedras a norte do paredão, "caso contrário, seremos obrigados a retirar o passadiço de madeira", avisou. Em contacto com a Direcção-Regional do Ambiente, foi-nos confirmado que está prevista a remoção a breve trecho do passadiço, dado que se teme pelo desmoronamento da estrutura de madeira. Quanto a medidas futuras mais "radicais", elas serão tomadas de acordo com o avanço do mar, embora não pudessem informar quais e quando. LIGEIRA MELHORIA
Entretanto, em frente do paredão da praia de Moledo, registou-se uma ligeira reposição de inertes na base do muro em pedra, existindo alguma expectativa (optimista) quanto ao desenvolvimento deste complexo processo de correntes marítimas, perante a aproximação do mês de Maio, no final do qual deverá ficar definida a topologia do areal para o próximo Verão. Desde há uns anos, a praia de Moledo, considerada uma das mais atraentes do Alto Minho, vem registando uma acentuada diminuição do seu areal junto ao paredão de acesso à sua zona mais "nobre". DESNÍVEL DE SETE METROS
O desnível de inertes atingiu nalguns pontos cerca de sete metros, representando muitas centenas de milhar de metros cúbicos levados pelo mar, eventualmente transportados para a foz do rio Minho, onde existe um extenso areal. Preocupados, autarcas e moradores receiam implicações ambientais e económicas negativas para a estância balnear, perante a eventual perda de turistas, a persistir esta tendência redutora da praia. RAZÕES
Apontam-se diversas razões para este fenómeno, que uns crêem tratar-se de um caso "cíclico" e que a seu tempo será reposta a situação anterior, outros inclinam-se para o recuo de costa devido à subida do nível do mar (efeito de estufa), enquanto há quem acuse a dragagem do canal transversal do ferry do rio Minho e a acção de contenção de águas neste rio, por efeito das barragens que impedem a limpeza natural do leito do rio no Inverno. "Tesouro" na praia de Moledo
São às centenas as moedas de escudos de diverso valor, na sua maioria cunhadas desde 1960 para cá, que estão a dar à praia de Moledo junto a um penedo que se encontrava soterrado na areia, a 200 metros do lado norte do paredão de Moledo, no enfiamento do qual, até há dois anos existia um bar que o mar entretanto destruiu. Desde então, os mais avisados, quais garimpeiros, não largam a rocha onde o mar bate permanentemente, esperando que as ondas, no seu constante vaivem, arrojem à praia este espólio inusitado. Moedas de centavos, um escudo, 2$50, 5$00, 100$00, 200$00, etc, rolam pelo fino areal, perante o olhar perscrutador e incrédulo de inúmeros coleccionadores improvisados, que rapidamente as recolhem.
"Há pessoas que chegam a levar garrafas de litro e meio cheias de moedas", referiu-nos o "Zé da Praia", que durante vinte anos foi nadador-salvador em Moledo, entretendo-se agora a "fazer o mesmo que os outros" - apanhar moedas. Juntamente com as moedas, surgem pulseiras, medalhas, brincos, pregos, amostras de pesca, etc. Os achados que o mar agora enjeita, poderão ter sido arrastados, devido à diminuição do areal registado em toda esta zona habitualmente mais utilizada pelos banhistas, levando a crer que o "tesouro" é proveniente do dinheiro e objectos pessoais perdidos na areia durante o verão, ao longo de décadas.
Como se encontravam enterrados na areia, ao verificar-se esta grande movimentação de inertes dos últimos anos, foram-se acumulando na parte exterior deste penedo por influência das correntes e, agora, perante o rebaixamento do nível da praia neste ponto, o mar começou a atirá-las para terra. "O mar não quer nada daquilo que não é dele!", recordou o "Zé da Praia", ao passo que ia recolhendo mais uma moeda desgastada pela acção do salitre ou mesmo cheia de verdete.
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