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Nº 156: 25 a 31 Out 03
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


IC1 VIANA-CAMINHA

VISITA AO LOCAL REFORÇA IDEIA DO PROLONGAMENTO ATÉ VALENÇA

Prof. Alexandre Leite

ARTES RUPESTRES JOGAM A FAVOR

Na Chã das Carvalheiras Figuras zoomórfica

Duas ideias prevaleceram no final de uma visita guiada ao Monte de Góis e a uma fraga com gravuras rupestres (Chã das Carvalheiras) que a Junta de Freguesia de Lanhelas pretende classificar: O IC1 deverá prolongar-se até Valença ou, em alternativa, criar uma saída com apenas duas faixas de rodagem sob os montes da Gávea e Góis.

A deslocação até ao monte pelo qual a Euroscut apontou o traçado e objecto de acérrima contestação das juntas de freguesia, populações locais e ambientalistas, serviu para que o Prof. Alexandre Leite, da Faculdade de Engenharia do Porto, autor do estudo do atravessamento dos montes por dois túneis, explanasse a sua teoria.

TÚNEL SEM INTERFERÊNCIA NOS AQUÍFEROS

Começou por referir a existência de imensos túneis em diversos países europeus, como a Itália e Suiça (onde se constrói presentemente um, que atravessará todo o território) ou mesmo na Madeira, pelo que estranhou que o secretário de Estado do Ambiente reputasse a ideia de "mirabolante".

Além das vantagens já descritas na própria contestação apresentada pelas autarquias e ecologistas no final do inquérito público a que o processo foi sujeito, Alexandre Leite, refutou que o túnel afectaria as linhas de água que correm entre fracturas de rochas que abastecem Lanhelas, atendendo a que ele passaria pelo lado contrário (a norte) onde elas se situam,

Isso poderá vir a acontecer, de facto, se o traçado (à superfície), a poente, avançado pela Euroscut for aprovado, lembrou o investigador do Departamento de Minas da Universidade do Porto.

TÚNEIS NÃO ORIGINARIAM POLUIÇÃO SONORA

Este professor não considerou sequer a hipótese de os túneis provocarem poluição sonora, como algumas pessoas poderiam recear, quer porque o seu atravessamento se faria a velocidades reduzidas, quer porque os ventiladores a instalar (embora duvidando da necessidade da sua utilização, devido à curta extensão dos túneis, podendo o arejamento fazer-se de uma forma natural) não serão ruidosos.

Acrescentou ainda que os impactes decorrentes da obra poderiam ser minimizados com os túneis, se criassem duas frentes de contra-ataque em cada lado das aberturas, o que diminuiria o tempo da concretização da ligação.

ECONOMIA

IC1 passará lá em baixo

Adiantou números, fazendo ver as vantagens económicas -sem contabilizar os valores paisagísticos e ambientais- da sua proposta, que encurtaria o traçado em menos de 1 km, evitaria um viaduto, afastaria os traçados das zonas populacionais de Argela, Vilar de Mouros e Lanhelas, aproveitaria a pedra retirada do monte (160 m mil m3) e diminuiria o preço das expropriações a pagar aos proprietários afectados, apontando para economias na ordem dos 3,2 milhões de contos -contrariando os números avançados pelo vereador José Bento Chão que temia agravamentos na casa dos 2 milhões-, e desafiando quem quer fosse a "provar-me que os túneis seriam insustentáveis economicamente", rematou.

"FICAREMOS COM UM MONO"

Arqº Correia Fernandes

"Ficaremos com este mono em Lanhelas/Gondarém, logo que o IC1 chegue a Valença", assim se expressou o arqº Correia Fernandes no decorrer desta visita proporcionada pelos ambientalistas da COREMA e juntas de freguesia de Lanhelas, Vilar de Mouros e Argela.

Este técnico considerou um "descontrole completo" a insistência nos traçados até ao norte de Lanhelas, onde apenas deveria construir-se uma pequena saída com duas faixas de rodagem, tal como defende o presidente da Junta de Freguesia de Gondarém, que se incorporou e apadrinhou esta acção no terreno, dado que a saída do IC1 está projectada entre a sua freguesia e Lanhelas.

"MINIMIZAR É PROLONGAR ATÉ VALENÇA"

Duque Rodrigues Presidente da Junta de Gondarém

Da mesma forma se pronunciou outro morador em Gouvim/Gondarém, o advogado Duque Rodrigues, embora referindo que minimizar verdadeiramente os efeitos do IC1 seria projectá-lo por detrás da Gávea até Candemil e prosseguindo até Valença.

GRAVURAS RUPESTRES PODERÃO ATRAPALHAR IC1

Luís Guerreiro disserta sobre Arte Rupestre Presidente da Junta de Lanhelas

A existência de gravuras rupestres em diversos pontos da geografia de Lanhelas e Vilar de Mouros, com motivos geográficos e zoomórficos, como sucede na Chã das Carvalheiras, sobre a qual se prevê passar o IC1, e já objecto de um pedido de classificação ao IPPAR, o que, a ser concedido, poderá impedir a consecução da estrada, já que se encontra na área de protecção de 500 metros do monumento, conforme foi realçado pelo historiador lanhelense Luís Guerreiro, levou os participantes nesta acção até junto da referida pedra.

O historiador Luís Guerreiro, da Corema, realçou a importância das gravuras rupestres nesta zona -ainda não estudadas convenientemente, desde que o historiador Abel Viana por ali passou e as registou-, afirmando ser "absurdo" que o Alto Minho perca este património, aproveitando para criticar o parecer da Câmara de Caminha enviado no final do inquérito público ao Ministério do Ambiente, ao menosprezar as "ditas pinturas rupestres" - assim as apelidando.

A Chã das Fogaças (existente numa antiga oficina de pirotecnia) já é considerada património nacional e igualmente se situa na zona de influência do IC1, levando Alexandre Leite a recordar aos presentes que, em Querenque, a fim de salvaguardas as pegadas de dinossauros, foram construídos propositadamente dois viadutos.

APELO DE ARQUEÓLOGO

Neste local, José Gualdino, presidente da Corema, leu um texto enviado pelo arqueólogo Eduardo Jorge, no qual apela a que "sejam feitos todos os esforços no sentido de se preservar um património insubstituível e de valor reconhecido, esperando que o bom senso de quem tem, neste caso, o poder de decisão, prevaleça".

Eduardo Jorge, "na qualidade de arqueólogo que, há vários anos, é responsável por um projecto de investigação na região minhota", expressou a "mais profunda preocupação quanto à eventualidade das gravuras rupestres de Lanhelas (Monte de Góis) virem a ser afectadas pelo traçado da referida rodovia".

Justifica a importância das gravuras pré-históricas pelo seu "valor patrimonial assinalável, tanto a nível nacional e internacional", dado que se situam numa "área geográfica mais vasta da arte rupestre de ar livre, com extensões para a Galiza, onde se poderão encontrar paralelos tipológicos, dado tratar-se da mesma região cultural", concluiu.


PRESIDENTE DA JUNTA DE LANHELAS
ENCONTROU-SE COM DEPUTADOS DO PSD

Rui Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de Lanhelas, encontrou sensibilidades diferentes no seio de deputados do PSD (incluindo os eleitos pelo distrito de Viana do Castelo) da Assembleia da República, com quem se encontrou esta semana, a fim de expor os seus pontos de vista e os das populações que representa, assim como das freguesias de Argela e Vilar de Mouros, no que às propostas de traçados do IC1 se refere.

Parte dos deputados mostrou-se atenta às preocupações apresentadas, enquanto que outros defenderam a necessidade de levar por diante a obra.

O prolongamento da via rápida até Valença e a construção de dois túneis vêm sendo reivindicando pelos contestatários, recebendo como resposta algumas objecções de carácter financeiro, expressas nesta reunião.

Alguns deputados duvidam que os números apontados pelo estudo realizado pelo Professor da Faculdade de Engenharia e Minas da Universidade do Porto, Alexandre Leite, no qual se baseou a contestação em sede de consulta pública, das juntas e ambientalistas, correspondam à realidade, podendo inflacionar os preços da obra.

Nessa avaliação técnica, o investigador afirma que os benefícios da construção de duas faixas de rodagem com recurso aos túneis compensam os custos da obra à superfície.

Suportado neste parecer, Rui Fernandes sugeriu aos deputados que solicitem à empresa concessionária a realização de estudos pertinentes, de modo a clarificar este ponto, embora os custos ambientais e paisagísticos não sejam igualmente de desprezar.

O autarca aproveitou ainda para contactar os deputados eleitos pelo PS pelo distrito, que se têm mantido interessados neste controverso processo de construção da via rápida sem portagens, bem como o parlamentar comunista Honório Novo.

Junta de Freguesia de Lanhelas

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