ABRIGOS PERIGOSOS PARA PASSAGEIROS
A Junta de Freguesia de Lanhelas aguarda desde 2002 que a Câmara Municipal de Caminha responda aos ofícios e sugestões avançadas para resolver o problema dos abrigos de passageiros junto à EN13.
Um deles, junto à antiga Estação da CP, está em completa ruína e um segundo, em frente à Fiat, ameaça seguir as mesmas pisadas, além de encontrar-se muito junto à faixa de rodagem, podendo constituir um perigo se algum miúdo entrar ou cair nela, empurrado por brincadeira por colegas.
No decorrer da última reunião da Assembleia de Freguesia, um pai insurgiu-se contra esta situação e ameaçou pedir responsabilidades se algo suceder, nomeadamente, às crianças em idade escolar.
CÂMARA ACONSELHA CALMA À JUNTA

Da parte da Câmara Municipal, Júlia Paula referiu que se os abrigos estão em mau estado, era porque já se encontravam assim "há muito tempo", não confirmando se foi dada resposta ou não à Junta de Lanhelas.
Antes lamentou a polémica que a autarquia lanhelense vem mantendo com a câmara, preferindo escrever e indo para os jornais, ao invés de abordar pessoalmente a vereação, ou aproveitando as reuniões prévias às assembleias municipais e expondo os problemas, considerando não ser esta a forma "institucional" de os resolver.
Precisou que compete à junta incluir estes casos no seu plano de actividades, o que não o fez, pelo que deverá agora aguardar oportunidade e disponibilidade de verbas para tal fim.
Aproveitou para criticar também a junta pelo facto de não dar relevo aos apoios financeiros que a Câmara vem concedendo às diversas obras na freguesia lanhelense, muitas vezes, para além do que se encontrava protocolado.
GEMINAÇÃO LUSO-GALAICA É PONTO DE HONRA PARA A CASA DA ANTA
Sem esmorecer, a Casa da Anta mantém a sua vocação transfronteiriça -numa época em que já não é muito apropriado falar de fronteiras- e, anualmente, pelo mês de Setembro, junta numa Ceia Luso-Galaica diversas sensibilidades do país vizinho e do norte de Portugal, na qual a cultura e a gastronomia se revelam como o elo de união que deve presidir a qualquer geminação digna desse nome.
O representante da Xunta da Galiza, Manolo Santo Andrade, destacou o carácter "original" desta ceia realizada no passado dia 20 e dedicada nesta edição ao concelho de Lugo, e o quanto ela vem contribuindo para potenciar estas "xuntanzas" entre dois povos "muito iguais", mas ainda necessitando de mais "contactos culturais".
A CULTURA EM PRIMEIRO
Homens e mulheres da cultura dos concelhos de Lugo e de Caminha, seus representantes em nome individual ou integrados em associações, exibiram a sua arte, expressa, por exemplo, no folclore que os representa (como foi o caso da extraordinária actuação do Etnográfico de Vila Praia de Âncora), ou, aproveitando o alpendre da vetusta Casa da Anta, como o fez a lucense Noemi Mazoy, interpretando uma série de canções galegas adequadas ao ambiente por ela própria criada.
A pintura esteve presente pela inspiração do galego Carreira e do lanhelense Jony, sem esquecer as miniaturas em granito do caminhense João Afonso.
A música executada pelo Grupo de Metais da Banda Musical Lanhelense comprovou a qualidade do trabalho em profundidade que se vem desenvolvendo nesta filarmónica, concedendo um toque de arte local àquela noite típica integrada nos Serões do Minho que a Casa da Anta programou para este Verão e que hoje (Sábado) encerra com a Festa da Vindima, animada pelo Rancho Folclórico de Seixas.
Ao conceder à cidade de Lugo e ao seu concelho -onde nasce o rio Minho- a primazia de representar a Galiza nesta XI Edição, coube ao poeta e historiador Henrique Alvarellos ser o "pregoeiro" da festa.
ROMANOS ACEITARAM O PAI MINHO
Historiou a riquíssima história dessa cidade do interior da Galiza, em que a cultura romana se impôs como um marco indelével na organização social e religiosa local, evidenciado pela descoberta de mosaicos comprovando a adoração pelo Deus Minho e a importância que este rio sempre constituiu na memória dos povos.
Henrique Alvarellos dedicou grande parte do seu discurso de anúncio de abertura da festa -daí a designação de pregoeiro- ao rio Minho, pedindo insistentemente aos políticos -muitos dos quais sem apetências culturais de qualquer espécie, como salientou- que "actuem" na defesa deste rio e "deixem de deitar nele toda a merda que podem!".
Este lucense frisou que se "impõe" que se "ponha a andar a cultura" e, no caso de as autoridades não a implementarem entre os dois povos, cabe aos privados -"como é o caso desta Casa da Anta"- substituírem-nas.
Quanto ao ambiente vivido nesta festa, não diferiu muito do que já vem sendo prática habitual da parte de quem nela aposta decididamente, de forma a criar um clima de convivência e de troca de experiências entre os diversos agentes culturais.
CONVÍVIO
Assim, podiam ver-se mesas compostas por pintores, poetas ou jornalistas de ambos os lados do Minho em animadas tertúlias, a par dos diferentes convidados que completavam as mesas desta unidade hoteleira.
No final, Germano Ramalhosa, patrono e impulsionador destas ceias luso-galaicas, subiu ao palco e agradeceu a presença de todos, entregando diversas lembranças a algumas figuras de destaque e presentes no decorrer do serão, sem esquecer de referir o carácter apolítico destas iniciativas, em que a cultura (incluindo a gastronómia) está na dianteira.
A ausência da presidente da Câmara de Caminha foi deveras notada, fazendo-se substituir pelo agora vice-presidente José Bento Chão.
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