AS ÁGUAS DOS NOSSOS RIOS
CÂMARA SATISFEITA COM RESULTADOS DO COURA
RIO ÂNCORA CONTINUA A MANIFESTAR PROBLEMAS
Uma semana depois de a presidente Júlia Paula ter prometido em reunião de câmara (19/9/03) que nesse mesmo dia entregaria aos vereadores da oposição resultados de análises comprovando a qualidade da água do rio Coura, na praia fluvial, chegou ontem (Sexta-feira) o relatório divulgado por um laboratório a quem o município encomendara a recolha de amostras efectuadas a 16/9/03.
Assim, apesar de a Câmara se congratular pela sua qualidade, pelo facto de "respeitar os parâmetros estabelecidos pela lei como aceitáveis", equivalendo a dizer que os valores máximos admissíveis não foram ultrapassados, o que é facto é que os dados relativos aos coliformes totais (700), coliformes fecais (290) e estreptococos fecais (150) superam os valores máximos recomendáveis, respectivamente, 500-100-100.
Se "não há qualquer motivo para alarme", como afirma a Câmara, o aspecto apresentado pelas águas do Coura a partir de inícios de Setembro e estes dados agora divulgados pela própria autarquia, não nos concedem uma grande garantia de saúde pública das águas, embora os valores máximos admissíveis nos permitam manter relativa tranquilidade.
Entretanto, não são disponibilizados dados referentes a datas próximas ao dia 15 de Julho, quando foi detectada a fortíssima poluição em Paredes de Coura.
RIO ÂNCORA COM MÁ QUALIDADE

Por outro lado, o Rio Âncora continua a ser outra dor de cabeça para os autarcas.
Os resultados das colheitas feitas na foz do Rio Âncora a 25 de Agosto e 1 de Setembro, pela Delegação de Saúde de Caminha, indicam que a qualidade é má, ultrapassando os designados valores máximos admissíveis.
Júlia Paula, presidente do município caminhense, referiu a propósito ao C@2000, que se trata de "problemas antigos", agravados pelo assoreamento da barra do rio neste Verão -não pondo de parte a influência das obras do Portinho- e que impediu a circulação das águas.
"Temos feito um grande esforço para minimizar as deficiências existentes na rede de esgotos", afirmou a autarca, dando como exemplos a instalação de um gerador na estação elevatória da Av. Ramos Pereira, em Vila Praia de Âncora, de modo a suprir as falhas de energia ou a entrada em funcionamento do sistema de saneamento em Âncora.
Comentando as acusações contínuas de mau funcionamento da Etar da Gelfa, em Âncora, como causa das contaminações das águas, Júlia Paula recusa aceitar que haja ancorenses interessados em enxovalhar o nome da sua terra, insistindo nesta tese.
"Eu tenho de acreditar no que me dizem os responsáveis técnicos pela estação", afirmou, e que garantem não encontrar qualquer vestígio de poluição nos efluentes da Etar despejados no Rio Âncora, a pouco mais de meio quilómetro da foz, recordou a presidente.
RESCALDO DA ALTERAÇÃO DE CORRENTES LITORAIS
INTRODUÇÃO
Em Agosto de 1990, devido às obras que se tinham realizado na duna primária, próximo da praia da Ínsua, em Afife, (CULMAR - Culturas Marinhas -Projecto de Aquacultura), foi apresentado um trabalho ao I.C.N, chamando a atenção, para os empedimentos legais impostos a obras que se realizavam na R.E.N. Além disso, chamou-se a atenção para as rápidas e profundas transformações a que estas áreas dunares estão sujeitas, devido à má gestão destes espaços.
É sabido que qualquer intervenção humana pode fragilizar o ecossistema, onde se dá inicio a erosões eólicas ou marinhas. Foram impostas restrições ao circuito de alimentação, com água salgada, dos tanques onde se desenvolvem as espécies piscícolas. A duna, logo de seguida recuperou.
Posteriormente o caudal de águas residuais dos tanques tornou-se mais volumoso. Deu-se um agravamento de toda a área colocando a descoberto o enroncamento executado em 1990.
DESCRIÇÃO

Durante alguns anos o cordão dunar foi recuperando, chegando à situação de equilíbrio.
Dez anos se passaram. Entretanto, para proteger o colector de adução da água do mar que abastece os referidos tanques, há uma meia dúzia de anos, colocaram um maciço de pedras perpendicular à praia, que embora de pequena altura, pode ter agravado a situação, ao originar alterações na orientação do "jacto de rebentação", e na corrente longitudinal à corda dunar.
A situação começa a agravar-se novamente.
O cordão iniciou o seu emagrecimento muito lento. Este ano, depois de terem iniciado as obras de construção do porto de pesca em Vila Praia de Âncora, casualmente ou não, os efeitos hidrodinâmicos agravaram-se, fazendo desaparecer parte deste cordão dunar.
Agora, digam o que disserem, foi criada uma área extremamente frágil, onde o mar avançou arrastando milhares de metros cúbicos de areia, colocando em perigo a referida duna bem como o equilíbrio do próprio ecossistema.
CONSEQUÊNCIAS

Embora se saiba que estamos num período geológico de transgressão marinha, estes fenómenos naturais podem ser ou retardados ou acelerados pela intervenção humana. Infelizmente, verifica-se que o segundo caso é o mais frequente nesta zona e as suas consequências estão a tornar-se dramáticas.
A recuperação da duna pode, num curto espaço de tempo, tornar-se irreversível, porque os responsáveis, quer locais quer nacionais, nunca quiseram ouvir os técnicos que se têm vindo a debruçar sobre a evolução da corda litoral Norte, demarcando-se do "sistema".
As consequências estão à vista. Conforme referiam há mais de dez anos, o efeito imediato iria ser " a alteração da geomorfologia das zonas costeiras, com diminuição da praia e o avanço da "cunha salgada" de água subterrânea, sobre os terrenos agrícolas.
Embora o sistema dunar funcione, em primeira análise, como barreira de protecção à invasão marinha, com a destruição das dunas, vai originar um avanço rápido do mar sobre os terrenos agrícolas e a destruição da praia da Ínsua, com todos os prejuízos daí inerentes, sendo um deles o avanço da "cunha salgada", com implicações directas na alteração da composição dos solos, factor importante, a ter em conta, nas áreas agrícolas adjacentes.
Deve-se providenciar para encontrar a solução mais correcta, de forma a evitar o colapso dunar. Há todo o interesse em se fazer o mais urgentemente possível uma análise da situação pelos Serviços responsáveis por esta área, pois estas dunas são refúgio de espécies da fauna e flora litorais, retêm o avanço das areias sobre os campos de cultivo, evitam o avanço das águas do mar, e influenciam a manutenção do nível freático de água doce.
MEDIDAS CAUTELARES

Estamos perante uma importante zona de turismo de praia que num curto espaço de tempo pode ser destruído. Além disso, com a alteração da composição do solo, a R.A.N. irá ser posta em causa por um projecto agrícola que decorre na "Veiga de Afife-Carreço ". Se não houver uma atitude imediata, além do início da destruição de um importante área turística, iremos ver desaparecer um ecossistema de uma zona que integra um Biótopo de Interesse Europeu. A perpetuação destas actividades só será possível se garantirmos a manutenção da qualidade ecológica.
5 - Conclusão
Se não tomarem providências urgentes, a acção erosiva originada pela sobreocupação desta área, bem como a manutenção de explorações erradas, irão acelerar todo um processo de avanço do mar .
Deve-se encontrar a solução mais correcta de defesa desta corda dunar. Devem ser consultados técnicos de diversas áreas, de forma a encontrar-se uma solução urgentemente, para minimizar os efeitos erosivos sobre a corda dunar, de forma a manter estes refúgios de espécies da fauna e flora litorais. Além disso é necessário reter o avanço das areias sobre os campos de cultivo e evitar ao mesmo tempo o avanço das águas do mar, sobre os terrenos agrícolas.
Passaram mais de dez anos da primeira chamada de atenção sobre os inconvenientes que este empreendimento estava a trazer à corda dunar da praia da Ínsua, em Afife. Agora, lamenta-se que os responsáveis ainda não tenham conseguido ver o que se está a passar. No entanto, embora o litoral português esteja a "saque", só será possível travar este avanço do mar, se respeitarmos a natureza.
Joaquim Vasconcelos 23/09/2003
IC1 VICTORINO D'ALMEIDA APOSTA NUM TÚNEL EM LANHELAS

Pedem-me que assine um papel de apoio à construção de um túnel na auto-estrada que, possivelmente, irá passar por Lanhelas e é evidente que dou o meu apoio ao projecto, na medida em que a ideia me parece ser correcta -e realizável.
Não desejaria porém que esse papel fosse igual a muitas dezenas (ou mesmo centenas...) de outros documentos semelhantes que se assinaram, sobretudo a seguir ao 25 de Abril, e que, na sua imensa maioria, não serviram absolutamente para nada.
Em muitíssimos casos, esses papéis não serviam para nada -ou serviam para muito pouco -uma vez que as assinaturas se apoiavam em textos manifestamente insuficientes para convencer os próprios apoiantes.
Ora, não creio em que o texto que serve de base ao presente abaixo- assinado seja suficientemente claro e eficaz para impressionar os poderes estatais que terão necessariamente de tomar as decisões finais.
E assim, considero necessário reforçar a minha opinião sobre o assunto. pondo-me também à disposição para defender, obviamente dentro dos meus limitados meios, mas com argumentos concretos, a ideia desse túnel.
Em primeiro lugar, sou dos que consideram que a construção da auto-estrada é absolutamente indispensável para o progresso da região, a qual nunca poderá desenvolver-se, seja a nível turístico. económico, cultural ou qualquer outro, sem uma via de comunicação própria do tempo em que vivemos.
Por outro lado. é evidente que uma auto-estrada terá sempre que passar por algum lado e haverá inevitavelmente uns tantos terrenos que serão sacrificados ao bem comum.
Há, isso sim. que procurar soluções de bom senso e bom gosto que não venham pôr em causa determinados valores realmente fundamentais, que evitem o mais possível opções que provoquem celeuma ou justas preocupações- e também que sejam convincentes!
Um túnel no monte de Lanhelas não é uma obra gigantesca, mas todos sabemos que envolve custos que terão, naturalmente, de ser contabilizados.
Contudo, penso que há argumentos muito relevantes a favor desse projecto que, se bem entendo, não estão claramente definidos no documento que me é dado subscrever, razão pela qual faço questão de reforçar a minha assinatura com alguns esclarecimentos.
Com efeito, para além de poupar alguns quilómetros de auto-estrada., o que é sempre importante em termos financeiros, o túnel permitirá a extracção de toneladas de pedra que podem e devem ser rendibilizadas de modo a compensarem significativamente as despesas que a obra. envolve.
Ora, sendo assim, parece-me que se justificará o investimento numa obra que, embora onerosa, impedirá imediatamente diversos problemas de poluição sonora e ambiental para a localidade, além de também evitar alguns danos estéticos que a visão virtual e aérea da zona tomam naturalmente mais sensíveis. mas que nunca deixarão totalmente de se verificar numa auto-estrada construída no exterior do monte.
Não sou especialista na matéria e estou muito longe de saber, por exemplo, que tipo de problemas poderão ser 1evantados pela estrutura geológica da rocha a perfurar, mas creio em que o projecto do túnel de Lanhelas merece ser estudado e defendido.
É nessa convicção que assino o documento.
|