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Nº 125: 22 a 28 Mar 03
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


ALMOÇO DOS REIS
A CONFRATERNIZAÇÃO ANUAL
DOS VILARMOURENSES

Impossível de situar no tempo a data exacta em que os vilarmourenses iniciaram um peculiar convívio gastronómico, como resultado dos donativos conseguidos no decorrer dos Cantares dos Reis, realizados no início de cada ano (daí a razão do nome), o que é certo é que esta tradição chegou incólume e enriquecida até aos nossos dias, fruto da natural evolução da sociedade.

No princípio, o grupo de cantadores, composto maioritariamente por gente mais entrada na idade -ao contrário do que sucede actualmente, em que os jovens asseguram a perenidade desta memória colectiva-, calcorreavam a artérias da aldeia, cantando à porta de cada casa, sendo recebidos com palavras de amizade e, por vezes, com a oferta de alguns géneros, uma vez que naquelas épocas o dinheiro não abundava.

ANIMADOS SERÕES

Como resultado destas rusgas nocturnas, -quantas vezes transformadas em animados serões, logo que escancarados os portões das pequenas quintas pertencentes a famílias com mais posses ou, as portas do casebre mais humilde-, algum tempo depois, reuniam-se os componentes desses grupos num convívio gastronómico, baseado nos víveres arrecadados, mas exclusivamente reservado a homens.

"Geralmente, as omeletas com chouriço eram o prato forte da festança, dado serem os ovos e os enchidos as dádivas mais frequentes", recordava Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, no decorrer do convívio deste ano.

Mais tarde, este repasto a que se passou a atribuir a designação de Almoço dos Reis, incluiu no seu menu o arroz de cabidela, atendendo a que os frangos passaram a constituir oferta predominante.

Cada conviva levava os seus talheres, vinho e sobremesa para a velha sede do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, situada no Lugar da Batalha, e ali confeccionavam o almoço em saudável ambiente de camaradagem.

Com a passagem dos anos, o número de participantes aumentou, sendo convidados os próprios doadores, levando a uma alteração na "carta" do repasto, passando a ser servido o arroz de sarrabulho e febras e que se manteve até aos dias de hoje.

MULHERES ADQUIREM DIREITO PRÓPRIO

Em 1984, a Direcção do CIRV, presidida na altura por Armando Ranhada, escolheu o palco do Largo do Casal inaugurado dois anos antes no decorrer do Festival de Vilar de Mouros, para aí realizar o Almoço dos Reis, em que pela primeira vez as mulheres tiveram assento.

Após a construção da actual sede da colectividade, os almoços passaram a ter lugar no salão polivalente, juntando todos os anos algumas centenas de naturais desta freguesia, como aconteceu este ano.

Alexandrina Fife, com 90 anos, mãe de oito filhos, residente no Lugar da Batalha, não perde um único convívio desde que as mulheres passaram a poder participar: "Como e bebo de tudo!", afirmou-nos com o orgulho de ser vilarmouense.

Um outro participante deste ano, veio propositadamente desde Vila Franca de Xira, onde reside, a fim de comungar desta autêntica festa, "porque sou de cá e quando jovem, participei inúmeras vezes nos Cantares das Janeiras, em que só havia homens a cantar", contou ao C@2000.

Jorge Rocha, António Fiúza, Alberto Porto e Jorge Barros

Na cozinha da antiga estufa, três cozinheiros auxiliados por duas ajudantes, esmeravam-se na confecção do arroz e das febras.

CARNE COM FARTURA

Utilizando três panelões para os 26 kg de arroz e os 100 de carne de miudezas, mais dois de menor dimensão destinados aos 220 kg de febras, António Fiúza, Jorge Rocha e Alberto Porto deram boa conta do recado, a avaliar pelos elogios ouvidos no final da refeição.

António Fiúza, que já vem exercendo de chefe de cozinha nos últimos 17 anos (tendo colaborado como ajudante quando o almoço era somente destinado a homens, na antiga sede do Centro), contou-nos que tinham começado dois dias antes a reunir todos condimentos, isto na sexta-feira com a preparação das carnes ("cerca de quatro horas"), seguindo-se no sábado os "temperos" e, logo pelas oito da manhã do dia seguinte, começava a cozedura que se prolongou até cerca da uma da tarde.

PALMAS

Um grupo de jovens dos dois sexos -intervenientes muitos deles nas noitadas dos Reis-, serviu o arroz e as febras pelas longas mesas dispostas pelo pavilhão, não sem que antes já tivessem provado o saboroso pitéu.

A sua chegada às mesas com as terrinas contendo o arroz de sarrabulho, foi saudada com sonoras palmas, como reconhecimento pelo labor voluntário desempenhado não só por eles, como pelos que se encontravam na cozinha, mas também porque o estômago já "começava a dar horas"...

350 CONVIVAS

No final deste almoço que reuniu cerca de 350 pessoas, custeado quase integralmente pelas receitas provenientes das "Reisadas" deste ano, Jorge Barros, presidente do CIRV, saudou todos os jovens que tornaram possível a edição de 2003 e, aproveitando a presença do vereador Humberto Domingues, responsável pela área cultural, solicitou apoio para a prática

desportiva. Recorde-se que a conclusão da obra do poli-desportivo descoberto é uma das situações a requerer particular atenção.

IC1 - LANÇADO APELO

Da parte de Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia, sem esquecer o contributo da juventude no êxito desta edição dos Cantares das Janeiras e respectivo Almoço, não desperdiçou a oportunidade para recordar a principal dor de cabeça dos habitantes da sua aldeia e que se prende com as alternativas aos traçados do IC1, tendo lido um apelo da

Junta e Comissão de Moradores à presidente da Câmara (publicado na edição anterior do C@2000 e que cujo texto correu na ocasião pelas mesas do almoço), após o que solicitou ao seu representante neste encontro vilarmourense, que se fizesse eco das suas preocupações relativamente a este tema.

"HÁ QUE REIVINDICAR AS EXPLICAÇÕES IMPRESCINDÍVEIS"

O vereador prometeu exprimir à presidente da Câmara as preocupações dos vilarmourenses ("serei portador desta mensagem", salientou), uma vez que o Executivo se "encontra empenhado em defender os vossos interesses".

O autarca reconheceu que poderão existir "situações técnicas que nos poderão obrigar a ceder mas, terão de prová-lo em cima da mesa", acrescentou.

Quanto ao Almoço, motivo da sua presença em Vilar de Mouros, após assinalar que Víctor Barrocas e Manuel Renda (recentemente falecido) o tinham introduzido "nestes convívios", saudou os jovens que o tornaram possível este ano, bem como os cozinheiros do repasto, destacando serem estas manifestações as que simbolizam a "verdadeira cultura", prometendo colaborar, de acordo com a linha de conduta estabelecida pelo Executivo, fazendo votos para que mais actividades culturais se desenvolvam neste salão, despedindo-se com um "até breve".

No final, o Grupo das Reisadas subiu ao palco, completando este programa que se repete ano após ano, com redobrada participação dos naturais da freguesia.

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