Em jeito de esclarecimento, vai dizendo que a "lampreia francesa é mais pequena, ao invés da nossa que pode atingir os dois quilos"
Tal como o seu camarada de Caminha, "ao que tenho observado, este ano vai correr bem", admitindo que as primeiras espécies a serem vendidas, possam atingir os 30 euros, estabilizando depois entre os 15 e os 20.
No entanto, este ano, os compradores parecem querer estabelecer preços por quilo, conforme o tamanho e o peso das lampreias.
Quanto aos efeitos do Prestige, não deixa de reconhecer a existência de algum "medo", mas, no decorrer da safra da lampreia (termina em finais de Abril) nada deverá acontecer.
Joaquim Celestino Ribeiro, de Vila Praia de Âncora, representou a CDU do Concelho de Caminha na audição "Segurança Marítima - Maré Negra Nunca Mais" realizada no âmbito do Parlamento Europeu, no passado dia 15.
Antes de proferir a sua intervenção no seio da Comissão de Segurança do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Celestino Ribeiro contactou com as associações ambientalistas de Caminha (Nuceartes e Corema) bem como com um representante dos trabalhadores, a fim de melhor interpretar o sentir das forças vivas concelhias nesta acção promovida pelo Grupo da Esquerda Unitária Europeia e dos Verde Nórdicos.
Foi este o teor do discurso de Celetino Ribeiro:
Em nome do Partido Comunista Português expresso, mais que solidariedade, a partilha da dor para com o povo espanhol, em particular o galego, bem como para com o povo francês. É a Europa que se reveste de luto e é nela que se reflecte a inoperância dos governos dos estados membros, fielmente convergentes, dignamente cooperantes, justamente esperançados numa Europa una, forte e solidária. É em momentos de fraqueza dos estados que a União Europeia é olhada com ânsia de respostas imediatas, firmes e que respeitem os cidadãos tão Europeus quanto a própria União.
A catástrofe Prestige mostrou o longo caminho que resta ainda percorrer. Entre indiferenças invulgares surgiram as escusas de responsabilidade, estalou o verniz diplomático e a Europa pareceu tão distante. A Comissão Europeia, no rescaldo da tragédia, anunciou ter já tomado todas as medidas para acelerar a constituição de uma Agência Europeia de Segurança Marítima e divulgou uma lista de 66 navios que, caso estivessem a ser cumpridas as regras decididas durante a Cimeira de Nice em Dezembro de 2000, não estariam neste momento a navegar. É neste contexto que se discute hoje a segurança marítima e se dá corpo à expressão Nunca Mais. É no despejo desassossegado do obscurantismo subtil que sentimos a fugacidade do bem estar, a perturbação iminente da orla costeira, a destruição massiva do legado laborioso da natureza e do homem que, num ápice, se cobre de negro, escuro como breu, que ninguém quer, inclusive o seu hipotético proprietário.
Tão perto da tragédia, como actores que esperam a deixa para entrar em cena, sabemos o que não queremos e lembramos aquilo que pode ainda ser feito. A esta comissão deixamos como prioridade absoluta a revisão da Proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de Março de 2000 relativo à introdução acelerada dos requisitos de construção em casco duplo. Nesta, o horizonte 2015 deve passar para 2010 e devem ser incluídos os petroleiros de casco simples abaixo do porte MARPOL. No entanto, devem ainda acrescentar-se as seguintes obrigações:
Navios sem duplo fundo devem ser proibidos de imediato. Estes são uma minoria e, portanto, pode aplicar-se esta medida de forma célere;
Navios com duplo fundo e sem duplo costado devem ver limitado o seu período de actividade e proibir aqueles que navegam sem as inspecções e correcções regulamentares ordenadas por uma sociedade idónea. Estes navios não devem, contudo, carregar os tanques laterais.
Para uma segurança marítima eficaz, ainda no que respeita às embarcações, torna-se necessário:
A inspecção periódica e correcções regulamentares dos navios de duplo casco;
O controlo eficaz da limpeza dos tanques de forma a que esses resíduos não sejam lançados no oceano;
O combate às bandeiras de conveniência.
Na constatação da realidade assistimos à redução da tripulação dos navios e, consequentemente, à flexibilidade do trabalho, provocando o desgaste e a superação das capacidades humanas. Assim, propomos a formação específica da tripulação, devidamente certificada, comprovável por documento exigível sempre que atravessem águas europeias.
Os actuais corredores de navegação devem ser abandonados e ser deslocados para as 40 milhas, à excepção das zonas em que tal é impossível, podendo esta distância aumentar para navios que transportem cargas de maior perigosidade. Esta medida completa-se com o efectivo controlo do tráfego marítimo recorrendo a tecnologias modernas, menos dispendiosas na operação e mais eficazes na acção.
Cabe ainda questionar os custos de recuperação dos mares e costas afectadas pelas catástrofes e compará-los com o apoio à reconversão das frotas europeias, registadas na União. Porquê subsidiar as vítimas humanas das marés negras quando se podem evitar. Por outro lado, os mares não podem ser os eternos depuradores dos desperdícios e descuidos humanos.
A União Europeia deve assumir-se e dotar a Agência Europeia de Segurança Marítima de delegações por estado membro, de recursos humanos e materiais adequados à prevenção e combate de agressões ambientais e ainda de meios financeiros próprios que permitam, por exemplo, um maior investimento na investigação no combate à poluição. É vergonhosa a dependência existente neste combate, originando um mercantilismo que ofende a dignidade daqueles que dependem do mar.
Um plano de emergência pensado à escala europeia, prevendo a cencentração de esforços entre países, devidamente coordenado pela Agência Europeia, contando com a cooperação dos estados, é uma necessidade urgente.
O alargamento da rede Natura 2000 é outra medida desejada, embora a lição do Prestige que afectou sobretudo a rede Natura 2000 Galega, mostrou a pouca sensibilidade dos europeus por uma zona que eles próprios classificaram.
Por fim, medidas avulso poderão fazer baixar a probabilidade de ocorrência de catástrofes como a do Prestige, mas não irão anulá-la. É necessário pensar em políticas transversais, onde se cruzem os transportes com a energia, o ambiente, a pesca, o ensino e a defesa. Assim poderemos finalmente dizer NUNCA MAIS!