CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 251: 20/26 Ago 05 (Semanal - Sábados)

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Romaria de Nossa Senhora da Agonia
Viana do Castelo - 19 a 21 de Agosto de 2005

Na idílica paisagem da Foz do Lima, a cidade de Viana do Castelo vive durante três dias a Festa mais colorida de Portugal. Romeiros, turistas e forasteiros aos milhares (prevê-se meio milhão de pessoas) convergem para o santuário de Nossa Senhora d’Agonia em cumprimento de promessas e em devoção à Virgem, que os pescadores recebem sobre tapetes de flores nas suas ruas da Ribeira, em festiva procissão ao rio e ao mar.

Mas a Romaria d’Agonia é, também, a alegria das alvoradas, as Feiras Francas, para quem gosta de "feiras", as revistas de gigantones e cabeçudos, gaiteiros e grupos de bombos no centro cívico vianês, ali, na vetusta Praça da República (dias 19, 20 e 21, às 12,00 horas).

É o Cortejo da Mordomia (dia 19 às 10,00 horas), as Rainhas da Romaria que vão cumprir o dever de apresentar cumprimentos ao Governo Civil, à Edilidade e ao nosso Bispo.

É a Procissão Solene da Senhora d’Agonia organizada pela Real Irmandade. (dia 19, pelas 17,00 horas).

No dia 20 (o dia que marca a partir de 1783 a devoção á Senhora da Agonia e que a Sagrada Congregação dos Ritos concede faculdade e licença para todos os anos celebrar no dia 20 de Agosto uma Missa Solene e que por vontade da Edilidade e das gentes de Viana dies festus aceitaram desde essa data como Feriado Municipal), é a tradicional Procissão dos Pescadores com os andores de Nossa Senhora d’Agonia e Nossa Senhora dos Mares em direcção ao cais dos Pilotos, onde depois da alocução será dada a Benção ao Mar e ao Rio. O retorno será feito pelas ruas da Ribeira, primorosamente atapetadas e decoradas pelos seus moradores que, com bairrismo que os caracteriza mostram a sua devoção à Padroeira dos Pescadores.

Às 16,30 horas – o Cortejo (A História do Bordado de Viana) com as bençãos de Santa Clara de Assis, padroeira dos Bordadores e das Bordadeiras – o Bordado de Viana - na sua longa "estória" que a Mulher de Viana, desde menina e moça, casadoira ou já mãe de filhos soube cuidar em honestos linhos caseiros, com um elevado sentido artístico que a Mãe Natureza inspirou: no traje, nos lenços de amor, atoalhados, panos decorativos, no bragal, gastronomia, festa, arte floral, na cultura Vianense (1ª Exposição de Bordados / 1917), nas peças de oirar, na "chieira", num vira geral.

Às 22,00 horas – Festa do Traje - a glorificação do fato à "vianesa". A consagração da rapariga de "Viana" que soube dar colorido, mimo, riqueza, alegria e dó ao seu trajar, vestindo os fatos que em sua terra usa, de cotio, na veiga e no campo, no rio, no monte e no mar, para ir ao arraial, à missa do Senhor, ao terço, em tardes de namorar, para carpir os lutos e a saudade dos que partiram para não voltar!...

Dia 21, o grande encontro das Concertinas e Cantares ao Desafio (às 15,30 horas), logo seguido da Tourada (18,00 horas).

E são os fogos: Preso, logo no primeiro dia da afamada técnica dos fogueteiros do Alto Minho; do Meio ou da Santa na noite de Sábado, em pleno arraial do campo da Senhora d’Agonia com as lágrimas, as silvas e as girândolas.

E é a Serenata... (no último dia, 21, pelas 22,00 horas) iniciada com o Festival do Jardim e depois no Rio Lima com o espectáculo e o "ballet" aquático na magia do som, de cor e de luz, no rio prateado em fantasmagórico cachão de luz, que a cachoeira da velha Ponte Eiffel nos traz e leva como sonho e fantasia, como apoteose da Romaria da Senhora d’Agonia – a Rainha das Romarias de Portugal.

E é o "cartaz" e a "voz" da Romaria.

A Romaria de Nossa Senhora d’Agonia é já o grande cartaz que encerra em si toda a importância de um passado que queremos presente não como uma imitação postiça do antigo mas com a consciência de que somos diferentes, sem remorsos ou pieguices.

Por isso, o cuidado que Mordomas e Festeiros devem ter ao prestar este serviço à comunidade. Os turistas, os forasteiros, vêm a Viana porque sabem que aqui, na Romaria, vão ter um encontro fiel e rigoroso com um calendário e um tempo que as Mordomias consagraram. Inovar sim, mas com um fundamento na tradição, seja nas procissões da Cidade e do Mar, no Cortejo Etnográfico, no Desfile da Mordomia, na Festa do Traje, nos Zés P’reiras, Gigantones e Cabeçudos, nos fogos, no cartaz! Então, a colectividade sente-se, mais forasteira, mais turista, mais romeira, mais Vianense. E cada ano virá mais público, mais gente.

É isto a "Romaria", a "Festa". Uma ruptura com o presente em que a "menina da cidade" vira lavradeira e põe brincos "à rainha"; em que todos nós queremos ser "meia senhora" num regresso à infância, a esse universo mágico da natureza-mãe, à nostalgia dos "paraísos perdidos", no retorno às origens.

Cortejo "A História do Bordado de Viana" – A Festa do Traje

Os Bordados de Viana (panos de mesa, toalhas, vestidos, camisas, sacos de trabalho, caixas de amêndoas, capas para álbuns etc), nascem do "traje" e não o contrário, como por vezes se pensa.

São, sem dúvida, a fonte inesgotável de motivos originais e a executar nos pontos mais variados. Umas peças são bordadas a lã; outras a algodão. No primeiro grupo temos as saias, os aventais, as algibeiras e os coletes, cujos bordados são enriquecidos com o emprego de "ruches", missangas, vidrilho e lantejoulas sendo todos contornados por um "fio de brilho", ou seja, um fio grosso de algodão branco, em volta da qual se enrola em espiral, uma delgada lâmina metálica.

No segundo grupo temos a camisa, o lenço de amor, o lenço de balbinete, as chinelas.

A cada um destes trajos estão cometidas diversas funções e que passo a referir:

Traje de Mordoma Preto – vestido de pano

Destina-se às grandes cerimónias – Cortejos das Mordomias – cumprimento às Autoridades, tendo como emblema representativo as palmas ou palmitos;

Nos actos religiosos, com vela votiva, missa solene/procissão pois no caso de se apagarem as velas será na voz do povo sinal de falta de pureza da Mordoma;

Traje de Mordoma – Vermelho – Fato de Luxo – Fato da Festa

A obrigação de erguer o arco festivo; preparar com as amigas o cesto de flores (ex-votos);

"Fazer o peditório" acompanhadas pelos festeiros e uma tocata (concertinas e Zés Pereiras), levando consigo "balaios" para o transporte das "esmolas" de milho, centeio, ovos, prendas para o bazar e os festeiros , varas rijas de carvalho para o transporte de chouriços e fumeiro;

Levar em tabuleiros o leilão dos "bichos" e o leilão das "roscas";

Levar os tabuleiros de segredos e serem responsáveis do bazar;

Eram, também, zeladoras das comedorias do "Santo" ou da "Santa", já que o comer e o dormir junto da igreja, capela ou mosteiro (quartéis), reforçam no minhoto os rituais de presença.

Mas a Festa do Traje não trata só das Mordomias. O traje de trabalho, o traje de domingar, o traje de feira, o traje do peditório, o traje do espalho e o traje de morgada, também, tem a sua função específica:

Traje de trabalho (sargaceiras, ceifeiras, roço do mato, erva);

Traje de trabalho (candeio, polvo, rapões, roçadores de junco, lenhadores, sulfatadores, podadores, vindimadeiras, grupos (espadelada – malhada com "Borrega"), grupos de serão com "contra dança" / desfolhada;

Ida para a Feira / romeiros / peditório para a romaria para o bicho bravo);

Sem esquecer os grandes actos da família minhota:

o conversar, o namoro, o noivado,

O casamento, o baptizado (o vestido, o bragal) o vestido da noiva, o ourar, os padrinhos);

A Festa e a Romaria, os andores, a mordoma;

O compasso pascal, o beijar da cruz, o folar do Senhor Abade, o Juiz, os rapazes da caldeira e da campainha, as lavradeiras.

Os Lenços de Namorados / Lenços de Amor

O Lenço de Namorados tem origem nos lenços das Senhoras do Séc. XVII e só eram usados nas grandes cerimónias. Tal como aconteceu com o Traje de Mordoma e de Noiva foram as "nossas" raparigas que os adaptaram no Serão e os incutiram no Bragal.

Diverso, pois, seria o lenço da moça do campo, da fidalguinha de brasão, o lenço do dia a dia, do lenço da festa da aldeia, ou ainda, o lenço da Mordoma e da Noiva, do lenço de ombro dos andores das nossas romarias. Pouco a pouco, o lenço individualizou-se, carregando-se de ornatos, monogramas, bainhas, entremeios, rendas, recortes e símbolos muito próprios (cruzes, custódias, ramos de flores, as pombas, o par de namorados, o trevo de folhas, a estrela de salomão, os nomes dos destinatários). E passam a ser designados por lenços de namorados ou lenços de amor ou lenços de pedidos.

Confecção e Bordados

Originalmente confeccionados em linho fino ou cambraia (o linho caseiro não era o material mais indicado devida à irregularidade dos fios para a contagem). Nos inícios do séc. XX aparecem os lenços bordados em algodão industrial – os lenço de "compra". Com barras marcadas ou lenço da "tropa" (por serem idênticos aos dos militares), que durante algum tempo foram procuradas pelas bordadeiras. De início. bordavam-se a vermelho, branco e preto, únicas cores existentes no mercado. Depois, surgiu o azul e só a partir da década de 30 nos concelhos de Ponte de Lima, Ponte da Barca e Vila Verde se assistiu a uma grande profusão de cores utilizadas onde as moças se sentiam menos inibidas pela tradição erudita. O ponto mais antigo era o "ponto de cruz", mais delicado, mais conventual, mas muito mais moroso. Os primeiros motivos – grecas, silvas, evocam as escolas dos conventos femininos onde as meninas fidalgas aprendiam a arte de bordar. Para acelerar a sua confecção foram-se introduzindo novos pontos, em especial, o ponto "corrido", o que permitiu obter outros efeitos decorativos e recorrer à improvisação pessoal. Porém, são sem dúvida as quadras com versos rimados (um dos pormenores mais destacados), onde a ingenuidade das moças fica bem espelhada nos erros de ortografia e de pontuação.

Abre-te lenço e amostra / Catro ramos feloridos / Que no meio encontrarás / Nossos corações unidos.

Por ti suspiro / Por ti dou ais / por ti dou a vida / Que queres mais.

Informação RTAM

TURIHAB certificada

A TURIHAB – Associação de Turismo de Habitação e a CENTER – Central Nacional de Turismo no Espaço Rural foram certificadas através da ISO 9001:2000 pela APCER – Associação Portuguesa de Certificação. Para o presidente da TURIHAB, Francisco de Calheiros “a certificação é o resultado de 25 anos de trabalho e dedicação quer da equipa de trabalho da associação, quer dos seus colaboradores, mas principalmente dos seus associados, uma vez que sem o empenho dos donos das casas não seria possível criar um produto de qualidade com esta expressão nacional”.

O âmbito da certificação da TURIHAB é a concepção, desenvolvimento e implementação de serviços de promoção e comercialização de unidades de turismo no espaço rural inseridos na rede Solares de Portugal. Enquanto que, a certificação da CENTER se destina à implementação de serviços de promoção e comercialização e sistemas de reservas.

A ISO – International Organization for Standardisation tem como missão a promoção do desenvolvimento da normalização e actividades relacionadas, em todo o mundo, como elemento facilitador das trocas comerciais de bens e serviços, dentro dos princípios da Organização Mundial do Comércio. A ISO 9001:2000 integra uma série de boas práticas compiladas num conjunto de requisitos normativos. Estes requisitos fazem parte do Manual de Qualidade da TURIHAB que tem como objectivos: descrever a Política da Qualidade da TURIHAB; descrever a Estrutura Organizativa da Associação; fornecer informações aos colaboradores sobre os objectivos e responsabilidades e servir-lhes de apoio na realização das suas tarefas; e descrever os processos para garantir uma melhoria contínua do Sistema da Qualidade.

Depois da TURIHAB e da CENTER, o próximo passo é a certificação da marca Solares de Portugal. Durante o mês de Setembro, auditores da TURIAHB irão proceder a visitas às casas associadas por todo o país de forma a implementar o sistema de qualificação e a introdução do Manual de Boas Práticas. O objectivo deste manual é o de assegurar a qualidade do acolhimento nas casas dos Solares de Portugal, traduzida na satisfação das necessidades e expectativas dos hóspedes e na preocupação de melhoria contínua dos serviços prestados. Este manual procura contribuir para uma eficiente gestão e organização internas dos serviços de cada casa, através da divulgação das melhores práticas e do incentivo à valorização dos recursos humanos afectos à sua exploração, nomeadamente através da formação; pretende também contribuir para uma preocupação de cada casa com a qualidade dos serviços prestados aos hóspedes e com a salvaguarda dos aspectos de higiene e segurança envolvidos nessa prestação, numa perspectiva de melhoria contínua; contribuir para a sensibilização para o respeito e preocupação concretos com as questões do ambiente; para a sensibilização para a necessidade de se estar atento à evolução das tecnologias nos serviços de acolhimento, em particular no domínio da informação; para a consolidação da rede de acolhimento nacional em espaço rural, através da criação de um nível de serviço associado à marca Solares de Portugal, em termos de imagem, desempenho e modelo de avaliação; para a eficácia da divulgação da marca Solares de Portugal, junto dos mercados alvo e o estímulo à cooperação entre os respectivos membros; e pretende contribuir para a dinamização de um modelo europeu de acolhimento no espaço rural.

O grande objectivo é cada vez mais apresentar um produto nacional de qualidade mundial.

Circuitos dos Solares de Portugal lançados na Internet

Num esforço de promoção e de dar a conhecer o que de melhor tem do nosso país, vão ser lançados no site www.center.pt os mais recentes circuitos temáticos dos Solares de Portugal. São dez itinerários lançados para este Verão que pretendem despertar novas sensações num tipo de turismo mais temático. Com estes circuitos pretende-se promover o contacto com a natureza, os sabores, os cheiros, a segurança, as emoções e a tradição, aliando o Turismo Rural ao Turismo de Qualidade. Francisco de Calheiros refere que “é preciso ter em atenção novos segmentos de mercado, e por isso são lançados percursos que pretendem ir ao encontro dessas pretensões”.

O objectivo dos Solares de Portugal é fazer com que as pessoas desfrutem de uma casa de família, e que despertem com um excelente pequeno-almoço, que partam à descoberta das tradições locais de Norte a Sul do País e nos Açores. É dar a conhecer a diversidade da cozinha regional e dos vinhos, incentivar as pessoas a jogar golfe, a andar a cavalo, de bicicleta e a pé. É partilhar com a família o prazer do bom gosto.

Os dez roteiros disponíveis no site da CENTER são: “A Excelência dos Jardins” que leva o turista a percorrer os verdes prados deste país, bem como as montanhas envolvidas nos ambientes tradicionais, sem esquecer os pequenos paraísos integrados nas Casas dos Solares de Portugal; o “Ecoturismo” é a proposta para quem gosta de juntar a natureza ao turismo.

Caminhadas, desportos náuticos e fluviais são alguns exemplos daquilo de que pode desfrutar; “As Tradições do Agroturismo”, permite dar a conhecer aos hóspedes as actividades agrícolas desde a cultura do azeite, o ciclo do pão, participar na tradicional confecção de enchidos e queijos das regiões, deambular pelas brandas do interior do País; Portugal é conhecido pelos seus vinhos, muitos deles premiados internacionalmente.

Os Solares de Portugal criaram o circuito “A Rota dos Vinhos” para dar a provar algumas das produções nacionais; o circuito “Sabores e Cheiros” realça a nossa gastronomia. Os pratos típicos são variados, desde o bacalhau ao arroz de sarrabulho, passando pelas migas ou pela açorda, ou então pelas variadíssimas formas de cozinhar o nosso peixe “fresco”; o circuito “Artesanato e Tradições” permite aos turistas um contacto mais profundo com o artesanato e as tradições retratadas nas feiras semanais, nos mercados, nas festas religiosas, pólos de interesse constante; o circuito “Azulejos” leva a uma viagem pela descoberta da azulejaria nacional, uma das expressões mais fortes da cultura portuguesa; os dias stressantes com que nos deparamos levam-nos cada vez mais a procurar os spas, as termas e os ginásios.

Daí nasce o circuito “Mente e Corpo Sãos”. De Norte a Sul do país são vários os equipamentos de relaxamento e tratamento; “Os Circuitos de Golfe” é outro percurso temático. Com condições climatéricas únicas, as nossas regiões e os seus campos de golfe atraem um grande número de turistas; o último circuito é o da “A Raça Lusitana”.

País de amor aos cavalos, criador da raça pura lusitana, Portugal é também procurado pela beleza destes animais. Estes são os dez circuitos temáticos, apresentados pelos Solares de Portugal, que dão a conhecer as raízes típicas das regiões aliadas à modernidade e ao gosto de cada um, e que estão disponíveis no site da CENTER www.center.pt.

Informação TURIHAB
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