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DEPUTADO IMPEDIDO DE SE JUNTAR
O deputado e vereador socialista caminhense Jorge Fão foi impedido de incluir o lote de convidados oficiais que acompanhou a procissão de Stª Rita de Cássia que se realizou na tarde do passado Domingo, incluída nos festejos concelhios e em honra da santa. Segundo nos revelou o próprio, foi abordado à entrada da Capela da Misericórdia quando saía a procissão, por uma das componentes da comissão de festas perguntando-lhe se possuía o respectivo convite. Afirmou-lhe que não tinha sido convidado, mas que se encontrava presente pelo facto de ser deputado e vereador e, como tal, pretendia participar na cerimónia integrada nas Festas do Concelho de Caminha, no que foi contrariado pela festeira, respondendo-lhe que "veio aqui para se mostrar", segundo nos relatou o próprio. Jorge Fão frisou ainda que a própria presidente da câmara terá interferido no diferendo referenciado por diversos populares, ao dizer-lhe que "respeite o protocolo e vá para a fila de trás", já com a procissão em andamento e com o deputado a incluir os lugares da frente. Tendo sido impossível contactar a autarca, conseguimos falar com a festeira, Angelina Afonso, confirmando que a comissão de festas tinha reunido na ocasião e decidido abordar Jorge Fão, tendo sido a própria encarregue de lhe comunicar a decisão, mas remeteu-nos para um companheiro seu, mais pormenores sobre o caso. Victor Couchinho, referiu-nos que os convites para as entidades oficiais foram os mesmos dos anos anteriores, admitindo que "nem nos passou pela cabeça o convite para o deputado" eleito em Fevereiro passado, "até porque é tanta coisa que algo falha", complementou, e rejeitou "qualquer interferência política", apenas tendo ficado "surpreendidos" com a sua presença. No entanto, a comissão decidiu na ocasião não rectificar o possível lapso e convidou o deputado e vereador a abandonar os lugares para os convidados oficiais. A propósito destes acontecimentos, o deputado e vereador Jorge Fão remeteu-nos o seguinte esclarecimento: INÉDITO .... IMPENSÁVEL E....... PREOCUPANTE
O inédito, impensável e preocupante episódio que vivi no passado domingo no início da solene procissão, ponto alto da componente religiosa das Festas em honra de Santa Rita de Cássia- Festas de Concelho, seguido de um comprometedor silêncio dessa Comissão de Festas sobre o lamentável facto ocorrido, tornam inevitável, a título de denúncia e alerta, a manifestação pública do meu desagrado e preocupação pelo sucedido. Na qualidade de Deputado da Assembleia da Republica e de membro do Executivo Municipal- Vereador da Câmara Municipal de Caminha e sendo natural do concelho e nascido na Vila de Caminha, aguardei o Convite que normalmente é dirigido a membros e/ou representantes das Instituições e outras Autoridades do Concelho para estarem presentes e participarem na Solene Procissão do domingo das festas. Atendendo às institucionais funções que desempenho - mandatos que resultam de livres e democráticas eleições - interpretei a ausência do dito e natural convite como uma simples dificuldade de comunicação, um pequeno lapso protocolar, um esquecimento involuntário ou um erro, desculpável a uma Comissão que, generosa e voluntariamente, assume a sempre difícil e louvável tarefa de realizar as Festas Concelhias. Imbuído desse espírito, por vontade própria e atendendo a deveres de representação pública a que institucionalmente me sinto obrigado, convicto de não existir premeditada e deliberada má intenção, censura ou vontade colectiva dessa Comissão de Festas em vetar a minha presença ou excluir a minha participação, apresentei-me para tomar parte na procissão, dirigindo-me, como entendo ser meu dever, para o local destinado às " Autoridades", respeitando aliás as ordens do Pároco que presidia aquele acto religioso. Iniciava-se a procissão e a Presidente da Câmara Municipal apressou-se a organizar o " quadro das autoridades " omitindo de forma deliberada a minha presença e procurando marginalizar a minha posição, eis quando, já em plena via pública, uma Senhora - Dª Angelina Afonso - membro da Comissão de Festas e afirmando falar em nome da mesma me " manda retirar " daquele local, afirmando ,em voz alta e com bom som: "... Quem foi que o convidou.... eu sei que o senhor não foi convidado.... só quem foi convidado ´e que pode ficar aqui.. saia daqui...... não pode ficar aí.... vá lá para trás...veio aqui para se mostrar.... não vai ficar aqui..." afirmações que, entre outras, proferiu insistente e ruidosamente durante algum tempo, as quais naturalmente não acatei, mantendo-me no lugar que tinha inicialmente ocupado. Acto quase contínuo, estando a procissão no início e para meu ainda maior espanto, a Presidente da Câmara Municipal ordena-me " ... cumpra o protocolo e passe para a fila de trás", numa manifesta falta de urbanidade e elevação e ainda numa prepotente revelação de uma triste ignorância das regras do Protocolo da República que havia evocado. Apesar deste turbulento início e dos lamentáveis acontecimentos que descrevi, entendi que as regras da boa educação, da formação cívica , da ética e da dignidade política, mandavam que me mantivesse em silêncio e respeitosamente na procissão até ao seu final, onde, já dentro da Igreja da Misericórdia escutei as palavras do Reverendo Pároco da Vila que, entre outros votos de louvor, agradeceu a presença de outras personalidades e também, de forma propositadamente provocatória, " ... aos Senhores Vereadores que foram convidados" O somatório de todos estes lamentáveis incidente e a ausência , até este momento, de qualquer explicação ou esclarecimento para o sucedido, levam-me a dirigir publicamente a essa Comissão de Festas para afirmar que, apesar dos preocupantes indícios da existência de uma organizada e deliberada vontade de impedir a minha presença na procissão de Santa Rita de Cássia, vou continuar, até conclusão em contrário, a interpretar o sucedido como um involuntário lapso da Comissão, que não quero crer seja colectivamente responsável e previamente conhecedora das condenáveis actuações individuais que descrevi, como por certo irão, de forma célere, esclarecer publicamente. Caso contrário, o que não admito ser possível, os factos ocorridos seriam: Pessoalmente, ofensivos.
Jorge Fão |
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