CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 251: 20/26 Ago 05 (Semanal - Sábados)

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REUNIÃO CAMARÁRIA

RECURSO AO CRÉDITO E VENDA DE BENS DE INVESTIMENTO ELEVAM DESPESAS PARA 5,1 MILHÕES DE EUROS,
acusam os socialistas

PSD DIZ QUE SÃO DISPARATES

SOCIALISTAS CRITICAM INCUMPRIMENTO DE PROTOCOLOS COM AS JUNTAS

FALTA DE ÁGUA EM VILA PRAIA DE ÂNCORA MOTIVO DE ENFRENTAMENTO

A aprovação de duas minutas dos respectivos contratos de empréstimos de médio e longo prazo já autorizados pela assembleia municipal, no valor de 1,8 milhões de euros, levadas à ratificação da vereação na última reunião camarária, foi motivo para que o edil socialista Jorge Fão apontasse o dedo ao executivo liderado por Júlia Paula, acusando-o de despesismo.

O vereador da oposição recordou que a actual câmara já contraiu empréstimos de médio e longo prazo no montante de 2,6 milhões de euros e ainda um outro de 600.000€ a curto prazo em 2004, o que lhe permite renová-lo este ano.

Comparativamente ao endividamento contraído pela câmara no período que mediou entre 1991 e 2001, apenas foram contraídos empréstimos na ordem dos 965.000€, equivalendo a dizer, assinalou Jorge Fão, que o executivo liderado por Júlia Paula ultrapassou em 300% os débitos anteriores.

Se a estas verbas forem adicionados 2,1 milhões de euros pagos pela Empresa de Águas Minho e Lima à câmara, pela venda de equipamentos da rede de águas e saneamento, o vereador socialista chega à conclusão de que a autarquia dispôs de verbas extraordinárias superiores a cinco milhões de euros (5,1 milhões), com recurso "ao crédito e à venda de bens de investimento", precisou.

Esta análise contabilística não agradou à maioria social-democrata, e embora a presidente não tenha replicado, fê-lo José Bento Chão, afirmando que "só disse disparates", levando a que o primeiro reagisse, recebendo como resposta um sonoro "cale-se!", gerando-se alguma turbulência entre ambos.

Jorge Fão recordou a Bento Chão que só a presidente é que o poderia mandar calar, acabando por ser isso que aconteceu após ter dito ao primeiro que se cingisse ao assunto em aprovação.

Os protestos do vereador da oposição continuaram, verificando-se então acusações mútuas de tentativas de interrupção quando qualquer um deles usava da palavra.

Júlia Paula passou de imediato à votação, impedindo a discussão do assunto, como pretendia Jorge Fão, por entender que o actual contexto em que as minutas eram levadas à aprovação, era diferente.

Mas não foi só este o tema do dia.

EXECUTIVO NÃO ENTREGA QUADRO DE PESSOAL

No período prévio à ordem do dia da reunião, Jorge Fão solicitou vários pedidos de esclarecimento à presidente da câmara, alguns deles já repetitivos.

É o caso da falta de resposta aos requerimentos orais e escritos pedindo a apresentação do quadro de pessoal, situação que já se arrasta há dois anos e que o vereador reputou de "procedinento sem transparência".

Assim, pediu agora o "balanço social" respeitante ao ano de 2004.

CENTRO CULTURAL DE MOLEDO VOTADO AO OSTRACISMO

Voltou a abordar a situação de desprezo a que o actual executivo tem votado o Centro Cultural de Moledo -um equipamento construído com o apoio da autarquia, assinalou-, ao não ter programado qualquer actividade de animação de verão para ele.

"É uma atitude de vingança!", denunciou, tendo dado como exemplo a escolha das instalações do Centro Paroquial e Social de Moledo para a realização de um dos concertos do maestro Victorino d'Almeida deste mês e que se realizava dentro de dias*.

JUNTAS IMPEDIDAS DE FAZER OBRAS E SEM DINHEIRO

Outro assunto deveras polémico regressou à ribalta nesta reunião, quando Jorge Fão pediu explicações sobre o não cumprimento dos protocolos de transferência de obras e serviços para as freguesias, impostos pelo próprio executivo social-democrata.

Relembrou que os mesmos implicavam a execução de 50% dos trabalhos até final de Junho, o que não se verificou, existindo juntas com pagamentos em atraso e, a agravar a situação, não foram concedidas autorizações para que as autarquias possam iniciar as obras protocoladas.

O facto de haver eleições autárquicas em Outubro foi entendida pelo vereador da oposição como um possível factor de atraso das obras a cargo das juntas, acrescentando que as mesmas não entendem como "se gasta tanto dinheiro com as festas e não há dinheiro para as juntas".

SERVIÇOS CULTURAIS RETIRAM-SE SEM EXPLICAÇÃO

Este vereador pediu também informações sobre as razões que ditaram o abandono inesperado das instalações onde vinham funcionando há uns meses os serviços culturais, num edifício alugado ainda no tempo do anterior executivo, em frente ao Museu Municipal.

Pretendeu saber se o contrato de arrendamento expirava no final de Agosto ou se tinha sido um processo litigioso, podendo eventualmente acarretar indemnizações a pagar pelo município.

Entretanto, estes serviços vão ser instalados no rés-do-chão dos Paços do Concelho, os quais se mantêm encerrados há meses, aguardando obras de restauro prometidas mas ainda não concretizadas.

PREÇOS DAS FESTAS E ESCULTURAS

A propósito das festas e inaugurações na Pr. da República de V.P. Âncora, Parque de Jogos Morber (Camarido) e no Parque Municipal de Caminha "com cachets elevados", anotou, pretendeu ser esclarecido sobre os seus montantes, de modo a evitar especulações.

Aproveitou ainda para criticar obras "realizadas à pressão", a fim de cumprir calendários de inaugurações, obras essas que requereram financiamentos elevados.

No seguimento deste pedido, pediu explicações sobre o número de esculturas encomendadas pela câmara (uma foi colocada no jardim municipal e outra nas Portas de Viana, ambas em Caminha), localização das demais e respectivos custos.

PASSEIO DOS IDOSOS PROMETE

Júlia Paula antecipou a organização do passeio dos idosos e pensionistas para finais deste mês (dia 30), levando Jorge Fão a recordar o episódio do ano passado, em que os vereadores socialistas foram impedidos de participar.

Assim, foi desde já avisando que pretendem ser convidados como membros da vereação.

"OUT-DOORS" - PEDIDA COERÊNCIA

Por último, Jorge Fão aludiu à informação prestada pela câmara a propósito da colocação de "out-doors" no concelho, relativos à pré-campanha autárquica do PS.

Receberam uma informação de que deveriam evitar a sua colocação em espaços ajardinados.

Referiu que o PS cumpriu essa orientação mas o mesmo não se passou com o PSD, levando Jorge Fão a pedir "coerência" à presidente, pedindo-lhe que os retirasse, uma vez que os cartazes "são da sua candidatura", anotou.

ATITUDE "PERSECUTÓRIA"

Todas estas interpelações da autoria de Jorge Fão ficaram sem resposta.

Júlia Paula ignorou-as, como vem fazendo habitualmente, sempre que este vereador da oposição intervém no período prévio à ordem-do-dia, originando um veemente protesto.

Este vereador iniciou a contestação ao silêncio presidencial de uma forma irónica: "Agradeço a resposta que me deu…", para de seguida denunciar a "atitude persecutória sobre a minha pessoa", lembrando que tal prática não o perturba, embora seja uma afronta a um membro da oposição com tal, mas "não conseguirá calar-me", com a táctica adoptada, avisou.

Júlia Paula aproveitou o tom irónico inicial do autarca, para lhe agradecer o elogio, informando-o que irá responder "com clareza na próxima reunião", dado ser isso que o vereador pretende, adiantou.

Contudo, a mioria social democrata não entrgou nesta reunião, os pedidos de informação solicitados na anterior pela oposição.

O IC1 E A FALTA DE ÁGUA NO VALE DO ÂNCORA

Dentro da sua política de discriminação levada à prática para com este vereador, Júlia Paula respondeu apenas às intervenções de Brito Ribeiro, o segundo vereador socialista presente e permitiu discussão.

Foi o caso da falta de água no Vale do Âncora, sempre que chove com alguma intensidade, como voltou a suceder recentemente.

"Não é crítica, é uma situação de facto que já deveria ter sido equacionada", relevou o edil "rosa", a propósito do corte de água da rede pública, derivado à turvação do rio Âncora, provocada pela movimentação de terras das obras do IC1, referiu, prevendo ainda que "isto não fica por aqui" nos próximos anos.

Em resposta, a presidente da câmara voltou a dizer que a responsabilidade do Ic1 não era só sua mas também do PS e insistiu que as situações registadas este ano não são iguais à do verão passado em que o abastecimento esteve interrompido durante mais de oito dias.

"Agora não houve desrespeito da declaração de impacte ambiental", salientou, atribuindo o sucedido à "falta de consistência dos taludes, aliado ao fraco caudal do rio.

Lamentou que o PS tivesse politizado a situação, quando a responsabilidade pelos equipamentos da Valada são da "Minho e Lima", destacou, anunciando, entretanto, que estão a colocar um novo sistema de filtragem, após ter sido testado laboratorialmente, esperando que o mesmo esteja concluído até final do mês.

VIGILÂNCIA FLORESTAL

Júlia Paula informou ainda a vereação que tinha sido criada uma equipa de vigilância móvel e distribuição de informação nas zonas rurais e aproveitou para agradecer a presença de colectividades na festa de inauguração do parque municipal de Caminha.

Por seu lado, a vereador Irene Pacheco mostrou-se agastada com notícias saídas na imprensa sobre a realização da Feira Medieval.

NOVO PROTOCOLO PARA VIABILIZAR FUNCIONAMENTO DE PISCINA

No final da reunião, foram aprovadas obrigações financeiras decorrentes do contrato de parceria celebrado entre o município, a Misericórdia e a Ancorensis, visando a manutenção em funcionamento da piscina.

Jorge Fão solicitou algumas explicações, pediu cópia do anterior protocolo estabelecido, bem como do que virá a ser assinado futuramente, atendendo a que está ser objecto de negociações o acordo a celebrar entre todas as partes, conforme explicou o vereador social-democrata Paulo Pereira responsável pela área do desporto.

*Ver artigo sobre Concerto de Victorino d'Almeida em Moledo

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