CAMPEONATO NACIONAL DE VELOCIDADE EM REMO
SPORTING CLUB CAMINHENSE FEZ O PLENO: SEIS EM SEIS
PISTA DE MONTEMOR-O-VELHO EM RISCO DE "SER ENTREGUE AOS PEIXINHOS"
O Sporting Club Caminhense distribuiu da melhor forma os seus 19 remadores juniores e seniores que se apresentaram a competir no Campeonato Nacional de Velocidade disputado a 25/26 do passado mês, na pista internacional de Montemor-o-Velho.
100%
As seis tripulações inscritas conquistaram outros tantos títulos (Shell/2- sénior e júnior; Shel/2+ sénior e júnior; Skiff júnior e Shell/8), pelo que nenhum atleta saiu deste Nacional sem uma medalha de ouro, um facto a realçar, que o próprio João Santos, que compartilha com Henrique Baixinho a equipa técnica do clube, não deixou de valorizar, logo que concluída a prova de Shell/8.
Como curiosidade, refira-se que a rentabilização máxima do seu plantel foi ao ponto de com apenas dois cascos (Shell/2 s/Timoneiro e Shell/2 c/Timoneiro) ter conquistado quatro títulos, dois em juniores e dois em seniores.
João Santos confirmou-nos esta aposta em barcos curtos, face ao reduzido plantel de que dispunham e, dessa forma, todos puderam participar na prova maior do calendário nacional, após uma época "de muito sacrifício e trabalho".
SHELL/8 COM REMADORES DO CONCELHO

Outra particularidade do Caminhense, foi a de ter apresentado uma tripulação de Shell/8 totalmente constituída por remadores do concelho de Caminha.
O técnico do clube não escondeu que a grande aposta era este barco, agora com a aliciante de estar em disputa a Taça Lisboa, transitada do Shell/4+, cuja última edição (centésima) foi ganha pelo Caminhense no ano passado.
Apôs o êxito obtido na Regata Internacional de Gondomar, em Maio último, em que o SCC venceu o Shell/4+, o Shell/4- e o Shell/8, os técnicos ainda manifestaram vontade em voltar a repetir estes barcos nos Nacionais de Velocidade.
Contudo, acedendo a uma aposta da própria direcção do clube, acabaram por concordar em participar apenas em Shell/8, não arriscando o desdobramento de remadores como tinha sucedido na citada regata, até porque a Taça Lisboa já não era disputada no Shell/4+, tendo este tipo de barco perdido muito do carisma que até há bem pouco tempo representava no remo português
Referiu ainda que a não inclusão do Henrique Baixinho no Shell/8 (fez o Shell/2+) se deveu a uma decisão do próprio atleta que preferiu dar o lugar a um colega mais novo, "embora ele tivesse valor para alinhar nesta tripulação", sublinhou.
Lamentou que a modalidade no seu compito geral não esteja a viver um bom momento e que as estruturas estejam já degradadas (falta de bóias e mal alinhadas e algumas delas deixaram de ser amarelas para se apresentarem pretas) e outras, em terra, não foram melhoradas e muito menos construídas.
"REMANDO SEMPRE CERTINHO"

No final da prova de oito sucederam-se as habituais manifestações de alegria por parte dos remadores, técnicos, dirigentes e apoiantes do SCC que se deslocaram até Montemor-o-Velho, alguns deles aproveitando o transporte que o município habitualmente disponibiliza.
Hélio Carvalho, um sénior de 1º ano que se estreou neste escalão com uma vitória no oito, admitiu que a razoável diferença de três comprimentos registada no final da prova, não espelhou as dificuldades verificadas.
"Eles (Náutico de Viana) têm muita força, saíram à frente mas, pouco a pouco, apanhámo-los, remando sempre certinho, sem falhas", referiu-nos antes de subir ao pódium a fim de receber a sua primeira medalha no escalão maior da modalidade.
Precisou que foi a meio da prova que "passámos para a frente e eles sentiram-se um bocado em baixo", não mais deixando de comandar as operações
A questão do vento que tanta perturbação causou neste campeonato, devido ao diz-que-diz habitual no mundo do remo, levou este atleta a afirmar que ele não teve influência no resultado da prova, referindo que "até tínhamos o vento contra nós".

Paulo Costa ainda com a idade de iniciado, foi o timoneiro deste oito, embora pretenda ser remador, sendo este o último ano em que ocupe tal função.
Vencedor no Fundo e em Velocidade, considerou ter sido "muito bom para um primeiro ano em que timonei" e não ter encontrado dificuldades a orientar o barco, apesar da existência de algum vento.
"LEVO SEMPRE UM OU DOIS TÍTULOS PARA CASA"
Bruno Amorim, marcando os proas deste oito verde e branco, começou por destacar a "táctica certa ao colocar o Virgílio Barbosa a voga, porque é muito forte e tem muita experiência, levando-nos a fazer uma regata muito regular, a uma cadência (38/39 mas suficiente para um bom andamento) que já tínhamos treinado e depois de estar à frente, foi só controlar".

Embora não pretendesse destacar qual dos bordos se portou melhor, assinalou que os proas que comandou "ajudaram muito, dentro de uma equipa com uma estrutura perfeita".
Apesar da largada não ter perspectivado as melhores referências para quem assistiu a ela, dado que o Náutico se colocou à frente, Bruno Amorim nunca duvidou do êxito da prova, pois "bastava passar para a frente a partir dos 500 metros, para sabermos o que devíamos fazer para conseguir a vitória", assegurou este jovem estudante do 3º ano de arquitectura, que desde há seis anos, "levo sempre um ou dois títulos para casa", mas que não tem os olhos postos para a selecção, porque isso requeria duas vidas paralelas e "não tenho tempo", frisou.
"PRESSÃO"

Seu pai, António Amorim, presidente do clube, satisfeito com o desfecho dos campeonatos, mas ainda a recompor-se de uma"determinada pressão que foi exercida nas últimas 48 horas, ao ponto de pôr em dúvida a resistência do Caminhense", acabou por reconhecer terem sido atingidos "com mérito todos os objectivos propostos e "a partir de agora ninguém pode dizer que correu mal ou correu bem, pois correu da melhor forma possível para o Caminhense".
Pedindo-lhe que precisasse tais "pressões", assinalou ter havido "tentativas de desestabilizar a equipa mas, felizmente, ela estava muito bem do ponto de vista moral".
Atendendo a que um dos directores do Caminhense, Jorge Gavinho, no final da prova de oito se referiu à existência de um "traidor" -numa alusão ao director do C@2000-, pedimos-lhe que comentasse essa expressão.
António Amorim optou por "não entrar nesse campo, por estarmos numa fase de rescaldo e não ser o momento exacto" para o fazer, entendendo que tudo se deveu a comentários que se fazem e que não favorecem ninguém, principalmente o remo e o Caminhense".
Acrescentou que "a verdade desportiva deve ser rubricada por todos, para que as coisas sejam mais fáceis".
Perante a nossa insistência para que esclarecesse qual era o problema, optou por afirmar que "não entrava por esse campo" e nada mais quis acrescentar.
Aquando das celebrações da vitória, houve um caminhense particularmente saudado pelos atletas, chegando mesmo a subir ao pódium com eles.
UM MASSAGISTA MUITO ESPECIAL

Tratou-se de David Rio Tinto, antigo remador do SCC das camadas jovens e que agora, como massagista profissional, concedeu apoio aos atletas.
Embora contente com a manifestação de reconhecimento exibida pelos remadores, retirou importância ao seu papel como massagista de alguns deles, antes preferindo valorizar o trabalho do "João Santos e dos atletas que trabalharam".
Mostrou-se igualmente satisfeito com os resultados obtidos pelo "clube da terra, independentemente do meu trabalho", mas não deixou de evidenciar reconhecimento perante as manifestações de afecto e assegurou estar disposto a colaborar "sempre que o Caminhense precisar, nunca me negando a isso".
CAMINHENSE VOCACIONADO PARA BARCOS DE PONTA
Este campeonato voltou a evidenciar que o clube da foz do Rio Minho mantém a sua vocação para os barcos de ponta, apenas apresentando um skifista júnior -que poderá ser o futuro campeão neste tipo de barco que o Caminhense já teve no passado- e o remo feminino desapareceu.
Quanto à pista (desde já chamamos a atenção para a entrevista de Rascão Marques, presidente da Federação Portuguesa de Remo), continua praticamente como quando foi inaugurada em 2002, aquando da realização da Coupe de la Jeunesse.
Os acessos em terra batida e cascalho mantêm-se.
Não foram construídos os equipamentos em terra (hangares, balneários, parques de estacionamento, salas de apoio à organização e imprensa e de musculação e de apoio médico), tornando-se cada vez mais uma miragem, além da própria balizagem se encontrar degradada.
CAMPEONATO COM MENOS SENIORES
O número de atletas seniores diminuiu, embora se tivesse verificado um aumento dos juniores, a que não é alheio o objectivo de atingir as universidades públicas através da alta competição.
O Infante voltou a demonstrar que continua em crise; o Ginásio Figueirense não se apresentou a defender o seu primeiro título nacional conquistado no ano passado em Shell/8; o Náutico de Viana não conseguiu um único título no último dia dos Campeonatos (venceu o 8 Júnior na véspera); o Cerveira (clube do Vale do Minho) conquistou o seu primeiro título nacional em velocidade em 2XH e o Fluvial Portuense venceu o Shell/8 PL, sendo o clube mais pontuado e com mais títulos (8), conquistando a taça correspondente ao Ranking.
Apenas em 1X e em 4X Homens houve alguma emoção final, porque na generalidade das provas, a distância entre tripulações foi deveras significativa, demonstrando a fraca evolução da modalidade e a busca de títulos por parte da quase totalidade de clubes, inscrevendo-se nos barcos em que supostamente teriam mais hipótese de vencer.
OS OUTROS TÍTULOS DO CAMINHENSE
Mas o SCCaminhense não viveu apenas momentos de êxito com o triunfo no oito.
Os outros títulos nacionais não deixaram de ser devidamente festejados, como foi o primeiro da série de seis em que o Shell/2 s/ timoneiro júnior não tiveram dificuldades em levar de vencida os seus adversários.

Jaime Vilarinho, já habituado às vitórias nos Nacionais, tendo conquistado o de Fundo e Velocidade no último ano, apenas lamentou o forte vento contra e "ainda tentámos ir para a pista que tinha menos vento, mas não nos deixaram".
Se a eliminatória a que foram obrigados decorreu sem problemas, já a Final A "custou um pouco mais", mas nada de insuperável, como se comprovou.
Conquistado mais este título, as atenções deste atleta caminhense viram-se agora para a selecção nacional que conta integrar, a fim de participar na Coupe de la Jeunesse, na Inglaterra.
Uma carreira ainda curta (ano e meio como remador) mas já com títulos nacionais no seu haver e a representação nacional à vista.

Renato Rodrigues, natural de Vilar de Mouros, remador há três anos e meio, fez o 2- com o Jaime e comungou das mesmas dificuldades do colega: "As condições climatéricas foram más e a prova demorou muito mais tempo".
Desde Outubro que se vinha preparando, tendo em vista este Campeonato e conseguir o seu primeiro título, depois de quatro segundos lugares, pelo que esta vitória teve um sabor muito especial. Gostaria de ter participado num barco maior (Shell/8) mas "não havia gente". Dedicou a vitória "aos treinadores e a quem me ajudou".
UM CAMPEÃO DE S. LOURENÇO DA MONTARIA
Em Shell/2 c/ Timoneiro, o voga Filipe Costinha, estudante na Ancorensis Cooperativa de Ensino, exultava de contentamento com a medalha de ouro conquistada.
Veio de S. Lourenço da Montaria para o remo pela mão de um colega que "acabou por desistir" e ao fim de seis meses de treinos (ia e vinha todos os dias de mota) viu o esforço recompensado:

"É muito bom! Não tem explicações! Nem sei o que sinto!" assim de exprimiu este jovem remador, não cabendo em si de contente com a medalha que ia receber assim que subisse ao podium.
"Aos mil metros já nem sabia o que fazia!", logo que se apercebeu que o primeiro lugar estava ao seu alcance, apesar do vento e vaga que prejudicaram a remada
Aos 17 anos já pensa em atingir a selecção nacional e vir a integrar um Shell/8 do seu clube, um objectivo porque todos porfiam.
No entanto, admite que necessita de aperfeiçoar a técnica porque "sou muito alto e só comecei a remar aos 17 anos".
INÍCIO DIFÍCIL
Rui Guerreiro é natural de Lanhelas e rema desde iniciado no SCC, tendo completado o duo de remadores neste barco e, em comentário da prova, disse que "apenas no início foi um pouco difícil, mas, depois, tudo correu pelo melhor".

Como forma de conseguir atrair mais juniores para o remo, advogou mais "publicidade" da modalidade, porque "está pouco divulgada".
UM TIMONEIRO "VOADOR"
O timoneiro deste barco, Ricardo Sobreira, natural de Cristelo, encontra-se na Força Aérea e foi incentivado por colegas para vir para o remo, "achei engraçado e cá estamos para ganhar uns prémios".
Considerou extraordinário ser campeão logo que timonou um barco pela primeira vez e reconheceu que desempenhou bem o seu papel, a despeito do barco "ter tremido um pouco a meio da prova devido ao vento", mas "mantendo a calma, chegámos ao fim como campeões".
Treina na Força Aérea e quando vem a casa incorpora-se na preparação dos seus colegas, designadamente ao leme dos barcos.
SKIFISTA MUNDIALISTA
O skifista júnior de 2º ano, Paulo Cerquido (integrando no dia seguinte o Shell/8 sénior) já contava com uma prova relativamente fácil, dado que esta época não teve rival à altura.
Assim, cumprido este calendário com distinção, as suas atenções centram-se na sua participação no Campeonato do Mundo, na Alemanha, no próximo mês de Agosto.

Ele e mais um double júnior serão os representantes portugueses na prova maior a nível mundial deste escalão etário.
Não faz a coisa por menos e aponta a conquista de uma medalha como um objectivo a atingir, após uma boa época preparando este grande desiderato, não esquecendo que a última (e única) medalha conquistada por Portugal num Campeonato do Mundo Júnior foi ostentada por outro caminhense - Artur Antunes, em parceria com o agora nacionalizado italiano Bruno Antunes.
Já João Santos, seu treinador, mais comedido nas previsões, admite como possível a participação de Paulo Cerquido na Final A, mas depois de atingi-la, tudo é possível.
Comungando a ideia de que o remo nacional não está tão mal como o pintam, apenas admite que o nível dos juniores tenha baixado um pouco.
A existência de poucos remadores jovens, nomeadamente, nos juniores, leva-o a pensar que é difícil conquistá-los para este desporto, que "exige muito sacrifício", face a outras modalidades menos penosas.
Mostrou-se apostado em continuar a remar mesmo depois de passar a sénior e iniciar uma carreira universitária na área da saúde, como espera conseguir.
"VANTAGEM SUFICIENTE"

Já no Domingo, o Shell/2 s/ Timoneiro sénior talvez tivesse sido o barco do Caminhense que chegou à linha de meta com um adversário mais próximo, mesmo assim, o primeiro lugar nunca esteve em dúvida.
Tiago Covinha, um jovem "veterano" internacional lanhelense, apenas se queixou do forte vento contra porque "ao ir à frente, bastava um toquezinho com a pá na água e era logo uma remada perdida", embora ressalvasse que tal contratempo era comum a todos os adversários.
Evitando esses "toques", conseguiram controlar a prova até ao fim, apesar dos esforços do Fluvial Portuense na parte final, mas "já levávamos uma vantagem suficiente para conseguir a vitória", explicou.
Reconheceu que este foi um ano de mais "relax", com menos treinos mas "consegui o objectivo de ser campeão nacional" pela décima primeira vez. Quanto à selecção, confidenciou-nos que "já chega, nunca mais", até porque, no seu entender, o nível do remo baixou bastante, incluindo o número de remadores.

Neste barco remou igualmente Anthony Passos, reconhecendo igualmente algumas dificuldades na prova que comandaram desde a largada, após se colocarem um barco à frente do Fluvial, vantagem que "gerimos até ao fim", acabando mesmo por ampliá-la um pouco.
Nunca tinha vencido neste tipo de barco, motivo pelo qual se mostrava contente e a pensar já em obter novo título na próxima época, se possível noutra embarcação onde ainda não se tenha estreado.
Com humildade, reconheceu que se o nível do remo não tivesse descido tanto, teria sido difícil vencer o 2-, mas a realidade foi esta e não há que retirar-lhe valor.
2+SÉNIOR - UM BARCO HABITUALMENTE DE VERDE E BRANCO
Outro barco de dois remadores que o Caminhense conquistou, foi o Shell/2+, tendo José Oliveira sublinhado a realização de um treino específico para este campeonato, conseguindo assim "levar de vencida os nossos adversários", apesar de algumas dificuldades no início da prova, frisou.
Remou com Henrique Baixinho e confidenciou-nos ter sido fácil constituir equipa com um "óptimo atleta, pois não é à toa que é o melhor remador português de todos os tempos", obtendo assim o seu primeiro título nacional neste barco.
Prometendo continuar a remar no SCC na próxima época, espera agora terminar a actual com mais vitórias na Taça de Portugal que se disputará na Figueira da Foz, no próximo dia 10, com transmissão televisiva.

O timoneiro deste barco, Ricardo Sobreira, a par de Paulo Cerquido, foram os únicos remadores verdes-e-brancos que visaram títulos nestes campeonatos.
O timoneiro cristelense referiu ter sido um título diferente, este que conquistou em 2+, na companhia do "Mina" - "uma pessoa espectacular", sublinhou.
Quanto a Henrique Baixinho, destacou que encararam o 2+ "como se fosse outro barco qualquer", pesar de se ter posicionado como suplente do Shell/8, não fosse surgir qualquer percalço.
"Até treinámos de mais para fazer o 2+", porque o fazíamos quase todos os dias, graças ao esforço do meu colega que vinha do Porto para se preparar devidamente".
Na largada, Fluvial e Arco arrancaram rapidamente, "porque tinham muito conjunto", mas "nós tínhamos melhor equipa, permanecendo em 2º lugar até aos 500 metros e, a partir daí, fizemos um pouco mais de esforço e fomo-nos embora, ganhando à vontade".
Destacou como trunfo das vitórias do SCC nestes campeonatos o "treino regular todo o ano, ganhando quase tudo o que tínhamos que ganhar e o pessoal acreditou em nós (técnicos), conseguindo o maior êxito de sempre: "Ganhámos em todas as tripulações em que participámos".
"Pelo que vejo, o pessoal tem pouca motivação", numa alusão à diminuição do número de praticantes presentes nesta competição, tanto a nível de seniores e miúdos, como de mulheres.


PISTA DE MONTEMOR-O-VELHO VAI TER PEIXINHOS
Não são só os ventos dominantes que sopram negativamente sobras as águas da pista internacional de Montemor-o-Velho, outros se avizinham, mais ameaçadores ainda.
Segundo rumores recolhidos durante a realização dos últimos Campeonatos Nacionais de Remo, a Câmara de Montemor-o-Velho prepara-se para adaptar a pista internacional que importou em 1,3 milhões de contos, à pesca desportiva, tendo-a já candidatado a uma das poules do Campeonato do Mundo dessa modalidade.
Rascão Marques, presidente da Federação Portuguesa de Remo, embora ainda não tenha conhecimento oficial dos propósitos do município montemorense, mostra-se receoso quanto ao futuro de um centro náutico (pelo menos é apresentado como tal) que se encontra praticamente nas mesmas condições que apresentava na data da inauguração.
Com cerca de 1/3 da verba inicialmente investida, seria possível completar as estruturas em terra previstas no projecto.
Nada foi feito, o remo encontra-se numa fase de "estagnação", nas palavras do próprio presidente da FPR, temendo-se pelo futuro de uma modalidade a necessitar de muita unidade entre todos os intervenientes e um forte empenhamento de todos, numa época em que os dinheiros não abundam.
P.- O que é que se passa na verdade, quanto à utilização da pista construída sob os auspícios da Federação Portuguesa de Remo, embora ela pertença à Câmara de Montemor-o-Velho?
R.- Pelas informações de que disponho neste momento, é de que a Câmara de Montemor se recusa a acabar as obras, alegando falta de verbas e por já ter investido muito nesta pista.
Assim, isto passa pelo governo central incluir nos seus orçamentos as verbas necessárias à conclusão das obras, de uma forma faseada, ou de uma vez só.
Por tal motivo convidámos o secretário de Estado dos Desportos a estar aqui hoje para discutirmos este problema com ele e não veio.
Sei ainda que se fala de que a Câmara de Montemor-o-Velho adjudicou o Campeonato de Mundo de Pesca de 2006 e que vai fazê-lo aqui na pista e pelas informações que tive através de elementos da pesca, a partir de Setembro ou Outubro, depois da conclusão das provas da canoagem, ela vai ser limpa, retirada a balizagem, limpos os lismos e colocados viveiros de peixes. A partir daí, será vedada a qualquer outra modalidade e treino, porque as selecções estrangeiras de pesca são quase todas profissionais, vindo estagiar para Portugal e aqui ficarão todo o ano.
Assim, uma pista que foi feita com todo o empenho do remo -e depois da canoagem, que apanhou o barco- e para isso ela está aí, vai ser destinada à pesca, correndo o risco de durante todo um ano não termos aqui qualquer prova.
E eu pergunto agora: Depois de termos disposto durante alguns anos de uma pista balizada e organizado provas com uma maior valia técnica, onde é que vamos fazer os Campeonatos Nacionais? Será que teremos de ir para Sevilha?
P.- Se isso se confirmar, o que é que a FPR conta fazer?
De momento, aguardamos que isso seja verdade, pois a pista pertence à Câmara de Montemor-o-Velho, mas corre o risco de nos perder, bem como à canoagem.
P.- O que pensa do actual momento da modalidade?
Sinceramente, penso que a modalidade está estagnada.
Pelo que observei aqui, acho que organizámos um bom campeonato e isto sem estar a puxar a brasa à minha sardinha.
Contudo, houve muita pouca competitividade entre as provas, embora algumas pessoas possam não gostar daquilo que eu estou a dizer.
Mais uma vez, baixámos o número de atletas neste Campeonato Nacional e acho que as pessoas têm de deixar de atirar as culpas para a Federação, embora ela tenha as suas, mas não me refiro à minha direcção empossada há quatro meses e há coisas que não poderia alterar neste espaço de tempo.
Entendo que os clubes têm de se capacitar que o desenvolvimento se faz com os novos atletas e outros mais veteranos como sucedeu no decorrer do Encontro Nacional de há uma semana..
Verificamos que grande parte dos campeões nacionais deste fim de semana já o são há muitos anos.
Dou-lhe o exemplo do que sucedeu ontem (Sábado, primeiro dia dos Campeonatos) em que havia 22 medalhas para 25 remadoras de pesos ligeiros, o que significa que houve apenas três remadoras não medalhadas..
Não está mal haver 22 remadoras medalhadas, o que está mal é só ter 25 ligeiras.
Não devemos esconder esta realidade, através do subterfúgio dos desdobramentos de atletas, porque aqui estiverem mais de 300 remadores.
P.- Quais as participações previstas para a selecção nacional no calendário internacional?
R.- A selecção vai entrar em estágio a partir do dia 28, na barragem de Avis e depois de 10 de Julho, após a Taça de Portugal, aqui, em Montemor.
Vai participar no Campeonato do Mundo Sub-23, em Julho, na Holanda, com 13 atletas, na Coupe de la Jeunesse, em Inglaterra, com 17 remadores, no Mundial de Juniores com 7 e no Campeonato Mundial de Seniores, no Japão, com 3 remadores.
Entendemos que devemos apostar nos jovens e embora gostássemos de levar outros remadores que teriam valor para participar no Campeonato do Mundo Sénior, o que está orçamentado não dá para mais, porque o Japão fica muito longe, apenas se deslocando lá a equipa de remo adaptado, medalhada no último Campeonato do Mundo.
Fizemos várias insistências para ouvir os representantes do município montemorense sobre o futuro da pista, mas sem sucesso.
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