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ASSEMBLEIA MUNICIPAL PONTE NO RIO MINHO SERVIU DE PRETEXTO AO PSD SOCIALISTAS NÃO QUEREM TRAVESSIA FORA DO CONCELHO
A última reunião da Assembleia Municipal de Caminha foi palco de vivo debate entre social-democratas e socialistas, a propósito da hipotética ponte a jusante do rio Minho.
Abílio Silva, líder do PSD, foi a voz da estratégia "laranja", a propósito das declarações de Pita Guerreiro à imprensa, em que revelou não ser prioritária a construção de uma ponte mais próxima da foz do Minho, antes advogando o prolongamento do IC1 até Valença. Abílio Silva afirmou discordar deste posicionamento, acrescentando que o governador civil não era favorável à nova travessia, entendendo assim que seria oportuno pedir a Pita Guerreiro que se empenhasse na sensibilização do Governo para que a ponte viesse a ser uma aposta segura. Pediu ainda à assembleia que a proposta apresentada fosse remetida ao representante do Governo no distrito. PS NÃO QUER PONTE FORA DO CONCELHO DE CAMINHA
A reacção socialista não se fez esperar, com António Bernardo, chefe de bancada deste partido, a lamentar que o PSD estivesse a acusar uma pessoa que não estava presente, além de referir que Pita Guerreiro não se tinha declarado contra a construção da ligação, apenas considerava que a obra não era prioritária. O PS de Caminha comunga desta opinião, tendo ainda recordado que o PSD e Júlia Paula vinham defendendo uma ponte fora do concelho de Caminha, a qual iria apenas beneficiar Viana do Castelo -"daí o interesse da "Valimar", frisou-, ficando Caminha de lado. "Queremos uma ponte que sirva Caminha e por ela lutaremos", salientou o deputado municipal "rosa", pois "já basta de esvaziar Caminha", denunciou, defendendo ainda que a obra deveria abranger todos os estudos de impacte ambientais necessários, coisa ainda não concretizada até à data. "QUEREMOS É A PONTE" Em resposta, Abílio Silva negou ter acusado Pita Guerreiro mas reafirmou ter a certeza de que o governador tinha dito que não queria a ponte. Precisou que tal empreendimento ultrapassava a própria vontade da autarquia e criticou a opção pelo ferry, acrescentando que o barco tinha sido mais caro do que ficaria agora a travessia para Espanha. Aproveitou ainda para introduzir a presidente da câmara na discussão, face à alusão feita por António Bernardo, pedindo-lhe que esclarecesse a assembleia se tinha havido algum "desenvolvimento" deste projecto. "JÁ HÁ UMA COMISSÃO"
A autarca negou "protagonismo pessoal" na travessia, acompanhando as palavras do seu colega de partido Abílio Silva ao afirmar que "não era uma obra camarária" e que o processo "já vinha de trás", desde o executivo anterior e que tinha incluído a ponte no seu manifesto eleitoral de há quatro anos. Disse já ter sido constituída uma comissão e assegurou que a ligação será construída através das verbas do Interreg, cabendo ao estado português custear apenas uma parcela do orçamento. Insistiu que não deverá ser perdida "esta oportunidade", devendo ser tudo articulado com o lado espanhol e a Xunta da Galiza (refira-se que esta reunião decorreu antes da mudança operada no Governo Galego, em que o PP foi destronado por uma coligação de esquerda, após as eleições autonómicas de 19 de Junho), chamando ainda a atenção para a construção da nova via rápida (Vial) entre Tuy e A Guarda, o que beneficiaria o entrosamento com a travessia. O assunto não ficou por aqui, insistindo António Bernardo em que uma ligação deveria "estar ao serviço do concelho de Caminha", não aprovando, portanto, a que querem ligar ao IC1 (através de Gondarém, Vila Nova de Cerveira), com os impactes negativos em Lanhelas e Vilar de Mouros, perguntando ainda à presidente quais tinham sido as oportunidades perdidas, ao que esta respondeu terem sido as que "não se fizeram há 25 anos".
A proposta do PSD foi aprovada com os votos contrários do PS e CDU, alguns presidentes de junta socialistas abstiveram-se, tal como o de Vilar de Mouros (CDU), mas Rui Fernandes, autarca de Lanhelas, nem sequer votou favoravelmente a sua admissão para discussão, como o regimento da assembleia prevê.
Após a votação, em declaração de voto, o socialista Manuel Vilares -que já tinha sugerido a retirada da mesma, por a considerar "ofensiva" e um "afrontamento" ao governador civil, além de conter erros de português- precisou que o PS não era contra a ponte, mas sim contra o conteúdo da proposta.
Também Francisco Cunha (PSD) considerou a proposta "inócua", apesar de a ter aprovado, face ao posicionamento já assumido por Pita Guerreiro, embora reputasse de "politicamente incorrecto" dizê-lo (que a ponte não e prioritária) publicamente.
O presidente da junta de Azevedo, José Luís Lima, também se quis pronunciar sobre a polémica, dizendo que as freguesias do interior como a sua, vinham sendo prejudicadas com as políticas do passado, dando como exemplo a estrada Riba d'Âncora - Azevedo, apenas agora materealizada, conclindo as suas palavras, dizendo que "o PS é maroto mas de simpático não tem nada". "RAPAZIADA"
O termo utilizado por Abílio Silva -"rapaziada"- para zurzir naqueles que criticam as obras da autoria da câmara e que "não se coíbem de dar palpites e se pronunciam doutoralmente e com todo o saber" sobre elas, designadamente a propósito da Pr. da República de Vila Praia de Âncora, levantou nova celeuma. "Quem é essa rapaziada, senhor Abílio?", questionou António Bernardo, levando o eleito "laranja" a dizer que "parece que o sr. Bernardo se inclui nessa rapaziada…" OBRAS ELOGIADAS
As obras em curso motivaram outras intervenções, como foi o caso de Carlos Mouteira, presidente da Junta de Caminha, preocupado com o que se diz sobre a falta de estacionamento na sede do concelho. Negou que o estacionamento tivesse diminuído e que "num futuro próximo" haverá "mais locais de aparcamento", concluindo que mesmo nos dias de feira, há locais para estacionar na vila, enumerou-os e prometeu que serão criados mais espaços, nomeadamente, junto ao Tribunal. Defendeu ainda as alterações e condicionalismos impostos, dando como exemplo a "inexistência de conflitos de trânsito", decorrentes do fecho da R. 16 de Setembro. Este eleito pelo PSD, aproveitou ainda para criticar uma hipotética eliminação das freguesias com menos de 1000 eleitores, dizendo que se tal sucedesse, o conceho de Caminha ficaria reduzido a quatro freguesias: Caminha, Seixas, Vila Praia de Âncora e Moledo.
De igual modo Manuel Marques, presidente da Junta de Vila Praia de Âncora se manifestou agradado com as obras que decorrem em todo o concelho, enfatizando as da sua freguesia, dando os parabéns à câmara pelo "surpreendente dinamismo e capacidade de execução que tem manifestado". POUPANÇA DE ÁGUA
Coube ao social-democrata João Pereira recordar aos presentes a necessidade de poupar água, "evitando desperdícios", tendo citado alguns exemplos no sentido de "educar os nossos jovens para esta realidade (falta de água)" que já aflige inúmeros concelhos deste país. PROBLEMAS DE VILA PRAIA DE ÂNCORA
As razões pelas quais se mantêm intactos dois imóveis adquiridos pela Câmara, bem como o respectivo logradouro, a poente da R. da Lagarteira, em V. P. Âncora, o impasse que se mantém no interior da ludoteca desta vila -após ter sido afirmado que apenas aguardavam pelo equipamento respectivo- e algumas deficiências detectadas nos contentores do lixo, bem como a localização de um eco-ponto na R. do Sol Posto, foram alvo de uma intervenção do deputado Domingos Vasconcelos, da CDU. Como resposta a cargo de Júlia Paula, este autarca soube que as demolições na Lagarteira decorrerão em articulação com as obras que decorrerão na R. Cândido dos Reis. A presidente disse ainda terem sido "goradas as expectativas" quanto ao recheio da ludoteca, ao contar que a candidatura global da obra contemplasse o equipamento necessário, vendo-se assim obrigada a lançar uma outra candidatura a fim de suprir essa falha. Quanto à falta de limpeza dos contentores e outras deficiências citadas por Domingos Vasconcelos, assacou as culpas a quem não os utiliza bem, realçando o "esforço" camarário para melhorar este sector, referindo ainda que a instalação de eco-pontos fora objecto de uma candidatura. PONTÕES ORIGINARAM INTERVENÇÕES
Outro eleito pela CDU, Mário Molinos, insurgiu-se contra a aprovação pela AM da taxa de passagem dos telefones, levando a que os custos já estejam espelhados nas respectivas facturas mensais dos utentes, com excepção dos municípios geridos por esta coligação, onde elas não foram aplicadas. Júlia Paula contrariou-o, dizendo que estão em curso em todo o país.
O delegado criticou também a instalação de um pontão fluvial na foz do rio Coura, sem respeito por quem gere a Rede Natura 2000 e perguntou, porque razão o Chafariz de Caminha continua entaipado, se dizem que está pronto?
Através da resposta da presidente, soube-se que o Chafariz aguarda parecer positivo para a instalação de um sistema de iluminação ("seria melhor que se preocupassem com o encerramento da Matriz", sublinhou) e no que se refere ao pontão, explicou que fora o GTL que elaborara o projecto, acompanhado pela Direcção Regional do Ambiente e será colocado quando o empreiteiro o entender.
Ainda relacionado com outro pontão, o da foz do rio Âncora, em resposta a uma interpelação do social-democrata Hélder Miguéis, assinalou que apenas falta definir o material eléctrico e que as pedras colocadas na praia, retiradas de um dos pegões, serão removidas, logo que se defina um monumento que constitua uma memória dos ancorenses. A presidente informou ainda que está em curso uma candidatura destinada a requalificar o Consistório e a zona envolvente da Capela da Misericórdia de Caminha EVOCAÇÃO
Nesta reunião, foi aprovado um voto de pesar e respeitado um minuto de silêncio apresentados pela CDU, pelo desaparecimento de Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade. |
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