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Domingo Gastronómico – O Debulho de Sável e o "Arroz de Debulha" - Vila Nova de Cerveira – 30 de Abril / 01 de Maio Com a chegada da Primavera, dá-se a aparição do SÁVEL, o peixe símbolo do rio Minho, pelo seu valor sócio-económico, a sua história, a etnografia e a gastronomia. Era a espécie básica, que tanto alimentava a comunidade piscatória como lhe servia de suporte económico. A rede utilizada na apanha do sável era o algerife e os pescadores distribuíam-se pelas conhecidas cobradas (onde se realiza, em frente a Gondarém, o tradicional Lanço da Cruz na Segunda-Feira de Páscoa), chegando mesmo cada cobrada a apanhar num dia milhares de sáveis. Uma pequena parte dos sáveis capturados era para os pescadores, cabendo à mulher a tarefa de o comercializar, indo rogá-lo de porta em porta, cortado às postas. Na maioria das vezes, os compradores preferiam as postas maiores, com mais "carne", ficando as vendedeiras com as partes "menores" do sável – a cabeça, o rabo, o deguladouro (posta junto à cabeça), as postas mais pequenas e as ovas. Como a necessidade aguça por vezes o engenho, havia que se encontrar uma forma de aproveitar as partes do Sável menos requisitadas, chegando-se assim ao Debulho com que se alimentavam, hoje considerado um "verdadeiro pitéu". O mesmo se passava em Covas (Vila Nova de Cerveira), com o "arroz da debulha". Debulha, malhada ou escarolada. Depois de bem secas as espigas eram malhadas , escarladas ou debulhadas. Colocavam-se no meio da eira, onde eram batidas com os manguais. O grão separava-se do carolo, sendo depois joeirada e guardada em caixas. O "arroz da debulha" ou da "malhada" era servido já depois do grão estar nas caixas, os carolos escolhidos para o gado e os canhos (moínha), para encher travesseiros. Era feito num grande panelão onde a patroa, a boa hora, tinha lançado em grossos nacos, a colada inteira de um vitelo, tradição velha que o mordomo era obrigado a mandar servir em festa do Corpo de Deus. Aos comensais só lhes era exigido duas coisas: estômago vazio (!) uma escudela e uma colher para se poder servir. No fim, o anfitrião fazia circular entre todos os presentes a sua caixa de rapé. E nenhum dos convidados, mesmo moça galante ou noiva jurada, deixava de servir-se da pitada do aromático "meio-grosso" ou "vinagrinho". Debulho de Sável Desde tempos remotos que o sável se pesca nas águas do Rio Minho. Em Cerveira os pescadores pescavam sável e as mulheres encarregavam-se de o vender, indo muitas das vezes de porta em porta vendê-lo ás postas. Como na maioria das vezes os compradores só queriam as postas maiores, elas ficavam com as partes mais fracas do sável que eram a cabeça, o rabo, as ovas e as postas pequenas. E, assim surgiu o saboroso Debulho de Sável. O sável deve ser bem escamado e limpo. Em seguida, corta-se a cabeça e o deguladouro (posta junta à cabeça). Junto a este está o fígado ao qual se extrai o fel. Tiram-se as ovas e aproveita-se todo o sangue possível que irá servir para a calda. Cortam-se, também, o rabo e as postas mais pequenas. Num recipiente, coloca-se então o debulho, que é composto pela cabeça, deguladouro, o rabo, as postas mais pequenas, as ovas e o fígado. Tempera-se com sal, salsa, louro, pimenta, cravinhos e cobre-se com vinho verde tinto. Deixa-se marinar durante umas horas. Num tacho, pica-se uma cebola grande e deita-se um pouco de azeite, vai ao lume e logo que a cebola esteja estalada, adiciona-se um pouco de pimentão, o debulho e a respectiva calda. Cozido o peixe, retira-se para um recipiente ao lado. À calda inicial, junta-se a água necessária para cozer o arroz e uma boa colher de vinagre. Assim que o arroz esteja cozido, junta-se o debulho e rectificam-se os temperos. Deixa-se repousar uns minutos e serve-se o arroz a fugir pelo prato. Sável Frito Escolha-se as melhores postas do sável que devem ser cortadas finas, lavadas e sangradas. Temperam-se com sal e fritam-se em óleo, não muito porque o peixe é gordo. Serve-se acompanhado de arroz branco, alface e limão. Biscoitos de Milho 100 grs de farinha de milho, 250 grs de farinha de trigo; 1000 grs de açúcar; 250 gr de manteiga; 8 ovos inteiros; 1 colher de sopa, bem cheia de canela; 1 colher de chá de fermento; Limão q.b.). Misturam-se as farinhas, o açúcar, canela, limão e fermento. Derrete-se a manteiga, que se junta, bem como os ovos, depois de bem batidos. Amassa-se tudo muito bem com as mãos. Após a massa repousar cerca de meia hora, passa-se pela máquina própria e vão ao forno em tabuleiro untado com manteiga.. Programa de Animação Dia 30 Abril - Sábado
Dia 1 de Maio - Domingo
Conclusões do XVI Congresso de Gastronomia do Minho e IV Luso-Galaico – Guimarães – 21 a 24 de Abril de 2005 No reconhecimento de Guimarães como "Berço da Tradição e Desenvolvimento", signo sobre o qual decorreu o congresso, foram registados como dignos de atenção os seguintes aspectos: A tradição portuguesa na área da cultura, a gastronomia incluída, teve em Guimarães o seu berço, factor que deve ser tido em consideração em todos os projectos e acções a promover na área do Turismo e da Restauração; Foi reconhecida a necessidade de uma política de desenvolvimento rural, com a criação de meios para tal necessários, como a instituição de um fundo comunitário a tal destinado; A necessidade de política de apoio ás micro-empresas de natureza familiar ou não; Reconhecimento das vantagens da criação de associações de empresas para ultrapassar dificuldades de produção e comercialização; A necessidade de certificação de um maior número de produtos agrícolas ou ligados à Restauração; A adopção de medidas com vista à promoção e escoamento dos produtos; A divulgação das normas comunitárias sobre o apoio à produção agrícola; A sensibilização dos consumidores para aquisição dos produtos nacionais (e sobretudo regionais, sempre que existam nos mercados locais); A maximização do aproveitamento dos fundos comunitários e outros; Necessidade de um controlo rigoroso de qualidade; O ensino superior e profissional foi considerado como um instrumento fundamental de melhoria da qualidade do Turismo e dos seus ramos, nomeadamente da restauração; No que se refere ao ensino impõe-se uma mudança de mentalidades com abertura aos avanços tecnológicos e à inovação; Nem sempre o reforço do saber se traduz no aumento do "saber-fazer", donde a necessidade da transposição da teoria para a prática; A exemplo da insistência, sempre mantida nos anteriores congressos, mais uma vez se insiste na necessidade de cursos, mesmo que intensivos, de reciclagem profissional; Foi considerado positivo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela ATT – Associação de Técnicos de Turismo e a sua constituição como elo de ligação entre os técnicos formados em turismo e o mercado de emprego no sector turístico, público e privado; Foi considerado muito positivo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo "Observatório de Turismo Cultural" pelos alunos do Curso de Turismo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, tendo sido considerado um projecto exemplar a ser adoptado por outras escolas de Turismo com vista a inserir os alunos na resolução dos problemas práticos do Turismo nas respectivas regiões e a nível nacional; Foi considerado que a atribuição a Guimarães do estatuto de Património Mundial é uma considerável mais valia que não pode ser desconhecida pelo sector turístico, nomeadamente a restauração, que disso deve tirar proveito e assumir responsabilização; Foi reconhecido que Guimarães dispõe de uma centralidade turística de largo alcance, desde o património histórico e património construído a uma significativa valia na área da restauração, pela disponibilidade de um variado parque de estabelecimentos de restauração de grande qualidade e a disponibilidade de uma carta gastronómica muito rica e variada; Foi reconhecida a necessidade de elaboração de uma Carta Gastronómica de Guimarães (concelho) e considerada positiva a entrega de tal elaboração à Confraria dos Gastrónomos do Minho, tendo-se reconhecido a conveniência de, num futuro tão breve quanto possível, se elaborar uma Carta Gastronómica para todo o Minho, como está previsto nos Estatutos da Confraria; Igualmente foram consideradas positivas as achegas e todas as colaborações dadas ao Juiz da Confraria na elaboração da Carta Gastronómica; Foi considerado de grande valia uma maior aproximação à vizinha Galiza, com aproveitamento das sinergias de tal resultantes, no sector da restauração, com a concretização, entre outras medidas, de um próximo congresso naquela vizinha região de Espanha e uma maior participação conjunta das duas partes nos congressos futuros; idem, em outros Concelhos do País, aumentando, assim, as parcerias consignadas nas Conclusões do VI Congresso de Gastronomia. Mostra da Oralidade Galaico / Portuguesa – Centro Cultural de Paredes de Coura – dias 29 e 30 de Abril de 2005 Actos de Apoio à Candidatura de Património Imaterial Galaico / Portuguesa Programa: dia 29 de Abril – 15,30 horas – Jogos Tradicionais e Contos para os Jovens – Museu Regional; 17 horas – Inauguração da Exposição de Maias. Dia 30 de Abril – Animação de Rua com Grupo de Zés P’reiras de S. Martinho de Coura (bombos, gaitas galegas e concertinas); 10,00 horas – Inauguração da Exposição "A Terra e os Homens" de Walter Ebeling; 10,30 horas - Conferência sobre a Candidatura do Património Imaterial Galaico / Português com Santiago Veloso, Xosé Manuel Reboredo e Álvaro Campelo; 15,30 horas – Visionamento do filme "Uma lavrada em Paredes de Coura 1970" de Benjamim Pereira com comentários pelo próprio; 17,00 horas – Reconstituição de um Serão Tradicional (com gastronomia local) no Museu Regional (Associação Cultural de Lamamã); 21,30 horas – Festival MOSTRA DA ORALIDADE GAALICO / PORTUGUESA com Luís Portugal, Eiravella-Galiza; Escola de Concertinas da Associação de Moselos – Paredes de Coura. Luso Galaico – Surfrider Foundation – 30 de Abril e 1 de Maio A VIII edição do campeonato Luso Galaico (LG), está agendada para o fim de semana de 30 de Abril e 1 de Maio. Dependendo das condições do mar, a organização poderá realizar a prova na praia do Cabedelo ou na Praia da Mariana (Afife). A novidade associada ao campeonato LG é a abertura de uma Delegação Portuguesa do Surfrider Foundation. Depois de oito anos de trabalho em conjunto, finalmente, estão reunidas as condições para o Surf Clube de Viana abraçar mais um ambicioso projecto. Este célebre evento que reúne, anualmente, uma centena de participantes portugueses e galegos, será disputado nas categorias: Surf Open, Bodyboard Open, Longboard Open, Surf Feminino e Bodyboard Feminino. Serão distribuídas quatro viagens às Canárias (oferta Abreu) e mais de 4 000 Euros em prémios. Decorrerá, paralelamente, 0 3º Fim de Semana Ecológico para a Protecção do Litoral e dos Oceanos com o apoio da Surfrider Foundation Europe. Esta campanha europeia de Primavera é composta por uma limpeza de praia, eco concerto e work shop’s ambientais. Participarão vários agrupamentos de escutismo e guias da cidade de Viana do Castelo, bem como os surfistas presentes. Na Sexta-feira e Sábado haverá festa no Bar Azeiteiro (patrocinador oficial LG 2005). Para mais informações e inscrições: info@surfingviana.com / Telem. 937589842 / 96 5601412. Concurso d’As Maias – Delegação de Turismo de Vila Praia de Âncora – 1 de Maio de 2005 As tradições d’As Maias no Vale do Âncora Segundo reza a lenda, Herodes soube que a Sagrada Família na sua fuga para o Egipto pernoitaria numa certa aldeia. E estava já disposto a mandar matar todas as crianças do sexo masculino. Perante tal morticínio, um outro Judas, informa-o de que tal não valia a pena, Também, não lhe dizia onde estava o Menino Jesus, mas colocaria um ramo de giesta florida na casa onde pernoitasse. Assim, bastaria à soldadeza procurar a tal casa e, pronto!... Porém, qual não foi o espanto dos legionários quando, na manhã seguinte, todas as casas da aldeia apareceram com o tal raminho de giesta florida! F. Sampaio in Alto Minho, Produto Turístico I A lenda reside ainda no imaginário das populações, porém, à tradição d’as Maias não é alheia a natureza exuberante da Primavera, onde tudo rebenta e explode numa profusão de cores e perfumes intensos! Ainda era hábito em Vila Praia de Âncora na década de vinte, no início do mês de Maio, celebrar-se a "Missa das Flores". Cestos de pétalas e lágrimas eram abençoados no Altar e acto contínuo jovens moças desciam pela Igreja e lançavam-nas aos punhados para cima dos devotos. Estes por sua vez, recolhiam-nas em lenços, e, em cânticos e hinos seguiam o Pároco nas voltas de circunstância à Igreja. Levavam-se as pétalas benzidas para casa, mas o seu perfume envolvia toda a paróquia desde a igreja a cada recanto da freguesia, casas e arcas do bragal... Traziam felicidade e benção para o ano inteiro! Nesta época, dizem que "o Maio é doudo", "o demo e as bruxas andam à solta" e estes podem entrar em casa do dia 30 de Abril para o dia 1 de Maio! E se a casa não está "protegida", o "diabo entra e lá fica todo o mês de Maio"! Então, ao pôr-do-sol do dia 30 de Abril, cumpre-se a tradição! O Alto Minho, na alvorada do dia 1 de Maio, surge todo vaidoso e com fato domingueiro: nas entradas das quintas e casas agrícolas, capoeiras, cortes e gado, carros de bois, tractores, automóveis, em todas as portas e janelas, varandas e ralos das fechaduras, lá está, orgulhosa, a mancha amarela do raminho da giesta! Assim, casas e gados ficam protegidos dos maus espíritos e com sorte para o resto do ano! Mas, aos cultos antigos conotados com os rituais de fertilidade e início de um novo ciclo de vida, também não são alheios a sensualidade da época, a natureza envolvente, o prelúdio de novos romances e namoros... E as "marotices" que, no Vale do Âncora ainda envolvem, seja a confecção da Maia e a sua colocação por parte da moça e, por outro, a tentativa de a "roubar" pelo moço na calada da noite, não são mais do que jogos de amor... As raparigas solteiras, briosas, elaboram cada uma a sua coroa, escondendo-a das suas "rivais", aperaltam-na com um grande laçarote em papel de seda ou crepe (ou se não houvesse, em tempos idos, em papel de jornal ou de embrulhar o bacalhau) e só a colocam ao lusco-fusco, para que ninguém a copiasse... A sua obra de arte assumia-se como o talento das suas mãos e o espelho das suas feminilidade e identidade! Os rapazes solteiros, por sua vez, vão organizando o seu grupo de "assalto"... Por voltas das 9 ou 10h da noite já começam a "rondar". Note-se que nunca iriam a casas de mulheres casadas ou de famílias constituídas. "O respeito é muito bonito", diz-nos um dos "moços" da época. Tão pouco era permitida a entrada no grupo de homens casados, "nada de confusões para quem está já arrumado"! As visadas eram sempre as moças solteiras, casadoiras e as mais bonitas... Não falhava nenhuma! "Muito gostávamos de as arreliar!" Os rapazes levavam uma escada e, na sua falta, empoleiravam-se nos ombros uns dos outros e, de canivete ou foucinha em punho, ceifavam as coroas, uma a uma... "Claro está, que algumas raparigas estavam com a luz acesa a impor respeito, mas nós sabíamos muito bem que aquilo era tudo manha"; outras estavam mesmo de atalaia, no escuro, e vai daí, a rapaziada apanhava com um grande balde de água fria (ou com o penico e respectivo conteúdo...) nos costados!. Outras Maias estavam "armadilhadas" – com seixos, pedras, vasos, ou, em tempos mais modernos electrificadas! Quem se aventurasse, a sorte ainda era pior! Mas havia mesmo algumas raparigas que ficavam toda a noite à janela, a ter conta na Maia! Aí é que era o cabo do trabalhos! Ainda fazíamos umas "manobras de diversão" – o grupo dividia-se, uma parte cantava-lhes uma serenata no outro lado da casa, entretanto o outro "fanava" a coroa do outro! Mas as moças que nos "desafiassem" não ficavam esquecidas e no ano seguinte "estavam marcadas". Logo, nos Santos, "roubávamo-lhes" todos os vasos da casa e até os carros de bois... Depois de todas as Maias apanhadas, na maioria das vezes, "enfiavam-se numa corda que se pendurava no adro da Igreja, ou, entre dois postes altos onde ninguém lhe chegasse, num dos caminhos mais movimentados. Eram os nossos troféus! Ou então, colocávamos as coroas por cima dos bancos do Adro e no dia seguinte era vê-las, todas coradas, a recolher cada uma a sua Maia! E nós, à espera, era logo momento de "meter conversa" e muitas vezes chegávamos "à fala" (namoriscar)! Em Vila Praia de Âncora a tradição de "ir roubar as Maias" já caiu, infelizmente, em desuso, porém, nas freguesias do interior do Vale do Âncora muitas destas tradições ainda hoje se mantêm.
A Confecção d’a Maia A roda da coroa é feito com os ramos mais grossos da própria giesta e à coroa também se chama "regueifa". É obrigatório deixar "à mostra" um raminho de giesta. Depois, escolhem-se as flores a gosto (conforme o uso da freguesia e as que houver na altura) e vão-se atando sempre à volta com cordão ou fio de vela. No fim, decora-se com um grande laço a condizer com a tonalidade das flores utilizadas, mas este é opcional, sendo que em algumas freguesias não existe a tradição do laço. Flores e cores utilizadas nas freguesias do Vale do Âncora Amonde – Flores de noveleiro, marucas, urzes, rosa vermelha trepadeira, jarro
Âncora – Mariquinhas, copos, sardinheira, alecrim, rosas silvestres ou de muro, com laço muito grande em crepe ou jornal, ou papel de embrulho (bacalhau) Argas – Carrasco, malmequer, espigas de centeio;
Dém – marucas, carqueja, urze, rosas vermelhas, rabaças, jarros, flores do campo ou do jardim , nunca compradas ; o laço é opcional Freixieiro de Soutelo - Rosas vermelhas, giesta, mariquinhas, jarros; a coroa é armada em palha, coberta com giesta urze; o laço, raro, em papel crepe Gondar – Giestas e rosas vermelhas ou brancas, sem laço Orbacém – Rosas, jarros e giesta, sem laço Riba d’Âncora – Rosas, jarros, giesta, rabaças, sabugueiro, mariquinhas, laço em papel de seda ou crepe S. Lourenço da Montaria – giesta, jarros e rosas
V.P.Âncora – rosas, malmequeres, pampilhos, sabugueiro, jasmim, urze, copos, carqueja; laço em papel de seda, crepe ou jornal Vile – Rosas, carrasco, sabugueiro, giesta, com laço em papel crepe amarelo ou rosa
Colaboração na recolha: Escolas do Vale do Âncora FESTAS, FEIRAS E ROMARIAS / 2005
Correspondendo ao apelo da RTAM, mesmo em tempos difíceis, o Alto Minho prepara a época de Verão com muita animação e tendo como vector promocional as já tradicionais Festas, Feiras e Romarias’2005 compiladas em brochura que acaba de ser apresentada à Comunicação Social.
No corrente ano, entre Maio e Setembro, a região de Turismo do Alto Minho conta com um total de 883 eventos (menos 39 que o ano anterior de acordo com gráfico por concelhos) A FESTA E A TRADIÇÃO Já tentamos uma definição (SAMPAIO, 1991): FESTA – meio de expressão religiosa da comunidade; FEIRA – Lugar de troca , de mercado de compra, de medida e do preço; ROMARIA – Lugar de peregrinação. A origem da Festa tem um carácter agrário. Está ligada ás quatro estações do ano – Primavera, Verão, Outono e Inverno. Aos solstícios e aos equinócios. Aos "quatro" elementos que dão significado á vida: Fogo ... sol, luz e amor; terra ... árvores, , raizes, chão e casa; Água ... chuva, fontes, rios e mar; Ar ... vento, ideias, folhas, golpe de asa. Chegaram até nós desde o Neolítico, altura em que o Homem aprendeu a domesticar tudo, a ele próprio e ao grupo com normas, com leis. São os Maios que acabamos de celebrar – para afugentar o feitiço, a entrada das bruxas, para afastar a fome, para não matar o "menino". O Maio não se retira no dia seguinte: deve murchar. São as fogueiras de S. João (solstício de Verão), as orvalhadas, as virtudes das ervas, os banhos matinais, os linhares, as moiras encantadas, os folguedos, o alho porro, os manjericos, os namorados; a Festa das Colheitas, as desfolhadas, os serões, as vindimadas; S. Martinho, o Magusto; a lareira e o reizeiro do Natal; as "aluminadas" e os "fachoqueiros"; as janeiras e o S. Silvestre; o entrudo e o Pai Velho; a Serração da Velha; "Ana, Magana, Rebeca, Suzana, Lázaro, Ramos na Páscoa estamos: o Compasso pascal, o lanço da cruz; os clamores; as rogações; os "misereres", a queima do Judas, o testamento do Galo. A FESTA E A FEIRA Toda a Festa, no Alto Minho, tem um poucochinho de Feira. Tradicionalmente ligadas às grandes solenidades religiosas – Páscoa, Natal, Corpo de Deus, S. João, S. Miguel, Todos os Santos e porque "vacava o povo das obras servis" assim lhe advirá o nome de feira ou feirão. Feira que é sempre motivo de extravasamento, de saída da comunidade, de encontros, de folguedos e de excessos. (...) Dei uma volta pela Feira. Não era Feira. Era um arraial movimentado cheio de cor e de luz onde se acotovelam as pessoas entre barracas e toldos, chitas e fazendas, loiças de barro, dornas e aduelas, tudo numa alegria difusa e constante, em que se misturam as chinfrineiras dos altifalanetes, o vozear dos feirões, os cestos de galináceos e coelhos, as vendedoras de hortaliças e batatas, a carne de porco fresca, o presunto e o chouriço caseiros, as peixeiras de Âncora com o polvo da pedra e a sardinha d’alvorada, os tabuleiros dos ourives, tudo apreçando e marralhando, sem pressas, numa cavaqueira contínua que o Dia é Santo e a véstia Domingueira a isso obriga. O SAGRADO E O PROFANO - AS PROMESSAS A romaria tradicional tem um caminho. São locais de peregrinação exteriores à paróquia, em nome de um santo ou de uma santa, a mor das vezes até "Senhoras" veneradas em lugares distantes e inacessíveis e que são o climax de toda uma tradição cultural ainda hoje imponente no contexto etnográfico do Alto Minho e vizinha Galiza, englobando na mesma matriz a Festa como acto religioso e o Arraial como sentimento lúdico. São os cultos locais que uma fé e uma mística de milénios obrigam à construção de capelas, mosteiros e santuários, dedicados ás imagens milagreiras (Senhora da Peneda), corpos inincorruptos (Santo Aginha), aparições sobrenaturais (Senhora do Livramento), cruzes, oratórios e alminhas que, semeados a esmo, recriam no imaginário, recordações de mortes e assassínios (para a justiça do Estado criminosos e ladrões), e que o minhoto entronizou em altares e lhe deu a benção de canonização popular. Cumprem-se os ritos de presença com as voltas ao santuário (muitas vezes de joelhos), mostrando o ex-voto e as dádivas: sal e telhas (quando roubadas melhor) para o S. João d’Arga; leite para S. Mamede; os cravos para S. Bento; o frango preto para S. Bartolomeu do Mar; o frango branco e estrigas de linho para Santa Justa; os pernis e as orelheiras para Santo António; broas, bolos caseiros, galinhas, até malgas de vinho, para S. Cristóvão; quinhão do pescado (Senhora da Bonança); ex-votos a que também chamam milagres, objectos de cera e que nas "casas" das promessas são a história comovida de quem diz obrigado ao Santo ou à Santa; as mortalhas, como ainda acontece nas procissões de mar da Senhora da Bonança e da Senhora d’Agonia; caixões de "vivos", na Senhora da Peneda (Arcos); Senhora da Saúde, Senhora da Boa Morte (Ponte de Lima); Senhor do Bonfim (Monção), agradecendo o facto de se terem livrado temporariamente do "passamento". ENTRE O ALTAR E A MESA Nas Festas tradicionais, compete às "Mordomas", quatro moças solteiras escolhidas por lugares, mas sob condição que não pese sobre nenhuma delas qualquer fama, a obrigação de erguer o "arco" festivo; preparar com as amigas o "cesto" de flores (ex-votos); "fazer o peditório" acompanhadas pelos festeiros e uma tocata (concertinas e Zés Pereiras), levando consigo "balaios" para o transporte das "esmolas" de milho, centeio, ovos, prendas para o bazar e os festeiros , varas rijas de carvalho para o transporte de chouriços e fumeiro; levar em tabuleiros o leilão dos "bichos" e o leilão das "roscas"; os segredos; serem responsáveis do bazar; assistir à Missa da Festa, com a vela votiva acesa (se apagasse seria na voz do povo sinal de falta de "pureza" da Mordoma). Eram, também, zeladoras das comedorias do "Santo" ou da "Santa", já que o comer e o dormir junto da igreja, capela ou mosteiro (quartéis), reforçam no minhoto os rituais de presença. Cabrito à moda da Serra d’Arga (assado, guisado, sarapatel), é servido pelos Festeiros, na Romaria de S. João d’Arga; Bife de vitela e melão (Senhora do Porto d’Ave); arrozada de galipanso preto (S. Bartolomeu do Mat), solhas (Senhora da Saúde – Lanhelas); Sarrabulho (Feiras Novas – Ponte de Lima); Cozido de Reis (Comissão do Pai Velho – Lindoso); Jantar da Cruz (Compasso Pascal – Fontão/Ponte de Lima); Lampreia (Lanço da Cruz – Valença); mel (S. Mamede – Areosa); Doçaria Popular - rosquilhos, bate, papudos, os doces de sequilhar, bolos brancos de gema, os beijinhos da Páscoa (todas as romarias); figos e vinho branco (Santo Amaro – Meadela/Vila Fria/Ancora); Festa do Bolo (N.S. da Conceição da Rocha – Nogueira / V. Castelo); Senhor do Socorro (Labruja - Ponte de Lima) que, para além dos quartéis tem sete fornos de pedra junto ao santuário onde os peregrinos assam os tradicionais cabritos e anhos. E se muitas das romarias não cumprem já esta tradição, que competia às Mordomas, e dos Romeiros falham as condessas onde levavam os farnéis, mantém-se o costume de se abancar nas tendas de Bem Comer e Beber que continuam a exaltar os produtos de cada região: os enchidos e fumados, polvo e pataniscas, iscas, escabeches e panados, os cozidos, as cabidelas, as bacalhaozadas, o galo do campo, os pipos bojudos de vinho verde. O mesmo se poderia dizer do tempo de matanças e de sarrabulhos, do Natal (o mais solene banquete da família Minhota; as rabanadas essência da Ceia de Natal), da Páscoa, do Corpo de Deus, das fogueiras de S. João (quando a sardinha pinga no pão), do S. Martinho (castanhas e vinho), do Carnaval (focinho e orelheira) e até de tempos quaresmais onde o lampreote é rei. Se aliarmos as Feiras do Artesanato, da Gastronomia, de Vinhos, hoje transformadas já em Mostras/vendas de produtos turísticos do Alto Minho, hemos de reconhecer o valioso contributo para o dinamismo económico local, da tradição dos antigos e arreigados "peditórios" , "leilões" e "Tabuleiros de oferendas", das "Mordomias" neste interessante e significativo processo de renovação de mitos e ritos ancestrais. Não foram os Monges Cistercienses quem, entre o seu "ora et labora", trouxeram no Séc. XII por caminhos do românico e de Santiago, esse vinho fidalgo e sonhador que se chama Alvarinho? Os jovens e a tradição Outra palavra que tem causado mossa a muita gente e claro muita inveja é a palavra Tradição, quando a RTAM apresenta a brochura das Festas, Feiras e Romarias de Maio a Setembro com um total 883 eventos, o que levou a dizerem que a maior parte destas Confrarias e Comissões de Festas já tinham dificuldades em manter os usos e costumes estando envelhecidas, não tendo juventude, nem revelando na organização dos festejos os consagrados números das Romarias e que sempre metem as filarmónicas, o cortejo etnográfico, o leilão das oferendas, a missa da festa, os arraiais, os foguetórios e em referência ao sagrado, a procissão com o pálio, andores e muitos anjinhos. Felizmente que sociólogos e antropólogos de algumas Universidades vêm dizer que isso não é verdade. Felizmente reportagens realizadas por jornalistas e jornais que acompanham o nosso esforço de rejuvenescimento já confirmam o seguinte : As Romarias do Século XXI – São jovens. Jovens quadros ou estudantes. E dão todo o tempo que lhes sobram entre os exames ou o trabalho à cultura das localidades onde nasceram. Filhos da mobilidade e da globalização andam à procura das suas raízes e o Verão, com as suas centenas de Romarias, sabe a casa. Se depender deles, o futuro das festas populares está garantido (Abel Coentrão – Jornal O Público – 28 de Julho de 2002). SEM COMENTÁRIOS! Informações RTAM
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