CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 235: 30 Abr a 6 Mai 05 (Semanal - Sábados)

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Baleia piloto arrojada em Afife

A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente - APCA, graças à informação do colaborador Sr. Nuno Ramos, procedeu à recolha dos dados biométricos, de mais um mamífero marinho arrojado morto, na freguesia de Afife, desta vez um baleote.

O arrojamento deste mamífero marinho, ocorreu a cerca de 200 metros a norte da Praia da Arda, num troço de costa arenoso, conhecido pela designação de Praial. O espécime arrojado, é um baleote fêmea adulto, relativamente jovem, pertencente à família Delphinidae, espécie Globicephala melas, vulgarmente designado por baleia piloto de barbatanas compridas ou boca de panela. Com um comprimento total de 3,34 m e cerca de 1000 Kg, apresenta a particularidade de exibir diversos cortes na barbatana caudal, eventualmente, efectuados com o objectivo de amputarem a mesma. Embora o arrojamento tenha ocorrido na quarta feira passada o baleote apresenta um estado de decomposição que indicia que a morte terá ocorrido no mar alto à sensivelmente três a quatro semanas atrás, tendo sido somente agora arrojado devido à agitação marítima que se fez sentir nas últimas semanas. O arrojamento deste mamífero marinho, coincide com um conjunto de outros arrojamentos ao longo da costa ocidental portuguesa, a sul de Afife, salientado-se os seis arrojamentos registados no inicio de Abril, na orla costeira da freguesia de Areosa. Considerando que se trata de um baleote adulto, embora jovem, numa primeira análise, tudo indica que a causa da morte, ter-se-á ficado a dever, ao eventual aprisionamento em artes de pesca, o que terá ocasionado o afogamento deste cetáceo, e a posterior tentativa de amputação da barbatana caudal, não obstante espera-se que as causas da morte sejam rapidamente apuradas pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN) e Aquário Vasco da Gama, organismos estatais a que a legislação vigente atribui tais atribuições e competências, sendo porém do conhecimento público as dificuldades financeiras e de recursos humanos com que se debatem.

As baleias piloto de barbatanas compridas no espaço marítimo português encontram-se, essencialmente, em mar aberto, podendo mergulhar até cerca de 600 m de profundidade, embora geralmente não ultrapassem os 60 m, ou seja, em profundidades a menos de 10 Km da costa, podendo em determinadas situações, embora muito raras, aproximar-se da costa em perseguição de cardumes. É uma espécie que vive em grupos com cerca de 10 a 50 indivíduos, todavia no Alto Minho os indivíduos de um grupo, raramente ultrapassam a dezena de exemplares. As barbatanas peitorais deste cetáceo são inconfundíveis, sendo extremamente longas e afiladas, medido mais de 20% do comprimento total do corpo e inserindo-se nele bastante à frente, logo atrás da cabeça. O Anexo B-IV do Decreto - Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, aponta o baleote Globicephala melas como uma espécie animal de interesse comunitário que exige uma protecção rigorosa, por outro lado, a captura voluntária de cetáceos ou a comercialização de partes do corpo destes mamíferos marinhos constitui crime, severamente punido pela Lei.

Este arrojamento eleva para cerca de uma dúzia o número de cetáceos arrojados mortos no Alto Minho em 2005 e para duas centenas e meia o número de cetáceos, arrojados mortos, neste segmento da costa portuguesa, nos últimos 25 anos. O número de arrojamentos em 2005 começa a aproximar-se dos registados em 1994 e 1996, altura em que os pescadores minhotos denunciaram a utilização de explosivos e artes de pesca ilegais, por parte de pessoas estranhas às comunidades piscatórias locais. Face ao número crescente de arrojamentos, a APCA entende que as autoridades locais incumbidas da vigilância e fiscalização da orla costeira do Norte de Portugal devem ser dotadas com melhores meios materiais, para o exercício de tão importante missão, esperando-se que algumas das embarcações em construção nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, venham a ser utilizadas na defesa dos recursos naturais portugueses, nos quais se incluem as comunidades de mamíferos marinhos. Continuamos a alertar que é fundamental e urgente que os Srs. Ministros do Ambiente e da Agricultura e Pescas, em articulação com os pescadores locais, e os respectivos homólogos da Galiza definam com a máxima brevidade as medidas adequadas de protecção dos cetáceos, no respectivo espaço marítimo do Norte de Portugal / Galiza.

Informação APCA
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