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Nº 142: 19 a 25 Jul 03
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


"35 ANOS DE FESTIVAIS" APRESENTADO EM CAMINHA

"JÁ SE RESPIRA FESTA RIJA EM VILAR DE MOUROS"

"Ói, meus", assim saudou Isabel Barge todos os presentes ao lançamento do livro "Vilar de Mouros - 35 Anos de Festivais", ocorrido ao princípio da tarde de ontem (Sexta-feira) na Biblioteca Municipal -coincidindo com o início do Festival/03- em que a filha do carismático médico António Barge agradeceu ao jornalista Fernando Zamith a edição desta obra que recompila e evoca a gesta de seu pai, trazendo-lhe à memória um "tempo de recordações" e de "sentimentos contraditórios", assinalou.

Tendo como base a figura de António Barge ("o gozo que lhe daria ouvir falar deste livro ou ver as netas folheá-lo", destacou a sua filha), Fernando Zamith realizou um percurso de todos os festivais realizados até então, sustentado em reproduções fotográficas, jornalísticas e cartazes, entrevistas e depoimentos, concebendo uma obra exemplar que

acabará por assinalar a data do Festival em que ela foi lançada -pelo menos 2003 ficará com este registo particular no seu haver.

O facto deste livro repleto de vivências ter sido dedicado à figura tutelar de António Barge ("A sua vida foi uma aventura"-Isabel Barge), foi aproveitado pela apresentadora para destacar algumas das facetas de seu pai e do ambiente dominante na época em surgiram ("bolsas de resistência ao poder instalado" ou um "exorcismo de uma ânsia a um mau estar

crescentes"), em que o seu principal impulsionador -qual figura do romance "On the road"-, fez o "primeiro convite (de rebeldia) aos jovens" dos anos 60 e 70.

ESTÓRIAS

Como forma de exemplificar a profundidade e o alcance dos eventos concretizados com inúmeras dificuldades e perigos, Isabel Barge recordou que estando com seu pai numa festa, uma senhora já de meia idade levantou-se e dirigindo-se a ele, disse ter sido a "causa da mais saborosa tareia da sua vida!".

Uma filha da senhora que a acompanhava , surpreendida com aquela revelação, interpelou-a sobre a razão pela qual não lhe permitia que fosse aos festivais de Vilar de Mouros. "Mas a partir daí foi!", revelou Isabel Barge.

CÂMARA PRESENTE

As honras da casa (Câmara) estiveram a cargo da vereadora Irene Pacheco, responsável pela área do turismo, tendo louvado o autor pela iniciativa excelentemente conseguida, e porque de música de tratava, convidou os presentes "com a música a acalmar, a darem uma volta pelas nossas freguesias", num alusão às suas belezas naturais.

"PÔS VILAR DE MOUROS NO MAPA"

Por seu lado, o autor do livro, após agradecer a quem contribuiu para a sua publicação, destacou que se limitara a "juntar o puzzle" de uma "ideia visionária de um homem que deu corpo a tudo isto", numa alusão a António Barge, autor de uma das frases mais correctas (embora filosoficamente controversa) aplicadas ao pioneirismo dos festivais em Portugal: - Loucura Controlada!

FAMÍLIA BARGE COMO IMPULSIONADORA DOS FESTIVAIS

No entanto, não quis deixar em claro a coragem demonstrada pela viúva de António Barge (Amélia Barge, também presente neste acto), quando acedeu a conceder-lhe uma entrevista quando ainda estava "muito dorida" devido ao desaparecimento do seu companheiro de vida e de muita luta por levar a bom termo estes eventos.

LIVRO MARCARÁ VILAR DE MOUROS/03

Como representante de todos os vilarmourenses, Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia, agradeceu mais este contributo dado à história da sua terra, com particular incidência aos famosos festivais de Verão, bem como a "coragem" da família Barge.

Só por este facto (publicação do livro), a edição deste ano tornará este Festival "maior do que os anteriores", asseverou.

200 PÁGINAS DE DELEITE

A sessão terminou com a representante da editora (Afrontamento), Andreia Peniche, a convidar a assistência a desfrutar com as mais de 200 páginas de história dos festivais, desde 1937 (Festival Infantil) até ao presente.

ZINGARELHOS E ZINGARELHÓIDES
EM EXPOSIÇÃO EM VILAR DE MOUROS

Não é só de música de que vive Vilar de Mouros nestes dias.

De Sintra, veio uma exposição de noventa "zingarelhos e zingarelhóides", baseada em peças de ferro velho e "outros objectos sem utilidade", como assinalou o artista "Gradiei", pseudónimo de José Lopes, um "artista-inventor" natural da Guarda e que pela primeira vez veio expor ao Minho as suas invenções movidas a pedais, vento (motores-eólicos), baterias ou pilhas.

Está patente no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense...enquanto durar o Festival.

A não perder.

Teve o apoio da Câmara Municipal de Caminha

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