O " Doutor", um cão Serra da Estrela, estava no pátio fechado dos seus donos a "assistir" ao fogo do ar das Festas de S.Bento, brincando com a Joana e ladrando como era habitual ao som dos foguetes.
Era um cão que apesar da sua corpulência irradiava meiguice e carinho por todos os poros. Que o digam as crianças, que enfiando as mãos pela grade do portão lhas metiam as mãos na boca e ele beijava.
O " Doutor " tinha 3 anos de convivência comigo e era já uma pessoa da minha família e quem achar que dizer uma coisa destas não ficará muito bem, é porque não tem sensibilidade para avaliar que o amor é uma coisa que vai muito para além do racional.
Cobardemente a coberto da noite, alguém que não gostaria da "fala" do "Doutor" deu-lhe veneno para acabar com ele. Eu assisti ao final trágico do amigo. Uma luta incessante contra a morte que durou cerca de 15 minutos e que deixaram uma família, impotente para o ajudar, completamente destroçada.
Ninguém tinha o direito de fazer o que fez. É um assassino que anda á solta e que amanhã é capaz de fazer o mesmo a um ser racional.
A vingança é palavra que não faz parte do meu vocabulário, mas a raiva é tão grande que eu, um ser humano pensante, digo-vos sinceramente que era capaz de perder o controle perante o assassino. Quem já passou pelo mesmo sabe bem do que estou a falar.
O " Vadio" era o "Jardel" da Freguesia de Seixas. Era de todos e não era de ninguém. O " Vadio" ia aos velórios, ia à missa e acompanhava os funerais. Acompanhava as pessoas nas longas caminhadas de combate ao stress do dia a dia. À noite, recolhia ao pátio em frente ao do "Doutor" e quando tinha fome lá saltava o muro e compartilhava da refeição do seu amigo. Teve o mesmo fim que o "Doutor" na mesma noite. O assassino foi o mesmo.
Seixas é uma população indignada perante o sucedido.
Há suspeitas de quem cometeu tão criminoso acto.
As autoridades estão avisadas e porque acreditamos que as instituições ainda funcionam, estamos certos que as investigações para descobrir o culpado serão levadas até às últimas consequências e a justiça será feita, até para exemplo de muitos que se julgam impunes perante a lei.
O respeito dos homens pelos animais terá de estar ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante.
Diz a Declaração Universal dos Direitos dos Animais no seu artigo 11º. que " todo o acto que implique a morte de um animal sem necessidade, é considerado um biocídio, isto é um crime contra a vida".
Porque hoje sou eu que estou aqui a falar, mas amanhã poderá ser algum de vós, peço-vos que se manifestem pedindo justiça.
É um apelo à vossa solidariedade.