 
|
A estreia de uma pista com características de Olímpicas, não podia deixar ninguém ligado ao mundo do remo indiferente.
Foram gerações e gerações de remadores, técnicos e dirigentes ansiando por tão decisiva estrutura desportiva, finalmente materializada em Montemor-o-Velho. |
 |
Contudo, a forma precipitada (pelos acontecimentos, devido à realização da Coupe) como ela foi inaugurada, retirou algo de rigor à sua apreciação.
Já citámos o facto de esta fase das obras só estarem concluídas no final do mês, levando a que o empreiteiro não permitisse treinos na pista, nas vésperas da realização das provas.
O desaguisado entre a Câmara ( o presidente só compareceu durante algum tempo no último dia) e o dono da obra, por causa de uma ponte, levou a que não houvesse acessos minimamente aceitáveis, nem sinalização, provocando que muita gente se tivesse perdido.
 |
As nuvens de pó que se formavam, incomodavam tudo e todos, esperando-se que isto seja corrigido até à data da Coupe. |
A inexistência de acessos directos à tribuna improvisada, impediu que se realizassem as cerimónias de entrega de troféus.
Acresce a tudo isto, que poderá e deverá ser corrigido até final de mês, a constatação de um forte vento lateral, face ao qual a mão humana não é, só por si, suficiente para minorar os efeitos.
Estas situações levaram a que esmorecesse o entusiasmo dos participantes e presentes, por constatarem uma série de deficiências que todos desejam rectificadas.
Da realidade constatada, pedimos alguns comentários a pessoas de Caminha que vivem o remo por dentro, ou estiveram ligados aos destinos do clube.
João Pinto, actual treinador, reconheceu que o ideal teria sido não fazer os Nacionais em Montemor-o-Velho, embora admitisse as explicações dadas por Luís Faria, dirigente federativo, atendendo a que a não realizarem-se agora, estaria comprometida a Coupe de la Jeunesse, bem como os apoios financeiros ainda imprescindíveis do Estado, sem os quais a pista "morreria aqui". |
 |
"VAMOS VER!"
Quanto ao seu futuro, João Pinto hesita bastante, ao verificar que já foi gasto um milhão de contos mas, que ainda vai ser necessário gastar muito mais para que tenha um "mínimo de infraestruturas para dar resposta às competições".
Por outro lado, lamenta que a pista não possua a "largura necessária para fazer um Campeonato do Mundo, o que é muito mau, depois de se ter gasto tanto dinheiro, o que me deixa constrangido, se não poder ver em Portugal as principais selecções mundiais".
A questão dos ventos também o deixou surpreendido, interrogando-se sobre as razões porque não instalaram a pista de acordo com o "projecto inicial da Federação, junto à ponte agora construída, onde havia umas colinas e um pouco mais de protecção",
Desta forma, João Pinto, verifica a existência de uma planície "sem fim, totalmente desprotegida", motivo pelo que advoga a instalação de um "sistema de protecção lateral -não com árvores, porque ainda vão originar mais desigualdades, ao criar uma plataforma de suporte ao vento lateral e em que as pistas do meio sofrerão imenso-, através de uma colina de terra e, em cima dela, criar uma arborização em que o vento seja expelido para cima", esta é a minha ideia.
Perante estas realidades, o técnico do Caminhense teme que não haja verbas para estes acertos , terminando por admitir que a "pista nasceu mal".
"FINALMENTE, A PISTA"
 |
Ouvido António Sobral Prereira, ex-presidente do Sporting Club Caminhense, presente em Montemor-o-Velho referiu-nos que "finalmente, temos uma pista de remo em condições e que assegura a verdade desportiva da competição, muito embora se note que falta uma certa protecção relativamente aos ventos dominantes". |
Este sócio do SCC confia em que, futuramente, sejam feitas construções a montante e "venha a ter melhores condições do que tem agora".
LOCAL NÃO ESCOLHIDO INICIALMENTE
No entender de Humberto Lima, igualmente ex-presidente do clube, declarou-nos quão imprescindível era a pista mas, sem pretender ser o "mensageiro da desgraça, acho que a sua situação não terá sido a melhor opção, por causa dos ventos dominantes a que está sujeita". |
 |
Acrescentou que ele foi um dos primeiros a verificar o local onde ela se iria situar e, "dá-me a ideia de que não seria aquele o escolhido inicialmente".
Revelou a sua surpresa pela falta de protecção que se verifica naquele "excelente plano de água", fazendo votos para que encontrem "solução técnica", que permita "igualdade de condições para todos os atletas e tripulações numa pista que agora temos e que era uma necessidade primordial para o desenvolvimento do remo".
"REPRESENTA MUITO PARA O REMO NACIONAL"
 |
Fernando Miranda, outro dos presidentes do SCC nos anos noventa, assinalou que tal pista "representa muito para o remo nacional", constituindo até à data, "uma das lacunas do nosso remo e que não possuía um sítio para treinar e competir", manifestando confiança num "futuro risonho" que a pista vai disponibilizar. |
Acrescentou que estarão reunidas todas as condições para se construir um bom centro de estágios, juntando-o a uma boa pista, essenciais para o país e para o remo.
"AINDA VAI DEMORAR DOIS OU TRÊS ANOS"
Artur Antunes, um campeão mundial e que voltou agora a sagrar-se campeão nacional em 4+ e 8+, enquanto que aguardava o resultado do recurso da prova de shell/8, declarou ao C@2000 que ainda vai ser preciso algum tempo para a pôr em condições, chamando a atenção para o facto de os cabos da balizagem da pista não estarem devidamente esticados e, |
 |
provavelmente, "vai demorar dois ou três anos até que a pista esteja em perfeitas condições", de acordo com o projecto que já viu e considera bom.
"É A REALIZAÇÃO DE UM SONHO"
 |
Para Ruy Valença, timoneiro do Caminhense nos anos cinquenta e sessenta, confessou-nos tratar-se da "realização de um sonho de muitos anos", estando confiante de que se o remo se desenvolveu até agora, "vai passar a evoluir muito mais". |
Na altura em que colhemos o seu depoimento, o vento ainda não se fazia sentir de uma forma notória, embora reconhecesse que deveria ser "minimizado com os arbustos que irão ser instalados.
Por curiosidade, este atleta participou em 1960 nos Jogos Olímpicos de Roma, altura em surgiu pela primeira vez a designada balizagem "albano", -daí o nome que perdurou até hoje-, e voltando a remar neste tipo de pista, nos Campeonatos do Mundo, na Suiça.
Recordou que em 1959, nos campeonatos da Europa de Macon, em que também participou, a balizagerm era muito mais rudimentar.
"UM CAMPEONATO NACIONAL NÃO É UMA BRINCADEIRA"
Outro dos antigos olímpicos do SCC que acompanhou o seu clube até Montemor-o-Velho, foi Jorge Gavinho, investido nas funções de dirigente. |
 |
Opinou de que a pista "é das boas, igual às que tenho acompanhado lá fora", apenas lamentando que se tenha gasto mais de um milhão de contos e, logo no início, "não tenha acessos condignos, nem um letreiro para indicar a localização da pista", considerando que tudo foi feito "em cima do joelho e para um Campeonato Nacional, não se brinca com um atleta", fazendo votos para que, mais tarde "sejam superados estes obstáculos".
Lamentou que os atletas tivessem sido impedidos de treinar, vendo-se forçados a ir para as provas e "nada mais".
Tendo remado numa pista olímpica há quarenta anos, na Itália, ainda se interroga como é que foi possível que Portugal tenha demorado tantas décadas a implementar uma pista igual à que já existiam "lá fora".
"UM POUCO VENTOSA"
 |
Na opinião de António Rodrigues, presidente da Associação de Remo dos Distrito de Viana do Castelo, a pista reúne "boas condições", apesar da deficiente sinalização que se verificou na sua inauguração. |
Prosseguindo, afirmou acreditar que será uma boa pista, permitindo o desenvolvimento do remo, apesar de admitir ser "um pouco ventosa" mas, só a experiência é que o dirá, asseverou.
CONTAGIANTE
Contagiada pela emoção que se apodera da assistência, à medida que os barcos se aproximam da linha de meta, Júlia Paula, presidente do município caminhense, descreveu ao C@2000 esse "sentimento de euforia que se transmite e, quando dei por mim, estava a gritar pelo Caminhense". |
 |
Destacou a sua satisfação pela "supremacia demonstrada pelo Caminhense a nível nacional", uma realidade que a deixou satisfeita, como "presidente de câmara" e, por ter partilhado esta experiência.
Ao contactar com esta nova pista, seguramente que recordou o desejo que move todos os caminhenses, relativamente à possibilidade, de, algum dia, verem concretizada uma estrutura semelhante no Rio Coura.
Embora reconhecendo que "é sempre complicado" pensar em levar à prática tal projecto, devido ao espaço natural em presença e às implicações inerentes, não descarta essa possibilidade se vier a ser feita uma "boa avaliação" da situação e desde que haja um "envolvimento forte das associações ambientalistas e do próprio ministério".
|
AMBIENTE
ANIMAÇÃO
CULTURA
DESPORTO
DISTRITO
EDUCAÇÃO
EMPRESAS
FREGUESIAS
GALIZA
JUSTIÇA
ÓBITOS
PESCAS
POLÍTICA
ROTEIRO
TRIBUNA
TURISMO
SAÚDE
SUCESSOS
| |