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Nº 89: 6 a 12 Jul 02
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


MOINHO DO PETISCO JÁ TEM VELAS

A primeira fase, de um trabalho conjunto, entre a família de Eugénio Laginha e a Associação Ambiental QUERCUS, foi concluída com a colocação das velas do moinho de vento do Petisco, em Carreço. O ciclo do pão ficou enriquecido por um amante da cultura que, sem representar qualquer "clube político", nem se servir de dinheiros do erário público, meteu mãos à obra e resolveu enriquecer patrimonialmente a freguesia de Carreço, com um daqueles emblemáticos moinhos que existiam em Montedor.

Eugénio Laginha e Abílio de Azevedo (elemento da Associação Nacional da Quercus), iniciaram a recuperação deste moinho há quase ano e meio, e depois de diversas peripécias, durante o restauro, iniciaram a prática ancestral de farinação que se encontrava a "invernar".

Numa amena "cavaqueira", o Sr. Eugénio Laginha, confidenciou-me que têm surgido diversas escolas a solicitar visitas ao referido moinho, depois da "maldizente comunicação social!" ter noticiado este restauro.

Os professores começaram a utilizar esta peça museológica como documento didáctico, sensibilizando os alunos para a protecção do nosso património. Este moinho passou a ser um polo didáctico, e que escolas de dois distritos integraram em circuitos escolares.

Existe um outro moinho de vento, o do Marinheiro, que está a ser recuperado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, e cujas velas eram de madeira. Localiza-se próximo do moinho do Petisco, e é o único que apresentava pás de madeira a nível nacional e um dos poucos a nível peninsular.

Ficámos desiludidos com os trabalhos de restauro deste moinho, porque nos foi referido que o FRECHAL DE CIMA não iria ser de madeira ( anel de madeira onde apoia a cobertura). Também o MIRANTE (o alteamento do telhado por onde sai o eixo do mastro) que já estava executado, apresentava um vértice na parte superior, que nada tinha a ver com o existente.

Lamenta-se que se autorizem estas "nuances" ou modernices, que destroem por completo o objectivo de um restauro. No fundo, é a demonstração de uma realidade extremamente negativa e que se chama "globalização". Traduz-se na falta de respeito da nossa identidade cultural, ou a demonstração de uma geração cheia de insuficiências culturais.

Embora o ciclo do pão comece a ficar quase concluído, devido à Câmara de Viana do Castelo ter vindo a fazer um trabalho louvável neste campo, não se pode estar a alterar, quer o tipo de material, quer o desenho das peças que compõem os moinhos, porque iremos induzir em erro, quer visitantes, quer futuros estudiosos da molinização.

Espera-se que este projecto chegue ao fim, sem haver descontinuidade de documentos museológicos, pelo que se sugere a recuperação de um moinho de planície, como os que existem no Vale do Âncora ou o de maré que existe em Argoçosa, Meadela, Viana do Castelo.

Joaquim Vasconcelos 4/7/2002
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