CONCELHO DE CAMINHA SOB CHUVA DILUVIANA
CRISTELO DEVASTADO PELAS ENXURRADAS
CALÇADAS DESTRUÍDAS, MUROS DERRUBADOS, ESTRADAS INTRANSITÁVEIS, IGREJA INUNDADA --- O CAOS! ---
"Isto parece o Afeganistão!", assim se exprimiram os moradores de Cristelo, perante o cenário desolador das suas calçadas, esventradas pelas torrentes de água que durante a última noite e madrugada fustigaram esta e todas as freguesias do concelho, mais parecendo terem sofrido os efeitos de um bombardeamanto.
A Rua da Enxurreira voltou a concentrar a pior bocado da intempérie, com a calçada totalmente desfeita, um muro derrubado numa grande extensão e canalizações destruídas.
POVO APONTA O DEDO
Continua a apontar-se como uma das causas para o sucedido, a canalização das águas pluviais provenientes de um loteamento da Junta de Freguesia, bem como as que escorrem das nascentes do Monte de Santo Antão para um rego foreiro e o seu emanilhamento, originando um substancial aumento de caudal em ocasiões de forte pluviosidade, agravado pela inclinação do terreno que imprime forte velocidade às águas.
A todos estes factores conjugados, alia-se um diâmetro reduzido das condutas que transportam estas águas, existentes sob a calçada da referida rua, incapazes de recepcionarem os aluviões provenientes de montante, originando, por conseguinte, um extravasar sobre a estrada e destruindo-a.
IGREJA DE CRISTELO ATINGIDA
O transbordar do referido rego, também provocou graves prejuízos na Igreja de Cristelo, recentemente objecto de recuperação graças à colaboração do povo que contribuiu com 1500 contos, como nos referiu o Padre Valdemar Cruz. Agora, tudo voltou à forma anterior, devido à enxurrada que inundou o templo. Na manhã de ontem, viam-se os paroquianos ainda incrédulos com o sucedido, atarefados em retirar todo o recheio da igreja, da casa mortuária e do salão da catequese e limpando a lama que se depositou no seu interior.
Este pároco manifestou o seu desagrado pela situação gerada, acreditando puderem existir responsáveis pelo sucedido. Acrescentou que os "antigos ensinaram-nos muito, e se deixavam correr os regos foreiros a céu aberto, por alguma razão era..."
Aliado a estas situações, convém não esquecer os efeitos nefastos causados pelos incêndios do último Verão, destruindo o coberto vegetal e permitindo o arrastamento de areias e vegetação solta, juntamente com a água.Tudo isto originou inúmeros cortes de estradas e destruições em Cristelo e Moledo e um pouco por todo o concelho.
REGO DAS PRECES SALTOU DO LEITO
Em Moledo, o Rego das Preces galgou a ponte existente na antiga N13, inundou casas, garagens (três carros danificados) derrubou muros. Na parte alta de freguesia, as ruas do Carvoeiro e Jogada sofreram sérios danos na calçada, bem como a estrada que liga Moledo a Cristelo.
Francisco Amorim, morador no Carvoeiro, funcionário da Junta, enquanto procedia à remoção das pedras, referia-nos que "nunca tinha visto coisa igual".
VILA PRAIA DE ÂNCORA COM PROBLEMAS CRÓNICOS
Em Vila Praia de Âncora, outro problema crónico aconteceu na parte sul da Rua 31 de Janeiro, com casas e garagens inundadas e lençóis de água a impedir o trânsito. O viaduto da Av. Ramos Pereira registou uma das maiores enchentes de sempre, cortando o trânsito. Também um pequeno aluimento de terras impediu a circulação de comboios durante algum tempo entre o apeadeiro e a estação da CP.
A parte alta da vila foi particularmente atingida pelas enxurradas, causando estragos de diversa monta em Vilarinho, Retorta, Rocha e na R. Miguel Bombarda.
Desde as 3 horas da madrugada - altura em que a situação piorou assustadoramente - que habitantes ajudados por bombeiros de Caminha e Vila Praia de Âncora andaram numa lufa-lufa, tentando minorar em todo o município os efeitos das inundações.
Outras freguesias sofreram igualmente os efeitos dos aluviões, como Dem, Gondar e Seixas (Coura)
CALAMIDADE PÚBLICA
Estima-se que os prejuízos possam ascender a dezenas de milhar de contos e reclama-se um programa de emergência para fazer face a tanta calamidade pública.
Contudo, receia-se que os apoios não sejam muitos, a julgar pelo sucedido com os prejuízos do último Inverno, em que a câmara municipal os avaliou em 200 mil contos e apenas recebeu um subsídio de 30 mil.
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