RUA DA ENXURREIRA FAZ JUS AO NOME
RIO DE PEDRAS E LAMA AMEDRONTOU MORADORES
Uma enxurrada de pedras, lamas e restos de árvores cobriu três das principais artérias de Cristelo, após se verificar intensa precipitação pluviométrica ao princípio da tarde do passado dia 17, levantando calçadas e interrompendo o trânsito durante várias horas na Rua da Enxurreira.
O incêndio verificado no final do último Verão dizimou o coberto vegetal do monte de Santo Antão, de onde brotam inúmeras fontes de água e que escorrem agora a grande velocidade em direcção à parte baixa da freguesia arrastando terra e diversa vegetação incapaz de se fixar.

Manilhas de diâmetros diferentes existentes ao longo do percurso de um rego foreiro que desemboca na Rua da Enchurreira, contribuem para agravar a situação verificada já por três vezes desde Setembro.
Condutas de dimensão maior provenientes de construções situadas a montante, permitem a canalização de fortes caudais que não têm correspondência com as que a Junta de Freguesia tinha colocado sob a referida estrada (de menor tamanho), dando-se assim um extravasamento de águas, lodos (terra escura da cinza dos incêndios) rochas e pedaços de árvores que cobrem a calçada, esburacando-a em diversos pontos, deixando casas isoladas enquanto dura a enxurrada e dificultando ou impedindo mesmo o trânsito.

Nas ruas do Souto e da Capela verificam-se idênticos problemas, tendo já aluído parcialmente um muro na primeira, devido à existência de umas grades no referido rego que, ao entupirem com folhas, acumulam água, cujo peso originou o seu derrube e provocando igualmente avalanches de água que agravam a situação na junção das manilhas com volumes diferenciados.
Os moradores apontam ainda como causa para o sucedido, um tubagem pouco aconselhável na parte alta da aldeia, porque no passado, as águas corriam a céu aberto e iam-se espraiando pelas leiras, perdendo assim força e velocidade.
Maria do Céu, moradora em Cristelo, declarou-nos, estupefacta, que "nunca vi nada assim, nem no ano passado em que choveu imenso". Acrescentou que "mexeram no rego e, toda a água que vem de Stº Antão e da Mãe d'Água devido aos incêndios, provocou isto".
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