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Nº 52: 20 a 26 OUT 2001

RUA DA ENXURREIRA FAZ JUS AO NOME

RIO DE PEDRAS E LAMA AMEDRONTOU MORADORES

Rego foreiro entupido Tentando impedir o avanço das águas

Uma enxurrada de pedras, lamas e restos de árvores cobriu três das principais artérias de Cristelo, após se verificar intensa precipitação pluviométrica ao princípio da tarde do passado dia 17, levantando calçadas e interrompendo o trânsito durante várias horas na Rua da Enxurreira.

O incêndio verificado no final do último Verão dizimou o coberto vegetal do monte de Santo Antão, de onde brotam inúmeras fontes de água e que escorrem agora a grande velocidade em direcção à parte baixa da freguesia arrastando terra e diversa vegetação incapaz de se fixar.

Carrinha em dificuldades Calçada esburacada

Manilhas de diâmetros diferentes existentes ao longo do percurso de um rego foreiro que desemboca na Rua da Enchurreira, contribuem para agravar a situação verificada já por três vezes desde Setembro.

Condutas de dimensão maior provenientes de construções situadas a montante, permitem a canalização de fortes caudais que não têm correspondência com as que a Junta de Freguesia tinha colocado sob a referida estrada (de menor tamanho), dando-se assim um extravasamento de águas, lodos (terra escura da cinza dos incêndios) rochas e pedaços de árvores que cobrem a calçada, esburacando-a em diversos pontos, deixando casas isoladas enquanto dura a enxurrada e dificultando ou impedindo mesmo o trânsito.

Rio de lama... ...cinzas, pedras e galhos

Nas ruas do Souto e da Capela verificam-se idênticos problemas, tendo já aluído parcialmente um muro na primeira, devido à existência de umas grades no referido rego que, ao entupirem com folhas, acumulam água, cujo peso originou o seu derrube e provocando igualmente avalanches de água que agravam a situação na junção das manilhas com volumes diferenciados.

Os moradores apontam ainda como causa para o sucedido, um tubagem pouco aconselhável na parte alta da aldeia, porque no passado, as águas corriam a céu aberto e iam-se espraiando pelas leiras, perdendo assim força e velocidade.

Nunca vi nada assim Já fiquei isolada por três vezes

Maria do Céu, moradora em Cristelo, declarou-nos, estupefacta, que "nunca vi nada assim, nem no ano passado em que choveu imenso". Acrescentou que "mexeram no rego e, toda a água que vem de Stº Antão e da Mãe d'Água devido aos incêndios, provocou isto".

Manilha de diâmetro superior Estrada esventrada 20 10 01