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Nº 52: 20 a 26 OUT 2001

UMA BIBLIOTECA ESPÍRITO DE LUGAR

Foi inaugurada a 19 do corrente, uma exposição concebida a partir de fotografias originais de Inês Gonçalves e Manuel Valente Alves. Esta mostra ocupará a sala de leitura e outros espaços do edifício da Biblioteca, na Travessa do Tribunal.

Texto de apresentação do álbum

CAMINHA, A SUA BIBLIOTECA
E OS NOSSOS LEITORES...

Este livro e a exposição que com ele directamente se relaciona nasceram de um inquérito feito aos leitores da Biblioteca Municipal de Caminha. Esta Biblioteca tem-se constituído, sobretudo nos últimos anos, como um importante pólo dinamizador da realidade sócio cultural e educativa do concelho e é hoje reconhecida e apreciada por muita gente, o que lhe permite uma incontestável visibilidade nacional. Graças a uma programação imaginativa e a um diálogo com diversos protagonistas da literatura e das artes, do jornalismo e do pensamento, temos procurado interpretar de uma forma própria, mas fiel à nossa identidade minhota, as exigências crescentes de um público vivamente interessado que tem crescido connosco.

O inquérito feito na Biblioteca procurava envolver, num processo inédito, os nossos leitores (ou pelo menos aqueles que responderam) reforçando, com eles, a capacidade da Biblioteca criar acontecimentos, produzir informação e conhecimento. O tema das perguntas centrava-se nos significados antropológicos e estéticos de Caminha. Havia também, da nossa parte, a ambição quanto ao facto dos inquiridos alimentarem as suas respostas com leituras que foram sendo promovidas com esse objectivo. Com base nestes inquéritos, dois fotógrafos de reconhecido talento artístico, propuseram uma visão de Caminha (compreensivelmente limitada a alguns dos seus aspectos), sugerida por referências neles contidas e associadas a este nosso universo. Tentou-se desta forma criar uma rede - de afinidades e pluralidades, de lógicas e de energias - construída a partir da Biblioteca e que envolve necessariamente os autores que contribuíram para esta obra. A este propósito, gostaria de agradecer especialmente à jornalista Maria João Avillez e ao Dr. Vasco Graça Moura, que quando era director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Gulbenkian nos ajudou a compreender que o sucesso de uma Biblioteca é feito com a alegria e curiosidade dos seus leitores. Uma palavra também de grato reconhecimento a Mário Cesariny, pela cedência do poema inédito que numa noite de primavera aqui nos leu, recordando uma viagem já antiga à praia de Moledo.

Augusto Rodrigues de Sá