Duas exposições do Museu Nacional da Imprensa vão assinalar a “revolução dos cravos” no Porto e em Cabeceiras de Basto, a partir de sábado próximo.
No Porto será a Biblioteca da Junta de Freguesia de Ramalde a acolher a mostra “Abril vinil”, com dezenas de capas de discos alusivos ao 25 de Abril de 1974.
Nesta exposição podem ver-se cerca de cem discos em vinil de 33 e 45 rotações, editados no período revolucionário do “pós 25 de Abril” de 1974 e cujas capas evidenciam diferentes qualidades gráficas ao nível do arranjo e da diversidade de meios de impressão.
A exposição, comissariada pelo director do Museu Nacional da Imprensa, Luís Humberto Marcos, inclui alguns dos mais importantes cantores nacionais como Fausto, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho e Sérgio Godinho, entre outros.
“Somos Livres” de Ermelinda Duarte; “Cravo vermelho ao peito” de José Barata Moura; “A Revolução em Marcha” de Tonicha, são alguns dos discos que podem ser apreciados nesta mostra, a par dos vinis dos poetas Manuel Alegre, Mário Viegas e Ary dos Santos.
A senhora do Fado, Amália Rodrigues, em 1974 editou vários temas de intervenção como “Meu Amor é Marinheiro” com poema de Manuel Alegre. Esse disco, juntamente o “Grândola, Vila Morena” de José Afonso e o “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” de José Mário Branco, merecem especial destaque.
Patentes estão também três exemplares raros do GAC - grupo de acção cultural VOZES NA LUTA, liderado por José Mário Branco.
A inauguração está marcada para sábado, dia 25 de Abril.
Jornais da Liberdade
Na Casa da Cultura da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto são apresentados “Os Jornais de Abril”. Trata-se de uma exposição que apresenta os principais títulos das publicações que nasceram com a liberdade resultante do “25 de Abril”.
A mostra, da autoria do Museu Nacional da Imprensa, é composta por três dezenas de jornais publicados, do dia 25 de Abril até ao 1º de Maio de 1974.
Publicações periódicas já extintas como “O Século”, o “Diário de Lisboa”, a “República”, “O Comércio do Porto” e “A Capital”, podem ser vistos, lado a lado, com O Primeiro de Janeiro, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o Diário de Coimbra e a Voz Portucalense, entre outros. A publicação humorística “Sempre Fixe” também integra a mostra, apresentando desenhos famosos de Siné e João Abel Manta.
Os visitantes podem ver através dos jornais patentes que, na manhã do dia 25, ainda funcionaram os Serviços de Censura. O próprio movimento dos “capitães de Abril” foi cortado. À tarde, dá-se uma explosão de edições extras nos principais jornais como o “República” que escreve na sua primeira página, a frase: “Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura”, ao mesmo tempo que dava conta da acção do Movimento das Forças Armadas. Nesse dia o “Século” publicou cinco edições, tendo a última saído às 22.30h.
Os títulos grandes e as fotografias patentes neste conjunto de “jornais de Abril” expressam bem o processo calmo da “revolução dos cravos”. São páginas históricas que mostram o começo da liberdade que se vive actualmente no nosso país.
A inauguração realizou-se no dia 24 de Abril.
Ambas as exposições inserem-se na linha da descentralização cultural praticada pelo Museu Nacional da Imprensa, desde a sua criação em 1997.