O Tribunal de Caminha condenou a 19 de Abril um casal espanhol de co-autoria na morte de José Barbosa, o recepcionista da residencial Arca Nova, em Caminha, atingido à curta distância na cabeça por um disparo de uma pista 6.35, na noite do dia 29 de Maio do ano passado, aplicando ao homem uma pena de 24 anos e três meses de prisão e à mulher 22 anos e três meses.
Actuaram em "conjugação de esforços", utilizando armas (pistola e navalha) "com o propósito de tirar a vida" à vítima por "motivo fútil", quando tentavam roubar-lhe os cartões de crédito e débito e uma pequena quantia em dinheiro, 30/40€, o único valor que conseguiram obter.
O Tribunal que julgou este caso, não duvidou que Francisco Colmenar, de 33 anos, natural de Madrid, e Rosa Fito, 36 anos, natural de Albacete, foram os autores do crime, nem encontrou razões para a morte, uma vez que poderiam ter imobilizado o recepcionista sem recorrerem ao disparo.
Deixaram a vítima em sofrimento e esvaindo-se em sangue durante toda a noite, até que a colega que o iria substituir no turno da manhã se deparou com a tragédia, sendo ainda transportado com vida para o Hospital de Viana do Castelo e, de seguida, para o de S. Marcos, em Braga, onde viria a falecer dez dias depois.
Não foi possível apurar com segurança quem terá disparado e quem o terá ferido no pescoço com arma branca, pelo que ambos foram considerados responsáveis, baseando-se os juízes nas perícias balísticas, comprovando que o invólucro deixado na recepção do hotel e a bala alojada dentro do crânio de José Barbosa, tinham sido disparados pela pistola 6,35 encontrada no interior de uma bolsa da arguida, aquando da detenção de ambos a 25 de Julho num parque de campismo da Fuzeta, Olhão.

Juntamente com esta arma, encontravam-se a navalha com evidências hemáticas da vítima, tendo ainda sido achada uma carabina com mira telescópica e outra pistola de guerra de calibre 7 mm. Esta arma fora exibida pelo homem durante uma tentativa de assalto a uma sapataria em Vila Nova de Cerveira, no mesmo dia da morte do recepcionista, em que ameaçou uma funcionária com a arma branca, vindo a fugir com a companheira que o esperava no exterior do estabelecimento ao volante de um carro, sem consumar o roubo, por ter surgido uma cliente
Na busca realizada pela PJ no interior de uma carrinha em que pernoitavam no camping quando foram presos, foram descobertos um cartão da Sport Zone e a carta de condução da vítima, pelos que estes indícios, juntados às provas periciais e aos depoimentos dos agentes policiais, não deixaram dúvidas ao tribunal quanto à autoria doa factos pelos quais vinham acusados.
Além deste crime, ambos foram julgados por burlas e tentativas de burla, tentativa de sequestro de uma jovem polaca numa estação de serviço da A1, em Santarém, facto não provado porque a ofendida não compareceu ao julgamento, abuso de confiança, falsificação e usurpações de funções (fizeram-se passar por agentes da Guardia Civil espanhola).
Em Ponte de Lima, a coberto da noite, dispararam três tiros contra uma imobiliária que na véspera se recusara a devolver-lhes a caução do aluguer de uma casa em Moledo, tendo escrito nos vidros as palavras "vendetta" e "cosa nostra".
O Procurador da República considerou justa a sentença (cúmulo jurídico), embora ela tivesse podido ser superior (39 anos para o homem e 34 para a sua companheira da qual tem uma filha), se a lei portuguesa fosse diferente da espanhola e, Pedro Ferro, assistente da família, definiu como "acertada" a fixação de uma indemnização de 301.000€.
O defensor dos condenados anunciou que irá apresentar recurso para o Tribunal da Relação de Guimarães.