A pedreira existente no lugar da Póvoa, em Vila Praia de Âncora com os nºs "4348 - Alvariça nº2 licenciada em 1972, e a 4365 - da Póvoa, licenciada em 1973", deu origem à degradação da qualidade do ambiente, devido à poluição a que deu origem. Com a ampliação das frentes de desmonte, o volume dos trabalhos foi aumentando, e a degradação ambiental foi-se agravando.
Os moradores das imediações desta pedreira, ruas 25 de Abril e da Póvoa, têm vindo a manifestar-se devido a esse agravamento da qualidade ambiental. No entanto os responsáveis pelo seu licenciamento, a coberto da legislação existente, consideraram que como foram licenciadas antes de 1990, não era necessário um EIA ( D.L 89/90 e D.L. 90/90 de 16 de Março). Trinta anos depois, tudo parece estar na mesma. Durante anos, limitaram-se a fazer prorrogações das licenças, sem que fosse exigido um estudo de impacto ambiental, enquanto a área de exploração se ia ampliando.
Mas a área de exploração e a estação de britagem ampliaram-se, sem que fosse criada uma "figura" que permitisse a obrigatoriedade de um controle de poluição. Mas como tudo é possível por estas paragens, há quatro anos, na área dessa pedreira surge uma central betuminosa, sem que façam vistorias a essas instalações.
Portanto a pedreira existente no lugar da Povoa em Vila Praia de Âncora deu origem a uma degradação ambiental, sacrificando os moradores daquela zona, com impactos provenientes das poeiras, ruído das máquinas e explosões e mais recentemente agravada com a integração de uma central betuminosa, que foi instalada nessa mesma pedreira, desconhecendo-se se o D.Lei nº 78/04 de 3 de Abril, que fixa os valores limites, tanto para a qualidade do ar como para as emissões, está a ser ou não respeitado. Este novo equipamento (central de betuminoso), origina emissões significativas de partículas em suspensão de, dióxido de enxofre, óxido de azoto, compostos orgânicos voláteis e monóxido de carbono.
Embora a pedreira em questão, seja um elemento cujos efeitos socioeconómicos, são uma mais valia local, porque garante o emprego a muitas pessoas, do ponto de vista da relação, causa-efeito, está a originar impactes ambientais que provocam danos na saúde pública, podendo originar sérios problemas, porque é do conhecimento geral que por exemplo o ruído vai mexer com o sistema nervoso. Além disso as vibrações originadas pelo sopro das explosões que costumam acontecer ao fim do dia, vão fragilizar as estruturas das próprias construções.
Também a alteração drástica da topografia, devido à barreira criada do lado Nascente, deu origem a outra barreira que vai reflectir todo esse ruído. A mesma barreira vai direccionar a deslocação da poluição atmosférica para a zona residencial. Também a saúde vai ser afectada porque passaram a existir emissões significativas de partículas em suspensão, de dióxido de enxofre, óxido de azoto, compostos orgânicos voláteis e monóxido de carbono.
É do conhecimento geral que estes agentes de poluição estão associados a doenças com especial destaque nas lesões bronco-pulmonares, bronquites, asma, enfisema.
Por uma questão de alerta, os documentos consultados referem que:
-Os resultados de se respirar poeiras em suspensão, com chumbo, são caracterizados por uma fadiga geral, insónias e prisão de ventre. Depois vem a anemia, a nevrite e uma perda injustificada de peso. Se a ingestão continua, o chumbo transpõe a barreira do cérebro e os primeiros sintomas de desequilibro mental aparecem.
-Óxido de azoto - pode por si só converter-se em ácido nítrico na atmosfera, constituindo uma das principais componentes das chuvas ácidas. Depositado sob a forma de chuva, nevoeiro ou poeiras, o óxido de azoto contribui para a acidificação do ambiente, entrando de seguida na cadeia alimentar
-O dióxido de enxofre (SO2), é o maior contribuinte das chuvas ácidas e de todos os problemas daí decorrentes, como a destruição da floresta, acidificação das águas, asma e todas as doenças alérgicas de origem respiratória.
- E é notório, que com o agravamento das condições ambientais, as pessoas ficam sujeitas à mais temível das doenças, o cancro.
Perante tal cenário, seria fundamental que fosse dada uma especial atenção para os problemas ambientais que estão suceder no lugar da Póvoa de Vila Praia de Âncora, porque uma pedreira da grandeza da que temos estado a falar, com tantas fontes de poluição, e sem uma "figura de fiscalização" que garanta uma medição periódica dos valores de poluição existentes, é de facto "uma arma apontada à cabeça" dos moradores do lugar da Póvoa em Vila Praia de Âncora.