No mesmo dia, ancorenses desavindos encontraram-se no Tribunal de Caminha a fim de dirimirem em julgamento o que os opunha.
Num dos dois processos agendados para o passado dia 3, o deputado municipal socialista Pedro Ribeiro exigia justiça, ao sentir-se ofendido pelo conteúdo de um artigo da autoria do também deputado Rui Taxa (PSD), quando este escreveu em dois jornais locais que "o Sr. é mal-educado, é baixo, é sujo", notando-se "a falta das redacções da Escola Primária".
Pedro Ribeiro considerou que fora posto em causa o seu profissionalismo e a sua correcção como pessoa, atingindo-o na sua honra e consideração, decidindo então apresentar uma queixa-crime por difamação contra Rui Taxa.
Ouvido em tribunal como arguido, Rui Taxa começou por referir "nunca ter ofendido ninguém na minha vida" e de não ter pretendido ofender o queixoso ao responder a um artigo da sua autoria.
Segundo justificou, o seu escrito resultara como forma de "defender a minha honra" ao sentir-se provocado, ofendido e insultado como deputado municipal por um artigo anterior do queixoso, relacionado com o loteamento do rio Âncora.
Rui Taxa alegou que Pedro Ribeiro pretendera fazer passar a ideia de que ele estaria mais interessado em defender Caminha do que Vila Praia de Âncora (Rui Taxa é ancorense), refutando tal ideia, assegurando perante a juíza que tal não correspondia à verdade: "Defendo o concelho e não apenas Vila Praia de Âncora ou Caminha", exclamou.
Adiantou também que tudo isto se devia a uma "incompatibilidade política" mas que a juíza considerou normais tais "discordâncias", insistindo o arguido que Pedro Ribeiro "tinha raiva ao PSD" depois de ter sido derrotado para a presidência da JSD (antes de aderir ao PS, Pedro Ribeiro foi do PSD) e de ter perdido as eleições autárquicas por duas vezes.
"Não há ódios pessoais". "Isto é um caso político", reiterou Rui Taxa, acrescentando que também se sentira ofendido como presidente do Clube Ancorense de Pesca e Caça, depois de Pedro Ribeiro ter apelidado de "medida fascista" o projecto de loteamento, entendendo que lhe chamara "fascista".
Contudo, o que estava em apreciação neste julgamento era a queixa apresentada por Pedro Ribeiro.
"EVENTUALMENTE EXTRAVASEI"
Rui Taxa reafirmou não ter sido intenção atacar Pedro Ribeiro pessoalmente, mas a juiza sublinhou que "isto são considerações pessoais", levando o arguido a admitir que pudessem ser assim interpretadas e "eventualmente extravasei", acabando por reconhecer que terá atingido pessoalmente o autor da queixa.
Acabou por aceitar os factos, embora sem intenção de injuriar.
Face a este reconhecimento de arrependimento, a juíza sugeriu uma desistência da queixa (acordo entre ambas as partes) desde que Rui Taxa se retratasse publicamente, apresentando explicações e pedindo desculpas ao queixoso nos dois jornais, sendo estabelecido um prazo até final deste mês para que o fizesse.
Pedro Ribeiro aceitou a proposta de acordo sugerida pelo Tribunal.
Num segundo caso, foi igualmente possível chegar a um acordo entre a Direcção do Âncora-Praia e o antigo treinador das camadas jovens deste clube, José Oliveira, com queixas mútuas em tribunal, devido ao conflito desencadeado há cerca de dois anos.
José Oliveira terá de apresentar as contas dos dinheiros recebidos enquanto técnico do Âncora-Praia no prazo de dois meses, conforme o presidente do Âncora-Praia pediu, comprometendo-se o clube a rectificar um comunicando emitido na altura, visando o técnico, terminando assim os processos judiciais.