O assunto foi despoletado publicamente por Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia, no decorrer da última Assembleia Municipal
Moradores dos lugares de Vilarinho, Póvoa e Feital tinham entregue um abaixo-assinado contendo 250 assinaturas à Junta de Freguesia, exigindo "a reposição da legalidade" numa pedreira existente a norte da vila.
Dizem que "a sua qualidade de vida está não só ameaçada como diminuída", sentindo-se "importunados pelo ruído, pó e lama" e rebentamentos de explosivos que "têm provocado fissuras nos prédios", agravado há cerca de dois anos com a entrada em funcionamento de uma central betuminosa (fabricação de alcatrão), cujos fumos "não existiam nem cheiravam no início" ao contrário do que sucede presentemente, adianta Calixto Rodrigues, um ex-emigrante em França já arrependido de ter comprado casa na R. 25 de Abril há 20 anos atrás.
Luís Silva, outro morador, assinalou que "no princípio partiam pedra com ponteiras e cinzel mas agora é com tiros e ainda há 15 dias, houve uma explosão tremenda, pelas 18 horas", sugerindo que os rebentamentos poderiam ser menos intensos e que não laborassem de noite.
DIZEM TER "PREJUÍZOS ELEVADOS"
"Pagamos impostos para quê?", interroga-se Josefina, acrescentando que se "cumprimos também exigimos os nossos direitos", enquanto que Alfredo Simões apontava para "as fendas nas nossas casas", atribuindo-as às explosões.
Conforme referimos, a Junta pediu explicações à Câmara no decorrer da última Assembleia Municipal, referindo Júlia Paula, presidente do município, que o licenciamento destas indústrias é da competência do Governo (Direção-Geral de Energia/Ministério da Economia), embora prometesse debruçar-se sobre as reclamações dos ancorenses e realizar diligências.
"JÁ CÁ ESTÁVAMOS ANTES"
Por seu lado, a administração da empresa Aurélio Martins Sobreiro, laborando no local há cerca de 40 anos, contando com 80 trabalhadores, contrariando a afirmações dos moradores, afirma que "existe um processo no Ministério da Economia e tudo está legalizado" numa zona reservada à indústria, apenas lamentando que a Câmara tenha vindo a licenciar habitações nas imediações.
Contudo, os moradores contrapõem dizendo que "se eles já cá estavam antes de nós isso não é connosco, porque nos autorizaram as casas".
Manuel Marques reconheceu ter estado no local no início do funcionamento da central betuminosa e não haver fumos, atribuindo o seu aparecimento a um eventual mau funcionamento dos filtros.
Adiantou que "a indignação atingiu o limite", havendo mesmo um clima de "revolta", pedindo que se tomem "as medidas necessárias", pois, crê que funciona "ilegalmente".
A empresa replica e dá ainda ênfase à fiscalização regular e rigorosa a que são submetidos e de ainda no mês passado terem sido vistoriados os filtros da central de betuminagem, a qual, entretanto, deverá ser deslocada para outro ponto do país onde o volume de trabalhos o justifique, logo que concluída a obra da ligação do IC1 à EN13, desde Vilar de Mouros a Gondarém, prevista para o mês de Maio.
Para este local, quando a pedreira deixar de funcionar, a empresa tem previsto um resort turístico.