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Nº 34: 16 a 22 JUN 2001


Avaliação do Programa Internet na Escola

Avaliação do Programa Internet na Escola e Identificação do Perfil de Utilização da Internet
pelos Alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico

 

 

 

 

SUMÁRIO

Este documento apresenta um trabalho de investigação realizado com o objectivo de avaliar o Programa Internet na Escola e identificar o perfil de utilização da Internet pelos alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico. O estudo foi levado a cabo no âmbito da disciplina Planeamento de Sistemas de Informação, do 4º ano da Licenciatura em Informática de Gestão, da Universidade Fernando Pessoa, sob a orientação do professor Álvaro Rocha e colaboração dos alunos João Afonso, José Dalica, Luís Baixinho, Manuel Chavarria, Michel Alves e Paulo Cibrão.

 

 

1. INTRODUÇÃO

É hoje inegável que o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), onde se inclui a Internet, se vem tornando incontornável no quotidiano da maioria das pessoas e organizações, pelas facilidades e mais valias proporcionadas quando usadas correcta e adequadamente. As escolas e seus agentes não são excepção, sobretudo ao nível dos discentes e docentes.

A consciência de que a Internet é potenciadora da transmissão de conhecimentos e de reorganizações e redefinições inovadoras capazes de acrescentarem mais valias significativas ao sistema de ensino, levou o Governo português a lançar em Outubro de 1996, por intermédio do Ministério da Ciência e da Tecnologia, o Programa Internet na Escola.

O Programa Internet na Escola insere-se no quadro das iniciativas do Governo orientadas para a Sociedade da Informação, nomeadamente no conjunto de medidas contidas no Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, no Capítulo a Escola Informada.

Este Programa tem por objectivo colocar ao dispor dos estabelecimentos de ensino, desde o Secundário até ao Pré-primário, equipamento que permita e disponibilize acesso à Internet.

A instalação do equipamento iniciou-se em Julho de 1997 nas Escolas Secundárias, continuando em direcção às Escolas Básicas e Pré-primárias. Encontra-se neste momento concluída a instalação nas Escolas Secundárias e do 2º e 3º Ciclo do Básico.

Estando os alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico a usufruir deste equipamento há cerca de três anos,  importa obter respostas às seguintes questões:

 

1)      Como é que o Programa Internet na Escola está a ser implementado?

2)      Que impacto está a ter na população estudantil?

3)      E que uso está a ser dado à Internet pelos alunos?

Este documento apresenta um trabalho de investigação realizado no âmbito da disciplina Planeamento de Sistemas de Informação, do 4º ano da Licenciatura em Informática de Gestão, da Universidade Fernando Pessoa, com o objectivo de contribuir para o esclarecimento destas questões.

O documento encontra-se estruturado da seguinte forma: inicialmente apresenta-se a metodologia de investigação adoptada no estudo, seguidamente o universo e a caracterização da amostra estudada, depois apresenta-se e discute-se os resultados, e finalmente enumera-se as principais conclusões do estudo.

2. METODOLOGIA

O estudo consistiu num levantamento de informação, por meio de um questionário desenvolvido nas aulas da disciplina Planeamento de Sistemas de Informação, do 4º ano da Licenciatura em Informática de Gestão, da Universidade Fernando Pessoa, junto de alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico.

O questionário foi testado inicialmente com vinte alunos, o que levou a alguns refinamentos, nomeadamente: alterações na forma de colocar as questões; adição, alteração ou eliminação de opções de resposta; e o acréscimo de uma nova questão. De vinte e quatro questões, apenas duas são de tipo “aberto”.

Estiveram envolvidos neste estudo três grupos de trabalho, constituídos por dois alunos cada. A cada grupo de trabalho foi exigido o levantamento de informação junto de, pelo menos, 5% da população de alunos de, pelo menos, duas escolas a seleccionar para estudo.

As escolas foram seleccionadas em função da residência, logística e contactos dos elementos de cada grupo de trabalho. Assim, procurou-se escolher aquelas onde havia facilidade de se deslocarem, conhecimentos pessoais que facilitassem o contacto inicial, e a quase certeza de que haveria uma participação efectiva sob a forma de resposta ao questionário.

Às escolas foi garantida confidencialidade total. Por conseguinte, nunca serão identificadas ao longo deste documento. Esta foi a forma encontrada para quebrar uma certa resistência à participação no estudo.

O questionário foi respondido durante os meses de Fevereiro e Março do ano corrente, numa das aulas dos alunos inquiridos, tendo os professores e/ou dirigentes das escolas sido intermediários desta acção de levantamento de informação.

Após a recolha, os questionários foram validados em função de critérios de resposta estabelecidos previamente e da razoabilidade e bom senso das respostas.

3. CARACTERIZAÇÃO DO UNIVERSO E DA AMOSTRA ESTUDADA

O universo do estudo é composto pelos alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico de oito escolas dos concelhos de Caminha (uma), Viana do Castelo (quatro), Ponte de Lima (uma), Barcelos (uma) e Braga (uma), o que totaliza cerca de 10 000 alunos. As Escolas, como já foi referido, não são identificadas por razões de confidencialidade

O questionário foi aplicado a uma amostra aleatória de, pelo menos, 5% dos alunos de cada uma das escolas seleccionadas para estudo, o que perfaz um total de 631 inquéritos, dos quais 541 foram considerados válidos, 42 inválidos e 48 não foram devolvidos.

Dos inquéritos considerados válidos, 302 são de alunos do sexo masculino e 239 do sexo feminino. A idade distribui-se do seguinte modo: 43 têm 12 anos, 14 têm 13 anos, 18 têm 14 anos, 8 têm 15 anos, 22 têm 16 anos, 36 têm 17 anos, 36 têm 18 anos, 5 têm 19 anos, e 4 têm 20 anos. Quanto ao ano de escolaridade, 112 frequentam o 7º ano, 98 o 8º ano, 74 o 9º ano, 75 o 10º ano, 73 o 11º ano, e 108 o 12º ano.

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A apresentação e discussão dos resultados segue a estrutura do questionário usado no levantamento da informação. Sempre que se ache oportuno, agrupar-se-ão questões para fazer comparações que possam considerar-se pertinentes.

Já ouviste falar da Internet?

Apesar desta questão parecer, nos dias de hoje, descabida, ainda se verifica a existência de um reduzido número de alunos (2) que nunca ouviu falar da Internet, ou seja, 0,4%, como mostra o gráfico abaixo. Mesmo não sendo um número significativo, julga-se necessário um esforço no sentido de o tornar rapidamente nulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Como tomaste conhecimento da existência da Internet?

Dos resultados obtidos, e visíveis no gráfico seguinte, julga-se oportuno destacar dois aspectos.

Primeiro, o peso da televisão (45,2%) e dos amigos/familiares (36,3%) na divulgação e transmissão de conhecimento novo aos alunos, e, daí, o peso pedagógico que têm na sua formação. Em conjunto foram responsáveis por divulgar, a 81,5% dos inquiridos, a existência da Internet.

Uma grande influência de amigos/familiares já era esperada, mas o primeiro lugar da televisão veio mostrar que, cada vez mais, é o maior veículo influenciador da formação dos jovens e que, portanto, as televisões portuguesas deviam ter muita atenção a este aspecto.

Porém, a realidade actual mostra que, na maioria das vezes, as televisões portugueses negligenciam-no e ignoram-no na sua programação.

Segundo, e muito apreensivamente, verificar o baixo peso da escola na divulgação, aos alunos, pela primeira vez, da existência da Internet.

Isto pode indiciar a pouca abertura da escola ou, pelo menos, o seu imobilismo e desinteresse em procurar, trazer e transmitir em primeira mão, aos alunos, as novidades, conhecimentos e tecnologias recentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheces o Programa, do Ministério da Ciência e da Tecnologia, “Internet na Escola”?

Os resultados obtidos surpreendem um pouco, pois quase metade dos alunos do Secundário e 3º Ciclo do Básico (46,5%) nunca ouviram falar do Programa Internet na Escola, como se depreende do gráfico abaixo. Isto indicia falhas das escolas na divulgação do Programa ou, até, do próprio Ministério de Ciência e Tecnologia.

 

 

 

 

 

 

 


Já acedeste à Internet?

Actualmente, ainda existem 11,0% de alunos que nunca acederam à Internet, como mostra o gráfico seguinte.

 

 

 

 

 

 

 


Será que este valor é alarmante? Sinceramente, julga-se que não é fácil encontrar uma resposta, mas, apesar de tudo, isto indicia, uma vez mais, que o Programa Internet na Escola talvez não esteja a ter a divulgação e o impacto esperado.

Onde acedeste à Internet pela primeira vez?

A escola representa um peso de 41,6% na iniciação dos alunos no uso da Internet (ver gráfico abaixo).

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma análise por escola, permite verificar que este valor aumenta nas escolas que servem zonas mais rurais e decresce naquelas que servem zonas mais urbanas.

Esta conclusão não surpreende, dado que, geralmente, os alunos dos meios urbanos dispõem, mais facilmente, de outros locais onde podem aceder à Internet, bem como, de condições económicas mais favoráveis ou, ainda, de familiares e amigos que os possam iniciar no seu uso.

 

 

 

Quantos computadores disponibiliza a tua escola, aos alunos, para aceder à Internet?

Obteve-se a média de 6,6 computadores disponíveis, por escola, para acesso à Internet. Este número é manifestamente baixo, pois as escolas estudadas têm todas uma população estudantil superior a 900 alunos.

Todavia, o número a que se chegou, poderá sofrer de alguma incorrecção. Numa análise escola a escola, verificou-se que, por vezes, não é consensual, entre os alunos da mesma escola, o número de computadores disponíveis para acesso à Internet.

Isto demonstra, uma vez mais, que o Programa Internet na Escola e/ou recursos disponíveis para acesso à Internet, não estão a ter a divulgação devida, o que leva os alunos a não estarem convenientemente informados. É urgente as escolas informarem e sensibilizarem os alunos para estes recursos, bem como para o seu uso.

Mas mesmo tendo em conta que a média obtida nesta questão pode sofrer de alguma incorrecção, constata-se que o número de computadores disponibilizados para acesso à Internet, actualmente, nas escolas, é efectiva e largamente inferior à estimativa apontada no Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal[1], onde era definida como meta, para o ano 2000, no Capítulo 4 A Escola Informada: aprender na Sociedade da Informação, na Secção 4.1 Equipar os Estabelecimentos Escolares, o seguinte:

“... que todas as escolas tenham, pelo menos, um computador multimédia por sala de aula, ligados a uma rede local e com acesso às redes telemáticas, nacionais e internacionais.”

De que forma podes aceder à Internet, na Escola?

A inscrição prévia (55,2%) domina maioritariamente a forma de acesso à Internet nas escolas estudadas, o que mostra a burocracia por qual os alunos têm de passar, na maioria das vezes, para poderem usar a Internet.

Lamenta-se que o livre acesso ocorra apenas em 27,8% das situações. Contudo, como o número de computadores disponibilizados para acesso à Internet é, ainda, muito reduzido, também compreende-se a preocupação das escolas em tentarem priorizar e/ou ordenar os pedidos de acesso, de modo a optimizarem os parcos recursos de que dispõem.

 

 

 

 

 

 

 

Existe alguém indicado pela escola, para te ajudar, quando tens dificuldades no uso da Internet?

39,5% responderam Sim, 20% Não e 39,7% Não Sei, como se depreende do gráfico abaixo.

 

 

 

 

 

 

 


Mais uma vez verifica-se que o Programa Internet na Escola e/ou recursos envolvidos no uso da Internet não estão a ser divulgados satisfatoriamente, como comprovam os 39,7% de alunos que não sabem se existe alguém na escola para os ajudar perante eventuais dificuldades no acesso à Internet.

Uma análise às respostas dadas na penúltima pergunta do questionário, veio mostrar que algumas das repostas positivas significavam a existência de alguém, mas apenas com a função de vigilância do equipamento e dos alunos, em vez de assistência e ajuda em situações de dificuldade de uso.

Para aquelas escolas que disponibilizam pessoas com função estrita de vigilância, talvez fosse oportuno repensarem as aptidões dessas pessoas, substituí-las por outras ou até proporcionar-lhes formação de reciclagem, de modo que obtenham aptidões que complementem a sua função e, consequentemente, sejam capazes de assistir os alunos nos seus problemas e dúvidas no acesso à Internet.

Em que local acedes com mais frequência à Internet?

A escola é o local de acesso mais frequente (40,8%), como mostra o gráfico seguinte. Tal como na pergunta em que se procurava saber o local onde os alunos acederam, pela primeira vez, à Internet, verificou-se também aqui, que o peso da escola aumenta naquelas que servem zonas mais rurais, carenciadas ou iletradas, e diminui naquelas que servem zonas mais urbanas, abastadas e letradas.

A predominância da escola como local de acesso mais frequente, nesta conjuntura em que os meios disponíveis de acesso à Internet, na escola, ainda são extremamente escassos, talvez reflicta as dificuldades económicas que acarreta um acesso à Internet, em casa, por parte dos alunos.

Assim, julga-se necessária e urgente uma redefinição da política de subsidiação dos alunos portugueses, por parte do Estado, na obtenção de equipamento e serviços relacionados com as TIC. Só desta forma se poderão criar bases sólidas para uma ampla Sociedade da Informação.

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Que serviços da Internet utilizas normalmente na Escola? E fora da Escola?

O serviço mais procurado, quer na escola ou fora dela, é a World Wide Web (WWW). Depois aparecem as conversas on-line (Chats), seguidas do correio electrónico (E-mail), grupos de discussão (NewsGroups), transferência de ficheiros (FTP) e Outros.

Como mostra o gráfico abaixo, a WWW perde alguma influência quando se passa da escola para fora dela. No entanto, esta perda não parece ser significativa, sendo equilibradamente distribuída a favor de todos os outros serviços.

Este comportamento já era de esperar, visto que a WWW é, por excelência, um inesgotável suporte e fonte de conteúdos, e a escola é (ou devia ser) o local onde preferencialmente podem ser desenvolvidos, consultados e explorados conteúdos de teor pedagógico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A tua atitude no uso da Internet na escola e fora dela é diferente?

Metade dos alunos (50%) considera que a sua atitude no uso da Internet altera-se em função do local de acesso. Esta postura diferenciada é motivada em 35,3% dos casos por motivos de privacidade, em 22,4% por limitações na velocidade de acesso, em 33,5% por limitações no tempo de acesso, em 6,9% por razões económicas e em 1,8% por outras razões, como mostra o gráfico seguinte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Estes resultados não surpreendem.

Primeiro. As escolas ao terem um vigilante no acesso dos alunos à Internet, limitam, de facto, a privacidade destes, pois serão sempre alvos de censura e, consequentemente, evitarão, na maioria das vezes, a consulta de conteúdos potencialmente censuráveis.

Segundo. Os parcos recursos de acesso à Internet, das escolas, não permitem que os alunos possam usufruir do acesso o tempo que, eventualmente, desejariam.

Terceiro. A velocidade pode ser um constrangimento, pois há um conjunto de serviços da Internet que se torna (quase) impossível usufruir, quando a capacidade da linha é exígua e/ou sobreaproveitada, apesar disto, por vezes, poder ser justificado por uma limitação da infra-estrutura de comunicação externa às escolas.

Quarto. Apesar do custo ter um baixo peso nas motivações de acesso diferenciado, os resultados demonstram que há uma franja de cerca de 7% de alunos que não dispõe de condições financeiras que lhe proporcione o acesso fora da escola ou, pelo menos, o tempo que gostariam despender.

 

Que tipo de conteúdos costumas consultar na Web quando acedes à Internet na Escola? E fora da Escola?

Nesta questão pedia-se para indicarem, entre quinze opções disponibilizadas, os cinco tipos de conteúdos Web que costumam consultar mais frequentemente.

Como se pode ver pelo próximo gráfico, os conteúdos lúdicos e de entretenimento são os mais consultados, quer seja na escola ou fora dela. As cinco primeiras posições são ocupadas, em ordem decrescente, pelos conteúdos relacionados com Música, Jogos, Desporto, Anedotas e Televisão.

Inesperadamente, os conteúdos de teor pedagógico ocupam apenas o décimo primeiro lugar na ordem de preferências e/ou consulta e exploração de conteúdos. Isto parece indiciar que as escolas e, particularmente, os professores, ainda não foram capazes de sensibilizar, motivar, cativar e catapultar os seus alunos para a consulta e exploração de conteúdos pedagógicos na Web, como complemento às formas tradicionais de aprendizagem e/ou procura e aquisição de conhecimento.

A diferença entre os tipos de conteúdos consultados dentro e fora da escola não é significativa. Destaca-se apenas aqueles em que há uma diferença acima de 1%. Um aumento de 1,3% para os conteúdos erótico/pornográficos, no sentido da escola para fora dela, e um decréscimo de 1,3%, no mesmo sentido, no caso dos culturais.

Esta ilação reforça e está em conformidade com o primeiro aspecto indicado pelos alunos para justificarem uma atitude diferenciada no acesso à Internet, dentro da escola versus fora dela, ou seja, falta de privacidade.

 

 

 

 

 

 

 

 


Indica os teus cinco “Sites” preferidos

Aqui pedia-se aos alunos para indicarem os endereços dos seus cinco “sites” preferidos.

Fazendo apenas uma análise estrita de endereços Web, ou seja, sem considerar sub-endereços derivados de endereços principais, tem-se, sem surpresa, em primeiro lugar, e apontando no sentido de outros estudos [e.g., Andrade 2001], o Portal Sapo (http://www.sapo.pt) com137 nomeações, como se pode verificar pelos vinte mais nomeados (ver quadro seguinte).

Todavia, uma análise lata de endereços permite verificar que o Portal IOL suplanta com 185 nomeações, o Portal Sapo. Este resultado parece, sobretudo, derivar do peso da TVI dentro do Portal IOL (TVI + BigBrother = 131 nomeações). Realce-se também agora o sexto lugar do Programa Acorrentados com 35 nomeações. Encontra-se assim, uma vez mais, indicadores a apontarem fortemente no sentido da enorme influência da televisão junto dos jovens portugueses.

A predominância de Portais e Motores de Pesquisa já era de esperar, pois são, por excelência, locais ideais para início de navegação na WWW. Contudo, as nomeações obtidas por endereços ligados à televisão surpreendem por excesso.

Há também a salientar: o bom lugar conseguido pelo sítio de assuntos relacionados com telemóveis (http://www.telemoveis.com), o que vem reforçar a ideia do sucesso e popularidade destes aparelhos junto dos jovens; a existência de três sítios relacionados com música: Rádio Comercial, MTV e Napster; o desporto com os sítios do Benfica, Futebol Clube do Porto e Jornal Record; e, finalmente, o sítio que muitas vezes é o exemplo apresentado por alguns detractores do uso livre e aberto da Internet pelos jovens: Playboy.

Sites

Endereços

Nomeações

Sapo

http://www.sapo.pt

137

TVI

http://www.tvi.iol.pt

89

IOL

http://www.iol.pt

54

Altavista

http://www.altavista.com

51

BigBrother

http://www.bigbrother.iol.pt

42

Acorrentados

http://www.acorrentados.com

35

AEIOU

http://www.aeiou.pt

35

Yahoo

http://www.yahoo.com

34

Telemóveis

http://www.telemoveis.com

25

Sport Lisboa e Benfica

http://www.slbenfica.pt

24

Terràvista

http://www.terravista.pt

23

Playboy

http://www.playboy.com

22

Rádio Comercial

http://www.radiocomercial.pt

21

MTV

http://www.mtv.com

21

Futebol Clube do Porto

http://www.fcporto.pt

19

Portugalmail

http://www.portugalmail.pt

19

CLIX

http://www.clix.pt

17

Napster

http://www.napster.com

16

Hotmail

http://www.hotmail.com

12

Record

http://www.record.pt

12

 

Qual é o tempo médio, que despendes, por semana, na Internet?

Como mostra o gráfico seguinte, a maioria dos alunos (54,5%) liga-se à Internet, em média, na escola, menos de 1 hora por semana. No acesso fora da escola, apesar deste ainda ser o período de tempo mais verificado (32,5%), tem uma predominância manifestamente inferior. O valor da diferença é transferido maioritariamente para o intervalo de tempo que varia entre as 2 e as 5 horas de acesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

Estes resultados, mais uma vez, vieram mostrar as limitações de recursos de acesso à Internet das escolas, face ao seu número de alunos, bem como, as baixas possibilidades financeiras, ou outras, para acederem, mais tempo, fora da escola.

Qual o período do dia em que acedes à Internet com mais regularidade?

Como apresentado no gráfico seguinte, o período 13-18 horas, ou seja, a tarde, foi referido como o período mais regular de acesso à Internet (36,0%). Surpreendentemente, o período 8-13 horas, ou seja, a manhã, é o menos referido (11,9%). Dado que o questionário não procurava saber o horário das aulas dos inquiridos, não se podem encontrar causas fundamentadas que impliquem estes resultados.

 

 

 

 

 

 

 


Realce-se que os dois períodos em que os alunos não estão na escola, isto é,18-22 horas e 22-8 horas, em conjunto, foram referidos maioritariamente (27,7% + 24,5% = 52,2%). Este resultado, mais uma vez, pode derivar dos recursos exíguos que as escolas dispõem para os alunos acederem à Internet. Não havendo possibilidade de acederem o tempo que, eventualmente, desejariam, procuram fazê-lo fora da escola, nos períodos mais económicos.

Como classificas a tua facilidade de utilização da Internet?

28,7% dos alunos acham que a sua aptidão de utilização da Internet é Boa, 55,4% Razoável e apenas 15,9% a consideram Fraca, como ilustra o gráfico seguinte. Um esforço das escolas na disponibilização de pessoas com boas aptidões no uso da Internet, para ajuda nas dificuldades dos alunos, pode fazer com que se verifique o nível Boa numa maior percentagem de alunos, como alguns deles referiram. Uma outra possibilidade, também sugerida por alguns alunos, seria a inclusão de uma disciplina de Internet num dos anos do ensino básico, mesmo que fosse opcional.

 

 

 

 

 

 

 

 


Tens página pessoal na Web? Quem a construiu? Onde está alojada?

A esmagadora maioria dos alunos (83,3%), como se pode ver pelo gráfico abaixo, não possui página pessoal na Web. Estes resultados apontam no sentido da necessidade de incentivar mais os alunos na construção de páginas pessoais.

 

 

 

 

 

 

 


Da minoria que possui página (16,7%), 43% referiram que foram construídas pelos próprios, 49,4% por amigos ou familiares, 6,3% por professores, 1,3% por empresas e 2,5% ainda por outras entidades.

Esta minoria escolheu, maioritariamente, para alojamento das páginas, um serviço gratuito tipo Terràvista, Geocities, etc. (63,8%), seguindo-se, surpreendemente, à frente do serviço da UARTE[2] (8,8%), os serviços pagos (25,0%)

Uma vez mais, estes resultados denotam uma fraca divulgação, junto da população estudantil, do Programa Internet na Escola, ou então, uma baixa qualidade nos serviços disponibilizados pela UARTE, pois, o facto dos serviços pagos ficarem à frente do serviço da UARTE, nas preferências de locais de alojamento, é elucidativo.

Já participaste no desenvolvimento/criação de algum “site” pedagógico? Quem teve a iniciativa? Onde está alojado?

Lamentavelmente, como ilustra o próximo gráfico, apenas 9,6% dos alunos já participaram no desenvolvimento ou criação de sítios Web, de teor pedagógico.

Um dos objectivos fundamentais do Programa Internet na Escola é, precisamente, possibilitar e levar ao desenvolvimento de conteúdos pedagógicos pelos agentes educativos, nomeadamente professores e alunos.

O desenvolvimento de sítios Web deste tipo é um bom exercício de aplicação, memorização e disponibilização do conhecimento adquirido pelos alunos, bem como, pela parte dos professores, outras formas de disponibilizar conhecimento e interagir com os alunos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Estes resultados apontam no sentido da necessidade de um grande esforço do Ministério da Educação na sensibilização e formação dos professores para o desenvolvimento de conteúdos pedagógicos e, por sua vez, destes, na sensibilização e ajuda dos alunos no desenvolvimento deste tipo de sítios Web.

Aqui, o Ministério da Educação, Escolas e Professores têm de funcionar como indutores e catalizadores do desenvolvimento de sítios Web. Havendo falhas a este nível, dificilmente os alunos terão curiosidade e tomarão a iniciativa de desenvolver conteúdos Web, nem que seja apenas a sua página pessoal.

Dos pouquíssimos sítios pedagógicos criados, a iniciativa partiu em 15,6% dos casos dos alunos, em 26,7% dos colegas, em 42,2% dos professores, em 4,4% da direcção da escola, em 8,9% de familiares ou amigos e em 2,2% de outros.

Muito estranhamente e ocupando o último lugar, apenas 4,7% destes sítios Web estão alojados no servidor da UARTE. Os restantes, 62,8% estão em serviços gratuitos, 23,3% em serviços pagos e 9,3% noutros locais.

Uma vez mais, estes resultados denotam uma fraca divulgação, junto dos agentes de ensino, do Programa Internet na Escola, ou então, uma baixa qualidade nos serviços disponibilizados pela UARTE, pois, o facto dos serviços pagos ficarem esmagadoramente à frente do serviço da UARTE, nas preferências de locais de alojamento, é bem esclarecedor.

Estás satisfeito com o modo como podes utilizar a Internet na Escola? O que deve ser melhorado?

Como se depreende do gráfico seguinte, a maioria dos alunos (58,0%) está insatisfeita com o modo como pode utilizar a Internet na Escola.

 

 

 

 

 


Embora sabendo que é difícil agradar “a gregos e a troianos”, considera-se que esta percentagem de insatisfeitos é significativa, revelando assim, mais uma vez, que o Programa Internet na Escola sofre de consideráveis falhas de desenvolvimento e implementação.

As principais reivindicações dos alunos insatisfeitos, nas escolas estudadas, são: mais computadores para acesso à Internet; alguém qualificado para assistência e ajuda nas dificuldades de uso; o livre acesso; melhor velocidade no acesso; a melhoria da qualidade do hardware e do software disponível; e a reparação rápida dos PCs disponíveis, constantemente não funcionais.

Julga-se que grande parte destas exigências podem ser satisfeitas com um maior esforço da escolas, nomeadamente no que respeita à reparação rápida do equipamento com anomalias, à actualização do software (sobretudo o que é de obtenção ou aquisição gratuita) e à disponibilização de alguém qualificado para assistir e ajudar os alunos nas dificuldades de uso da Internet.

A satisfação das restantes exigências dependerá, fundamentalmente, de esforços financeiros do Estado Português e da melhoria da qualidade do suporte e serviços disponibilizados pela UARTE.

Indica as desvantagens e/ou desvantagens de utilização da Internet, quer seja na escola ou fora dela?

As respostas obtidas nesta questão de tipo aberto resumem-se no seguinte.

As principais vantagens da Internet são: inesgotável fonte de informação e de conhecimento de todos os assuntos; comunicação (novas amizades, troca de e-mails, etc.); investigação-pesquisa para trabalhos escolares; entretenimento; gratuitidade na escola; e, por fim, conhecimento rápido e eficaz sobre as mais diversas novidades e acontecimentos.

As principais desvantagens da Internet são: valor dos tarifários praticados pelas empresas que prestam serviços de acesso; vício e isolamento que pode provocar o uso abusivo ou obsessivo da Internet; informação imprópria e danosa;  dificuldade em encontrar alguma informação que se pretende; e, finalmente, a lentidão de acesso.

5. CONCLUSÕES

 

A adesão rápida e plena das escolas, professores e alunos à Internet tem vindo a ser apontada como factor crítico de sucesso que permitirá a Portugal evoluir no sentido de uma ampla integração na Sociedade da Informação e, particularmente, fazer parte dos países do “pelotão da frente”.

Tendo isso em consideração, e em consonância com os seus parceiros Europeus, o Governo Português lançou nos finais de 1996 o Programa Internet na Escola.

Passado um tempo considerável do início da implementação deste Programa, nas escolas, importava saber como estava a ser levado a cabo e que impacto estava a ter junto dos agentes de ensino, em particular dos alunos.

Este documento apresentou um pequeno contributo para estas dúvidas, através da descrição e discussão de uma investigação realizada com o objectivo de avaliar o Programa Internet na Escola e identificar o perfil de utilização da Internet pelos alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico. Agora apresentam-se as principais conclusões.

O número de computadores disponível nas escolas para acesso à Internet está, efectiva e largamente, aquém da estimativa apontada no Livre Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, para o ano 2000.

O Programa Internet na Escola sofre de imperdoáveis falhas de divulgação, quer seja ao nível do Ministério da Ciência e da Tecnologia e da sua subordinada UARTE, ou quer seja ao nível das escolas e dos seus professores.

Os serviços e suportes disponibilizados pela UARTE têm consideráveis carências de qualidade e/ou de divulgação.

A televisão é a principal entidade de divulgação e sensibilização dos alunos do Secundário e do 3º Ciclo do Básico para o fenómeno da Internet.

Os alunos usam a Internet, sobretudo, com finalidades lúdicas e de entretenimento, relegando o uso com fins pedagógicos para um plano meramente secundário.

O factor económico parece ser o principal constrangedor e inibidor do uso da Internet, por parte dos alunos, fora da escola.

Há imobilismo e desinteresse dos professores face à Internet e, particularmente, à forma como pode mudar, complementar e melhorar o processo ensino-aprendizagem.

As escolas não disponibilizam pessoas qualificadas e aptas para assistirem e ajudarem os alunos perante dificuldades e dúvidas de uso da Internet.

A maioria dos alunos está desapontada com o modo como pode utilizar a Internet na escola.

Apesar do estudo ter posto a “nu” várias lacunas do Programa Internet na Escola, importa salientar que, mesmo assim, este tem tido algum impacto positivo, mostrando-se mais valioso nas escolas que servem zonas mais rurais. Mas, para que este projecto do Governo possa ter o sucesso esperado e devido, são necessárias mudanças e aperfeiçoamentos urgentes e significativos na forma como está ser implementado.

Conscientes de que este trabalho de investigação foi apenas um pequeno passo para tentar ajudar a melhorar o aproveitamento da Internet pelas escolas, bem como pelos seus alunos e professores, esperamos ter contribuído, com seriedade, para um debate sustentado, que justifique e permita, num futuro próximo, a realização de novos estudos que venham a demonstrar o sucesso de esforços que o país está a desenvolver no domínio das Tecnologias da Informação e Comunicação.

BIBLIOGRAFIA

Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, aprovado pelo Conselho de Ministros em 17 de Abril de 1997, Capítulos 3 e 4, http://www.iie.min-edu.pt/documentos/livro-verde/ (última consulta: 5/4/2001).

Andrade, M., 2001, “Portais portugueses são lentos”, Caderno de Economia, Jornal Expresso, 3 de Fevereiro de 2001, p. 15.



[1] O Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal foi aprovado pelo Conselho de Ministros de 17 de Abril de 1997.

[2] UARTE: Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa. Esta entidade tem a seu cargo a tarefa de acompanhamento de todo o processo de implementação do Programa Internet na Escola e põe ao dispor das escolas espaço num servidor Web para alojamento das páginas dos alunos ou relacionadas com a escola, para além de disponibilizar ainda outro tipo de serviços, tais como e-mail, conferência electrónica, conversa e arquivo de ficheiros.