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DELEGAÇÃO DE SAÚDE DE CAMINHA INTERDITA TOTALMENTE ZONA BALNEAR DE VILA PRAIA DE ÂNCORA
As análises realizadas às águas do rio Âncora no passado dia 22 de Agosto voltaram a detectar “anormalidades”, designadamente a presença de um micro-organismo (salmonela), levando a Delegação de Saúde de Caminha a solicitar ontem mesmo, a interdição do uso das águas para fins balneares na Zona Balnear de Vila Praia de Âncora, “data em que teve conhecimento da última análise”. Segundo referiu a delegada de Saúde de Caminha numa nota à imprensa -escusando-se a tecer mais qualquer comentário sobre o assunto- a ingestão da salmonela “pode provocar doença de gravidade”, razão pela qual decidiu “salvaguardar a saúde das populações”, após três resultados consecutivos de maus resultados, “especificamente no troço do rio Âncora que atravessa a praia de Vila Praia de Âncora”. Recorde-se que este foco de poluição se revelou particularmente polémico, devido à confusão estabelecida entre praias pluviais e marítimas, levando a própria Câmara de Caminha a emitir um comunicado em que tentou salvaguardar a qualidade das águas da praia marítima, banhada, contudo, pelas do rio Âncora. A partir de hoje, Sábado, a Capitania hasteará três bandeiras vermelhas e reforçará os avisos de interdição a banhos com mais duas placas. Entretanto, o INAG e o Instituto do Ambiente divulgaram os resultados de análises feitas nesta praia em 30 de Agosto e ambas são classificadas de "Aceitáveis". CRONOLOGIA Maio e Agosto: Duas colheitas realizadas pelo Instituto Nacional da Água catalogadas de “Má” (22 de Maio e 12 de Junho) e “Aceitável (três, a 29 de Maio, 10 de Junho e 7 de Julho). 25 de Julho: primeiros resultados negativos detectados pela Delegação de Saúde, seguindo-se os de 8 de Agosto, agora reconfirmados por contra-análises de 22 do mesmo mês, mas que só ontem chegaram ao conhecimento da Autoridade de Saúde Concelhia. A Câmara de Caminha diz que resultados do dia 22, da sua responsabilidade, são "Bons". 22/Agosto –Hasteadas duas bandeiras vermelhas – 23/8 Hasteada apenas uma e retirada no dia seguinte, substituída por placas proibindo os banhos. 1 de Setembro – Ainda não há bandeiras vermelhas na praia. 2 de Setembro – Três bandeiras vermelhas na praia. INTERDIÇÃO DA PRAIA DO RIO ÂNCORA
Júlia Paula e os vereadores socialistas envolveram-se em acesa discussão sobre o controverso processo de interdição dos banhos na praia fluvial (?) do rio Âncora, acabando com a autarca social-democrata a corta a palavra a Amílcar Lousa, após concluir que "o assunto está esclarecido". "FOLHETIM DIGNO DE UMA TELENOVELA"
O edil socialista iniciou a discussão com a acusação de ter existido "uma grande irresponsabilidade em tudo isto" e de prefigurar "um crime contra a saúde pública", entendendo que "as pessoas não estavam a frequentar uma praia, mas uma fossa". Recordou a posição contrária à dragagem do portinho de Vila Praia de Âncora durante o verão assumida por Júlia Paula, receando pelos banhistas mas, assistiu-se a um atentado ambiental cuja proveniência não foi a dessa operação de desassoreamento, assinalou. O vereador da oposição dedicou-se seguidamente a dissecar um comunicado emitido pela Câmara e classificado de "surrealista". Rejeitou a divisão entre praia fluvial e marítima na foz do Âncora, argumentando com a inexistência de um cadastro da designada praia fluvial e perguntando como será possível "separar esta praia a que chama fluvial da praia marítima, se o rio atravessa a praia a meio?" Lousa chegou assim à conclusão de que há uma única praia - a de Vila Praia de Âncora e que seria pouco provável que os próximos resultados das colheitas revelassem índices diferentes dos de 25 de Julho e 8 de Agosto. "DESNORTE" Criticou seguidamente o "desnorte" das diversas entidades envolvidas na novela das bandeiras, salvaguardando unicamente a actuação da Autoridade de Saúde, que cumpriu com o seu dever, aduziu, além de realizar colheitas de água no rio, rio esse que apelidou de "esgoto" e que atravessa a designada (pela Câmara) praia marítima. Citou seguidamente os resultados das diversas análises efectuadas por diferentes entidades, revelando problemas já desde Maio, com particular relevo para as colheitas realizadas pela própria Câmara a 13 de Junho em que a água se apresentava imprópria para banhos, com coliformes fecais na ordem das 32.000 unidades, 200.000 coliformes totais e 8.100 estreptococos fecais, mas que a Câmara omitiu nesse comunicado em que apenas é feita referência aos resultados de 25 de Julho e 8 de Agosto. Perante estes dados o PS acrescentou que os casos não são pontuais, como destacou Jorge Miranda, mas com origem já desde Maio, criticando que tivesse sido permitida a frequência da praia que "estava imprópria". Aproveitando a situação das águas dos rios, a oposição levantou o problema existente a sul do cais de Caminha, com esgotos a verter para o rio, pedindo intervenções rápidas para debelar estes casos, "em vez da anunciada iluminação de pontes". "DISPARATES"
A reacção de Júlia Paula não se fez esperar, começando por dizer que "nunca ouvi o senhor Lousa dizer tantos disparates". Insistiu na divisão da praia em fluvial e marítima e na impossibilidade de colocação de bandeiras vermelhas no primeiro local e afirmou que compete à CCDRN e INAG "classificar" as praias, no que foi contrariada por Amílcar Lousa, retorquindo que compete às delegações de saúde dar um parecer, sem o qual, as outras entidades não podem avançar com a qualificação. Júlia Paula chamou a atenção para o período de um mês em que a praia não esteve interdita, pedindo responsabilidades a quem permitiu tal situação e concluiu que "estão a contribuir para a má imagem do concelho e da praia de Vila Praia de Âncora. Adiantou ainda que análises efectuadas pela Câmara a 22 de Agosto davam resultados normais. "VÃO ENGOLIR TUDO AQUILO QUE AQUI DISSERAM" A autarca não gostou nada que lhe tivessem recordado que já estava no poder há quase cinco anos e o problema no rio Âncora estava por resolver. Investiu então contra os edis socialistas, a quem acusou de "não se poderem desresponsabilizar de 25 anos de poder PS" e evocou algumas situações herdadas, tais como ligações de saneamento à rede de águas pluviais, construções em linhas de água, a paralisação de seis estações elevatórias "quando cá (à Câmara) chegámos" e que a ETAR estava a funcionar apenas a 35% e agora já estaria nos 70%, apesar de ter manifestado "dúvidas" sobre este equipamento -agora sob a responsabilidade da Minho e Lima. "E se rio Âncora é uma fossa, é porque os senhores (PS) construíam lá uma ETAR!", denunciou, para de seguida afirmar que "quando chegámos à Câmara os tanques e bacias" desta depuradora "ameaçavam rebentar". A existência de cisternas junto ao rio Âncora foi adiantada pela autarca, assegurando que "já estão identificadas", ameaçando de seguida os socialistas de irem "engolir tudo aquilo que aqui disseram" e insistindo que "os nossos comunicados são a verdade pura e simples".
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