Jornal Digital Regional
Nº 303: 2/8 Set 06 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


Quando as histórias estão mal contadas

Para não fugir à regra, mais um ano com incidentes de poluição trouxeram para as paginas dos jornais Vila Praia de Âncora e a sua praia. Desta vez o incidente tem contornos de novela e seria de todo ridículo se não estivessem em causa valores elevados como a saúde pública e o bom nome desta praia encantadora.

Com a dança das bandeiras, ora hasteadas ora arreadas, as nossas entidades deram-nos mais uma lição de incompetência e de total descoordenação. Porquê? Não sei, mas se calhar há gente a mais…

Deixem-me expor algumas dúvidas:

º Então há duas praias, uma fluvial e outra marítima, precisamente no mesmo local?

º Porque é que o site do INAG (Instituto da água) não faz referencia a essas duas supostas praias, nem menciona as referidas análises fluviais?

º Porque é que a análise colhida a 8 de Agosto só foi publicada no site do INAG a 23 de Agosto, quando o prazo médio de publicação é de três (3) dias e muito depois de ter publicado a análise de 16 de Agosto. Mais, esta análise (8 de Agosto) apesar de identificar a presença de coliformes fecais (em quantidades relativamente baixas) é claro no que diz respeito a salmonelas: ZERO. Para que não restem dúvidas vejam o quadro seguinte que foi retirado integralmente do site oficial do Instituto da Água.

º O resultado da análise do dia 25 de Julho é BOA, apenas com vestígios de coliformes e ausência de salmonelas.

º Porque é que as análises do site do Instituto do Ambiente não condizem com as análises do site do INAG?

º Como é possível um intervalo de tempo de um mês entre uma análise (25 de Julho) e uma reacção (24 de Agosto). À quantidade de miúdos e graúdos que por lá se banharam, se houvesse uma contaminação por salmonelas em larga escala, não chegariam todos os hospitais da região para tratar os doentes.

º Se a presença de salmonelas é assim tão perigosa para a saúde, estamos perante um caso de grave negligencia em cuidados de saúde pública. Quem são os responsáveis, quando e como irão ser responsabilizados? Ou não vão ser responsabilizados e continuarão com a incompetência do costume, paulatinamente até à reforma.

º Para que servem tantos organismos a tutelar estas questões? Vejamos: Delegação de Saúde, Capitania, Ministério do Ambiente através do Instituto da Água e Instituto do Ambiente alem da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.

Estas são algumas duvidas que me ocorrem e para as quais não tenho resposta, mas também tenho algumas certezas. A certeza que todos os anos acontece uma desgraça deste género até se intervencionar, como deve ser, a rede de saneamento e o respectivo tratamento.

Não venham com "tangas" das descargas clandestinas dos "tractores que a coberto da noite despejam as cisternas no rio, os malandros", nem da teoria conspirativa e terrorista da sabotagem. Poderá muito pontualmente existir alguma descarga, mas os problemas estão em alguns pontos das redes públicas de saneamento e de águas pluviais, assim como no funcionamento da ETAR, como bem sabem os nossos autarcas. Recordo-me que ao longo dos anos sempre se procuraram bodes expiatórios. Antigamente era o matadouro, depois era a oficina dos automóveis e por fim era a Empresa de Lacticínios. Agora são os tractores e os sabotadores que vão abrir a válvula certa…

Este problema não é de hoje e não serve de desculpa vir agora a Câmara dizer tão simplesmente que herdou o problema.

Se herdou o problema, também herdou o dinheiro para o resolver, pois a Empresa de águas Minho Lima pagou mais de 700.000 mil contos pelas infra-estruturas transferidas (rede de alta, estações elevatórias e Etar`s).

No mínimo a Câmara já teve tempo (5 anos) e dinheiro (700.000 contos) para resolver o problema das ligações clandestinas às duas redes, saneamento e águas pluviais.

Por outro lado, também a Empresa de Águas Minho Lima já deveria ter resolvido os problemas da ETAR da Gelfa, uma infra-estrutura com quinze anos que está a precisar urgentemente de ser profundamente renovada, nomeadamente no que respeita ao lançamento dos efluentes supostamente tratados. Foi um erro de concepção e de estratégia, o lançamento desses efluentes no Rio Âncora, quando deveriam ser encaminhados para o mar. Haja coragem e vontade política de corrigir no futuro próximo este erro, pois de contrário todos os anos iremos ter o mesmo "filme".

A Empresa de Águas Minho-Lima não pode simplesmente assobiar para o lado fazendo de conta que não sabem de nada, pois nós pagamos (e muito) para que os efluentes de saneamento sejam tratados.

Disse TRATADOS e não enxaguados e lançados de novo ao rio. A Câmara tem o dever de exigir, como cliente e como accionista que a prestação de serviço que esta empresa executa seja bem feita, mas também tem o dever de corrigir os erros, herdados ou não, que ainda persistem na rede de saneamento (em baixa) que é da sua responsabilidade.

Quando isso estiver feito, estou convencido que estas "fitas", das bandeiras azuis, das bandeiras vermelhas, das noticias nos jornais, etc., serão coisas do passado e que não deixam saudade.

Brito Ribeiro

"MANIFESTAÇÃO DE REPÚDIO DO COMPORTAMENTO DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMINHA PARA COM A POPULAÇÃO RESIDENTE E VEREANEANTE EM VILA PRAIA DE ÂNCORA.

DIA 11 DE AGOSTO (Sexta-Feira), pelas 15.00 horas

Este verão em que (…) ocorreu uma descarga que constituiu uma verdadeira 'maré negra' para os frequentadores da mais Bela Praia do Alto-Minho.

Os prejuízos para os seus utentes e para as actividades económicas são irreparáveis.

A Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora no seu comunicado do passado dia 8 apelou ao apoio das suas tomadas de posição anteriores sobre o comportamento da Câmara Municipal de Caminha, nesta matéria.

TODOS UNIDOS EM DEFESA DA NOSSA PRAIA!"

A introdução que acabou de ler não é da nossa autoria. O texto que referimos é parte de um comunicado assinado por algumas pessoas que diziam estar "unidas em defesa da nossa praia" no tempo da gestão socialista. Agora, perante a gravidade dos resultados das análises da qualidade da água (Má e Aceitável) que retiram, mais uma vez, a Bandeira Azul a Vila Praia de Âncora uns estão calados (talvez por vergonha) e outros, alinham no discurso ensaiado pela Câmara Municipal de Caminha (os que eu apelidaria de fundamentalistas). Quanto aos primeiros, é lamentável que se calem pois não o fizeram no passado, no mínimo, exigia-se coerência para com os princípios preconizados na década de noventa. Relativamente aos segundos, sentem que perdem a sua identidade por discordar daquilo que acham razoável. Como sabemos, a Câmara Municipal de Caminha deu-se ao trabalho de, em comunicado de 24 do corrente, dizer uma série de banalidades (tal como o "Esclarecimento" que lançaram, a seguir, na tentativa de "tapar o sol com a peneira") para justificar dois factos que, esses sim são importantes para os ancorenses: 1) o seu rio está poluído; 2) em 2007, a praia de Vila Praia de Âncora não terá Bandeira Azul da Europa.

Os fracos conhecimentos de geografia de quem redigiu o comunicado revelam-se até na dificuldade de situar geograficamente a "praia das crianças".

É interessante ler, neste comunicado que foi retirada a Bandeira Vermelha (sic) e que "na 'praia das crianças' foi então colocado um placard, de acordo com a lei, metodologia utilizada na interdição das praias, segundo as normas da autoridade marítima." Afinal, o que quer isto dizer?!

Os nossos pobres e desventurados governantes locais, "herdaram este problema" (o que não confessam é a incapacidade de o solucionar). Sejamos claros, Manuel Marques, preside à Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora há praticamente dez anos e este Executivo camarário há metade desse tempo. Em 2001, iam dotar de rede de saneamento todo o concelho e ficaram a milhares de quilómetros dos Executivos anteriores que gastaram milhões de euros em ETAR's, redes de saneamento e de água potável. Em 13 anos de governo PSD na Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, o que foi feito? O Presidente da Junta de Freguesia já nos tranquilizou ou tomou alguma posição conducente à resolução do problema? Como me dizia um amigo da ala política que nos governa em Vila Praia de Âncora "já está na hora da Junta ter ar fresco, estes já só servem para fazer de porta-vozes da Câmara e isso não é bom para a nossa terra…por mais que me custe, é preciso mudar"!

Já todos sabemos que esta Câmara Municipal nunca erra… faz sempre tudo bem! A culpa é sempre dos outros: no passado, a ausência de Bandeira Azul, era culpa da Câmara socialista; há pouco tempo, a responsabilidade recaía nas regras injustas para atribuir este galardão por parte da Associação Bandeira Azul da Europa; agora, e já não é a primeira vez que ouvimos esta desculpa esfarrapada para disfarçar a inércia deste executivo, a culpa é da falta de civismo. Ou seja, em Vila Praia de Âncora e arredores, existe muita falta de civismo por parte das pessoas tendo em conta o número de vezes que a praia ficou sem Bandeira Azul! Por isso, é que chegaram os educadores de Lisboa, Barcelos, Santo Tirso e outros a este município, para dar educação cívica ancorenses e caminhenses (do tipo cantar fados, inaugurar ampliações de cemitérios com comes e bebes, não respeitar o direito de oposição no que toca a requerimentos, exibicionismos em procissões e missas, acções de propaganda política permanente…).

Seguindo a teoria da Sra. Presidente da Câmara que gosta tanto de comparar praias com e sem Bandeira Azul com a qualidade dos hotéis, este ano e no próximo, Vila Praia de Âncora fica-se com a estrela dos coliformes, ou seja, uma pensão cheia de baratas e Caminha e Moledo com os hotéis de cinco estrelas.

CARTA EDUCATIVA POUCO RACIONAL PODE PROVOCAR NOVA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

Como já referimos em artigos anteriores, a "Carta Educativa da VALIMAR Comurb" ou do "Concelho de Caminha" (ainda não se sabe) está cheia de equívocos e de ideias pouco reflectidas do ponto de vista económico, cultural, geográfico e sociológico.

Até é interessante recordar a posição de um Deputado Municipal que, aquando da discussão e aprovação da adesão do Concelho de Caminha à VALIMAR Comurb, se sentia mais identificado com Viana do Castelo do que com o Vale do Minho, relativamente à Carta Educativa, não foi de modas e virou para norte (Dem) porque não há identidade que justifique a opção para sul (Gondar ou Orbacém)!?

De qualquer forma, este documento poderá ser corrigido caso haja vontade de "um terço dos Srs. Deputados Municipais ou de grupos municipais com idêntica representatividade" (art. 10º nº1 alínea b) do Regimento da Assembleia Municipal de Caminha) ou "por um número de cidadãos eleitores inscritos no recenseamento eleitoral do município, equivalente a 50 vezes o número de elementos que compõem a assembleia" (alínea c) do mesmo Regulamento), ou seja, 2050 assinaturas. A verificar-se uma destas situações o Presidente da Assembleia Municipal tem que marcar uma Assembleia Municipal Extraordinária nos quinze dias seguintes. Julgamos ser importante este contributo para que os Deputados Municipais possam reflectir melhor, ouvindo os dois representantes do movimento que recolher as assinaturas e possam emendar a sua decisão se, assim o entenderem.

PERDOEM-LHES POR TEREM FALTADO À CATEQUESE

Já no ano passado, tivemos oportunidade de escrever um artigo intitulado "Perdoem a Dª Angelina" onde expusemos a nossa perspectiva sobre o relacionamento perigoso entre religião e política. Este ano, o episódio repetiu-se, segundo tivemos conhecimento pela comunicação social com a ausência de convite ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Caminha para a Procissão das Festas de Santa Rita de Cássia. Já todos nos apercebemos, pelos acontecimentos, de aspectos que nos levam a compreender melhor o concelho que temos no que toca a este particular. Para a Igreja: deixa de usar-se o princípio da fraternidade, da vivência de irmãos e passa a ser uma comunidade de convidados; a sua estrutura em vez de actual bebe o classismo medieval talvez inspirado nos jantares medievais; aliás, parece que a Igreja caminhense tem a pretensão de voltar a ter o poder inquisitório e schimitiano do conceito do político amigos/inimigos. O que falhou neste sistema é que quando nos queremos secularizar e tornar a Igreja, não numa irmandade, mas num desfile protocolar republicano temos de cumprir as regras republicanas e, cumprir as regras, é colocar as entidades devidamente ordenadas desde cargos de exercício nacional até aos de exercício local.

Assim, queríamos aqui registar este facto e demonstrar à população da vila de Caminha nas pessoas dos seus Presidentes de Assembleia e de Junta de Freguesia a nossa solidariedade pela forma como foram desrespeitados pela sua Comissão de Festas.

Sobre este assunto, gostaríamos de referir o seguinte:

1) Os actos religiosos devem ser manifestações de pessoas iguais que, por isso, comungam a mesma fé;

2) As procissões são uma reunião de irmãos e não uma feira de vaidades onde o estatuto social compra o lugar no céu (neste caso, mais parece o subsídio);

3) É lamentável que, o Pastor do rebanho ainda não tenha pedido publicamente desculpa aos caminhenses pelo sucedido pois está informado da situação. Aconselhar os seus colaboradores a: amarem o próximo; que os "últimos serão os primeiros"; e que a vida paroquial nada tem a ver com a vida política… deverá ser a maior das suas preocupações ao escolher as Comissões de Festas;

4) Saudar os presidentes de Junta de Freguesia que, em solidariedade com a população de Caminha, abandonaram o seu lugar protocolar;

É, por isso, que os caminhenses (que foram à catequese) devem perdoar os responsáveis por tal acto (como lhes foi ensinado) porque quem tem Cristo como modelo sabe que, o primeiro valor cristão, é o amor ao próximo e que só sabe o que é amar aquele que é capaz de perdoar.

Pedro Ribeiro

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
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