"MANIFESTAÇÃO DE REPÚDIO DO COMPORTAMENTO DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMINHA PARA COM A POPULAÇÃO RESIDENTE E VEREANEANTE EM VILA PRAIA DE ÂNCORA.
DIA 11 DE AGOSTO (Sexta-Feira), pelas 15.00 horas
Este verão em que (…) ocorreu uma descarga que constituiu uma verdadeira 'maré negra' para os frequentadores da mais Bela Praia do Alto-Minho.
Os prejuízos para os seus utentes e para as actividades económicas são irreparáveis.
A Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora no seu comunicado do passado dia 8 apelou ao apoio das suas tomadas de posição anteriores sobre o comportamento da Câmara Municipal de Caminha, nesta matéria.
TODOS UNIDOS EM DEFESA DA NOSSA PRAIA!"
A introdução que acabou de ler não é da nossa autoria. O texto que referimos é parte de um comunicado assinado por algumas pessoas que diziam estar "unidas em defesa da nossa praia" no tempo da gestão socialista. Agora, perante a gravidade dos resultados das análises da qualidade da água (Má e Aceitável) que retiram, mais uma vez, a Bandeira Azul a Vila Praia de Âncora uns estão calados (talvez por vergonha) e outros, alinham no discurso ensaiado pela Câmara Municipal de Caminha (os que eu apelidaria de fundamentalistas). Quanto aos primeiros, é lamentável que se calem pois não o fizeram no passado, no mínimo, exigia-se coerência para com os princípios preconizados na década de noventa. Relativamente aos segundos, sentem que perdem a sua identidade por discordar daquilo que acham razoável. Como sabemos, a Câmara Municipal de Caminha deu-se ao trabalho de, em comunicado de 24 do corrente, dizer uma série de banalidades (tal como o "Esclarecimento" que lançaram, a seguir, na tentativa de "tapar o sol com a peneira") para justificar dois factos que, esses sim são importantes para os ancorenses: 1) o seu rio está poluído; 2) em 2007, a praia de Vila Praia de Âncora não terá Bandeira Azul da Europa.
Os fracos conhecimentos de geografia de quem redigiu o comunicado revelam-se até na dificuldade de situar geograficamente a "praia das crianças".
É interessante ler, neste comunicado que foi retirada a Bandeira Vermelha (sic) e que "na 'praia das crianças' foi então colocado um placard, de acordo com a lei, metodologia utilizada na interdição das praias, segundo as normas da autoridade marítima." Afinal, o que quer isto dizer?!
Os nossos pobres e desventurados governantes locais, "herdaram este problema" (o que não confessam é a incapacidade de o solucionar). Sejamos claros, Manuel Marques, preside à Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora há praticamente dez anos e este Executivo camarário há metade desse tempo. Em 2001, iam dotar de rede de saneamento todo o concelho e ficaram a milhares de quilómetros dos Executivos anteriores que gastaram milhões de euros em ETAR's, redes de saneamento e de água potável. Em 13 anos de governo PSD na Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, o que foi feito? O Presidente da Junta de Freguesia já nos tranquilizou ou tomou alguma posição conducente à resolução do problema? Como me dizia um amigo da ala política que nos governa em Vila Praia de Âncora "já está na hora da Junta ter ar fresco, estes já só servem para fazer de porta-vozes da Câmara e isso não é bom para a nossa terra…por mais que me custe, é preciso mudar"!
Já todos sabemos que esta Câmara Municipal nunca erra… faz sempre tudo bem! A culpa é sempre dos outros: no passado, a ausência de Bandeira Azul, era culpa da Câmara socialista; há pouco tempo, a responsabilidade recaía nas regras injustas para atribuir este galardão por parte da Associação Bandeira Azul da Europa; agora, e já não é a primeira vez que ouvimos esta desculpa esfarrapada para disfarçar a inércia deste executivo, a culpa é da falta de civismo. Ou seja, em Vila Praia de Âncora e arredores, existe muita falta de civismo por parte das pessoas tendo em conta o número de vezes que a praia ficou sem Bandeira Azul! Por isso, é que chegaram os educadores de Lisboa, Barcelos, Santo Tirso e outros a este município, para dar educação cívica ancorenses e caminhenses (do tipo cantar fados, inaugurar ampliações de cemitérios com comes e bebes, não respeitar o direito de oposição no que toca a requerimentos, exibicionismos em procissões e missas, acções de propaganda política permanente…).
Seguindo a teoria da Sra. Presidente da Câmara que gosta tanto de comparar praias com e sem Bandeira Azul com a qualidade dos hotéis, este ano e no próximo, Vila Praia de Âncora fica-se com a estrela dos coliformes, ou seja, uma pensão cheia de baratas e Caminha e Moledo com os hotéis de cinco estrelas.
CARTA EDUCATIVA POUCO RACIONAL PODE PROVOCAR NOVA ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Como já referimos em artigos anteriores, a "Carta Educativa da VALIMAR Comurb" ou do "Concelho de Caminha" (ainda não se sabe) está cheia de equívocos e de ideias pouco reflectidas do ponto de vista económico, cultural, geográfico e sociológico.
Até é interessante recordar a posição de um Deputado Municipal que, aquando da discussão e aprovação da adesão do Concelho de Caminha à VALIMAR Comurb, se sentia mais identificado com Viana do Castelo do que com o Vale do Minho, relativamente à Carta Educativa, não foi de modas e virou para norte (Dem) porque não há identidade que justifique a opção para sul (Gondar ou Orbacém)!?
De qualquer forma, este documento poderá ser corrigido caso haja vontade de "um terço dos Srs. Deputados Municipais ou de grupos municipais com idêntica representatividade" (art. 10º nº1 alínea b) do Regimento da Assembleia Municipal de Caminha) ou "por um número de cidadãos eleitores inscritos no recenseamento eleitoral do município, equivalente a 50 vezes o número de elementos que compõem a assembleia" (alínea c) do mesmo Regulamento), ou seja, 2050 assinaturas. A verificar-se uma destas situações o Presidente da Assembleia Municipal tem que marcar uma Assembleia Municipal Extraordinária nos quinze dias seguintes. Julgamos ser importante este contributo para que os Deputados Municipais possam reflectir melhor, ouvindo os dois representantes do movimento que recolher as assinaturas e possam emendar a sua decisão se, assim o entenderem.
PERDOEM-LHES POR TEREM FALTADO À CATEQUESE
Já no ano passado, tivemos oportunidade de escrever um artigo intitulado "Perdoem a Dª Angelina" onde expusemos a nossa perspectiva sobre o relacionamento perigoso entre religião e política. Este ano, o episódio repetiu-se, segundo tivemos conhecimento pela comunicação social com a ausência de convite ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Caminha para a Procissão das Festas de Santa Rita de Cássia. Já todos nos apercebemos, pelos acontecimentos, de aspectos que nos levam a compreender melhor o concelho que temos no que toca a este particular. Para a Igreja: deixa de usar-se o princípio da fraternidade, da vivência de irmãos e passa a ser uma comunidade de convidados; a sua estrutura em vez de actual bebe o classismo medieval talvez inspirado nos jantares medievais; aliás, parece que a Igreja caminhense tem a pretensão de voltar a ter o poder inquisitório e schimitiano do conceito do político amigos/inimigos. O que falhou neste sistema é que quando nos queremos secularizar e tornar a Igreja, não numa irmandade, mas num desfile protocolar republicano temos de cumprir as regras republicanas e, cumprir as regras, é colocar as entidades devidamente ordenadas desde cargos de exercício nacional até aos de exercício local.
Assim, queríamos aqui registar este facto e demonstrar à população da vila de Caminha nas pessoas dos seus Presidentes de Assembleia e de Junta de Freguesia a nossa solidariedade pela forma como foram desrespeitados pela sua Comissão de Festas.
Sobre este assunto, gostaríamos de referir o seguinte:
1) Os actos religiosos devem ser manifestações de pessoas iguais que, por isso, comungam a mesma fé;
2) As procissões são uma reunião de irmãos e não uma feira de vaidades onde o estatuto social compra o lugar no céu (neste caso, mais parece o subsídio);
3) É lamentável que, o Pastor do rebanho ainda não tenha pedido publicamente desculpa aos caminhenses pelo sucedido pois está informado da situação. Aconselhar os seus colaboradores a: amarem o próximo; que os "últimos serão os primeiros"; e que a vida paroquial nada tem a ver com a vida política… deverá ser a maior das suas preocupações ao escolher as Comissões de Festas;
4) Saudar os presidentes de Junta de Freguesia que, em solidariedade com a população de Caminha, abandonaram o seu lugar protocolar;
É, por isso, que os caminhenses (que foram à catequese) devem perdoar os responsáveis por tal acto (como lhes foi ensinado) porque quem tem Cristo como modelo sabe que, o primeiro valor cristão, é o amor ao próximo e que só sabe o que é amar aquele que é capaz de perdoar.