A Festa das Solhas – Lanhelas – 01, 02 e 03 de Setembro
Hoje vamos falar da Festa das Solhas, quase mais conhecida que a Festa em honra do Senhor da Saúde e de Santa Rita de Cássia, exactamente em Lanhelas na Capela do Senhor da Saúde nas fraldas do Monte de S. Gregório, com espaço envolvente ajardinado, com recinto para merendeiros, coretos e grandes árvores centenárias local (diz a crónica do Minho Pitoresco e mesmo Pinho Leal), de muita devoção e promessas. Ultimamente, refere o texto, "datado de 1886, portanto, com 120 anos", como na altura da festividade, sempre no primeiro Domingo de Setembro se serve um petisco gastronómico da freguesia – a solha seca – também, é conhecido pela Festa das Solhas. E aí vai a receita: depois de limpas, salgam-se as solhas com bastante sal e colocam-se em recipiente durante 24 horas. Retira-se-lhes, então, o sal todo e demolham-se cerca de 2 horas. Atam-se aos pares para serem colocadas no "fumeiro" e defumam-se lentamente durante dois dias. Depois, tanto se pode prepará-las cozidas com batata e cebola, como passadas, na sertã, em óleo quente, rapidamente de um lado e do outro. Servem-se bem quentes e com muito alho e azeite. Esta última forma, é a receita tradicional de as servir nestas festas, bem acompanhadas com um bom vinho verde (VQPRD).
Mas mais surpresas há nesta Festa das Solhas e do Senhor da Saúde e Santa Rita de Cássia. Nos dias 1,2 e 3 às 20 horas jantar típico da Festa das Solhas, igualmente, no dia 01 pelas 22 horas verbena abrilhantada pela Orquestra "Roconorte". No dia 2 entrada das Bandas de Música Lanhenense e Amarante; Festival de Fogo de Artifício pelo pirotécnico Ivo Fernandes e baile com a Orquestra Fernando Amorim. Domingo, dia 3, Missa Solene e Procissão em honra do Senhor da Saúde; às 15,30 horas Cantigas ao Desafio e final pela Orquestra "Ritmo Latino".
Não esqueça, vá à Festa das Solhas no próximo fim de semana.
Restaurante Adega – Lanhelas
Com uma ementa típica permanente e sugestões variadas durante todo este Verão, o Restaurante Adega na semana de 28 de Agosto a 3 de Setembro dá o maior ênfase a este prato típico e único da freguesia de Lanhelas. Com uma escolha preciosa sempre dos Vinhos da região, pode encontrar até Domingo, diariamente, a solha fumada com a batata cozida e a Vitela Barrosã assada com arroz de carqueja a que se seguem, mantendo-se sempre a solha, outras ementas: frango de cabidela, bacalhau com broa, espetadas mistas de carne, caldeirada de peixe, cabrito assado no forno. Não esqueça, pois, de comemorar a nossa Festa das Solhas no Restaurante que vem elegendo a cozinha tradicional como o seu ex-libris, assim como um acompanhamento de Vinhos Verdes imprescindíveis para completar uma degustação a preceito.
Valença Medieval – 1,2 e 3 de Setembro
Valença termina a série de Feiras e Ceias Medievais que decorreram no nosso Calendário de Festas, Feiras e Romarias e que mereceram de Veraneantes, Mercado Galego, Mercado Étnico, Turistas Estrangeiros e, naturalmente, muitos Excursionistas que nos felicitaram pelo aproveitamento dos Centros Históricos (com parabéns para o restauro efectuado, sobretudo, pela qualidade das intervenções) agora no seguimento da já tradicional animação turística que nos chegou da Inglaterra (Living History) a que o Grupo de Teatro Comédias do Minho vem dando um total apoio (com êxito), como tivemos oportunidade de ver, entre outros espectáculos as actuações, em Melgaço e Vila Nova de Cerveira. Em Valença do Minho no dia 1, pelas 20 horas será o repasto medieval com todos os preceitos, inclusivé com a participação de jograis e trovadores; tocadores de gaitas, charanelas e bombos. No dia 2, às 22 horas Torneio de Guerreiros apeados e a cavalo e no Domingo, às 16 horas Justas de Armas, sendo às 19 horas o encerramento. Repasto Medieval – Venda de Bilhetes: Biblioteca Municipal; União Empresarial do Vale do Minho; Turismo de Valença.
Nossa Senhora da Peneda 01 a 08 de Setembro
"Não fazemos programa - é a Senhora da Peneda, e, por tradição, todos vêm cá", "Vêm à novena, que se realiza às nove horas da manhã e abre a romaria, que termina no dia oito.". A maior parte dos peregrinos fica nos cartéis que a Confraria, agora, com a ajuda do Programa PITER transformou em Albergue de Peregrinos e ainda um remodelado hotel e restaurante sem perderem a sua traça e características de "casas de peregrinos".
No dia 2, é o Sagrado Lausperene, com o Santíssimo Exposto...
No dia 6, é a procissão eucarística, às 5 da tarde, descendo a escadaria e voltando ao Santuário, com benção dada do coro.
No dia 7, é a procissão de velas, terminando no dia 8, com a Festa de Nossa Senhora da Natividade, com missa "instrumental" e procissão do "Adeus", às 11 horas.
A Peneda, segundo o tombo de 1565, ficaria no limite dos antigos concelhos do Soajo e de Castro Laboreiro. Testemunhos da zona da Gavieira, Rouças e Tibo, admitem que a tradição da Senhora da Peneda poderá remontar ao Séc.XVII e não ao Séc.XVI. O aparecimento da "Senhora" no Penedo da Meadinha, aos pastorinhos e, noutra versão, a malfeitores, logo convertidos, ou ao marítimo do "portinho" de Gontinhães (Vila Praia de Âncora) faz parte do "imaginário" do Alto Minho. Isso não impede que a Real Irmandade fosse autorizada e subsidiada pela Rainha D.Maria II (22.07.1857) e que o "escadório" não visse os seus primeiros alicerces.
Gostaríamos de aventar uma outra versão. Mas para isso, precisamos de falar de "brandas" e "inverneiras", de uma capelinha chamada S. Bento do Cando, assim como de dois mosteiros: Ermelo e Fiães.
A tradição e lenda fazem da Peneda uma Romaria de peregrinação dedicada à milagrosa Senhora da Peneda, que obrigou à construção de um Santuário dos mais ricos do Alto Minho e que o minhoto, seja ele das ribeiras ou das montanhas ou regressados dos Brasis, entronizou no altar e lhe deu a benção da canonização popular. Acresce que a devoção à Senhora da Peneda tocou, também, os galegos da raia seca e são aos milhares os que aqui vêm durante o ano e, no dia da Romaria, fazer o seu arraial e cumprir as suas promessas. Promessas que, em tempos idos (não muitos), levavam devotos a deixarem-se amortalhar e seguir as procissões em urnas fechadas, como se fossem "defuntos", alguns iam mesmo ao cemitério, mas, por via das dúvidas, acompanhados da Banda de Música. Outros preferiam ir atrás, não fosse o Diabo tecê-las, assistindo à Missa de Promessa, não se esquecendo de encomendar tudo a rigor, inclusive, que se cantasse o Ofício de Defuntos.
A parte lúdica da festa traz-nos as cantigas ao desafio, as concertinas, a música popular. Calcula-se que serão várias as centenas de concertinas e cantadores ao desafio que nas noites de 6 para 7 e 7 para 8 irão demandar as terras da Peneda. Inevitavelmente a gastronomia faz parte também da romaria. E se alguns, muitos, levam o bem recheado farnel, outras há que, abancando nas diversas tascas e restaurantes saboreiam o delicioso "Pica no Chão", o Cabrito do Soajo, tenro dos retonços do Mezio, com ervas aromáticas destas paisagens; mas, também, o arroz de feijão com a posta da vitela Barrosã; ou os enchidos e fumados caseiros; os queijos frescos e os capitosos vinhos verdes ou, ainda, os saborosos doces, sobremesas tradicionais – Charutos de Ovos e os não menos conhecidos Rebuçados dos Arcos!... Sem esquecer as tortilhas e as empanadas ou mesmo o lacon com grelos dos nossos amigos galegos.
Enfim, uma variedade enorme de saborosos petiscos que nós aconselhamos na sua ida à Senhora da Peneda.
Festas dos Homens do Mar em honra da Senhora da Bonança – Vila Praia de Âncora - dias 7 a 10 de Setembro
Mês de Setembro!
O Minho afoga-se na saudade imensa dos festejos passados! Agonia, Santa Marta, Meadela, Senhora das Dores, S. Bartolomeu, Santa Rita de Cássia, Festa das Rosas, Cruzes, Senhora das Areias, S. João d’Arga, são nomes que já fulgiram nos escaparates dos jornais, arrastaram multidões, inebriaram a policromia festiva do nosso Minho! Festas do vira, das chulas, das violas brejeiras! Festas da Natureza, do Minho enfeitado, nas vertentes dos vales, nos cômaros das serranias, nas capelinhas distantes – procissões de mortalhas e ex-votos, ladainhas, cruzes floridas, padres nossos e avé marias e o sermão, sinos a requebrarem dolentes nos cerros povoados! Festa dos Homens do Mar. E para cumprir a tradição, depois da Peneda o castrejo vinha passar férias à beira-mar. Deixava as " vezeiras" ( o gado já tinha voltado às comunitárias lojas) e por, isso, nada como cumprida a promessa no Santuário, vir até Vila Praia de Âncora, para assistir às Festas da Senhora "d’Abonância" e ficar a curtir os salitres do mar! Era uma troca de cenários. De um lado os córregos profundos da "serra" a lembrar brandas e inverneiras; agora, o mar para refresco da canícula e de um ano de taleigas, naquele olhar sem fim que até fazia cismar. Alugavam as "casas" no Portinho e por aqui ficavam até fins de Setembro. Tomavam banho vestidas em combinações de nylon e consolavam os paladares do presunto de Fiães com o sabor da sardinha fresca "d’ alvorada". Eram lindas estas castrejas com o seu ar celta, de cabelo preso com a capucha ou mantela preta quando saíam manhã cedo para "arrematar" o peixe no Portinho. Fazia-lhes confusão a chegada das "masseiras" e aquele alarido e praguedo de mulheres que com os cestos deixavam aturdida a "companha" e os camaradas. E logo seguia o pregão! "ai que vivinhas, Muninas", é "sardinha d’ alvorada, do nosso mar". Tiravam o dinheiro de uma pequenina saca que traziam escondida no seio, por entre a blusa de fazenda fina, franzida na cintura e de manga comprida. Hoje, o ritual mantém-se. Não mudaram as "bocas negras", nem os seus Castros Laboreiros; a Praia d’Âncora, o Portinho é que mudou! A Festa da Senhora da Bonança é uma festa de Pescadores, dos Homens do Mar. Esperamos por si.