Escrevo este curto artigo para chamar a atenção dos caminhenses para a importante exposição MIGUEL VENTURA TERRA - A ARQUITECTURA ENQUANTO PROJECTO DE VIDA, dedicada ao arquitecto nascido em Seixas em 1866, que se encontra patente no Museu Municipal de Esposende. Inaugurada este Agosto e dotada de um magnífico catálogo, trata-se de um projecto de grande fôlego organizado pela Câmara Municipal do concelho da foz do Cávado e levado a cabo pelos seus técnicos municipais de museologia e design gráfico, com um merecido destaque para a comissária Maria de Lurdes Rufino.

Culminando um trabalho de intensa pesquisa que contou com a coordenação científica de Ana Isabel Ribeiro e a ajuda preciosa de diversas entidades e da própria família de Ventura Terra, foi possível reunir um significativo espólio pessoal que se veio juntar a uma exaustiva recolha historiográfica, documental e fotográfica, tudo contribuindo para um muito bom resultado final que beneficia ainda de cuidadas maquetas e do bom aproveitamento do espaço do Museu Municipal, instalado no renovado edifício do antigo Teatro-Club, obra do arquitecto homenageado.
Visitada a exposição e folheado o volumoso catálogo, atrevemo-nos a dizer que estamos perante um projecto que pela sua grande qualidade se apresenta como quase definitivo sobre a vida e a obra do grande arquitecto de Seixas e que honra sem dúvida os seus responsáveis e a Câmara Municipal de Esposende, esperando nós que o facto da sua exibição ser fora dos grandes centros não prejudique uma merecida divulgação nacional e internacional.
Dito isto, só uma coisa me entristece, mesmo se não me surpreende: que esta exposição não tenha sido organizada em Caminha, terra natal de Miguel Ventura Terra, o mais importante arquitecto português na viragem do século XIX para o XX. Resta pois aos caminhenses interessados fazerem uma curta viagem até Esposende para poderem apreciar este projecto sobre o seu conterrâneo, ficando desde já a Câmara Municipal de Caminha - que tendo, e bem, adquirido a Casa Ventura Terra, em Seixas, parece não saber o que fazer com ela - obrigada a trazê-la o mais breve possível para ser exibida neste concelho. É o mínimo que pode agora fazer quem, desgraçadamente, continua a confundir cultura com animação turística de Verão …