Jornal Digital Regional
Nº 303: 2/8 Set 06 (Semanal - Sábados)
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FLORIBELA DEIXOU CRIANÇAS A CHUCHAR NO DEDO

Na parte final de um espectáculo ("showtógrafo") realizado na tarde de Domingo no pavilhão municipal de Caminha, assistiram-se a cenas de grande confusão, protestos e manifestações de revolta, depois de inúmeras crianças se terem visto impossibilitadas de receber um autógrafo assinado pela actriz Floribella, participante numa novela emitida por uma estação televisiva.

"Crianças com quatro e cinco anos pagaram 10€ para conseguirem dar um beijo e obterem um autógrafo da Floribella" e por mais meia hora, todas teriam tido essa possibilidade", referiu ao C@2000 Cristina, uma mãe de Mirandela, que se deslocara propositadamente a Caminha com a filha, "e agora quem cala isto?", apontando para a miúda banhada em lágrimas.

Segundo constava de um aviso colocado à entrada do show e no verso dos bilhetes de ingresso, a organização apenas se responsabilizava por hora e meia de autógrafos, "chegando a conceder mais algum tempo", de modo a satisfazer os imensos pedidos, segundo revelou Miguel Belo, da Brainmusic, produtora do espectáculo, em colaboração com a Câmara Municipal de Caminha e informavam que "não garantiam autógrafos para todo a gente".

Embora seja "contra estes espectáculos, porque é extorquir dinheiro às crianças e aos pais", Luís Pereira, residente em Paredes de Coura, não teve outra hipótese que não fosse aceder ao pedido da filha, mas optou por se colocar no fim da fila para evitar a confusão gerada junto à actriz, vendo-se depois compelido a regressar a casa em branco, lamentando que "quase metade" das cerca de duas mil crianças presentes tivessem ficado sem a rubrica do ídolo da televisão.

Luís Pereira assinalou ainda que adultos houve que se colocaram à frente das crianças, a fim de tiraram fotos, acabando por gerar ainda mais caos e atrasos aos miúdos até chegarem ao contacto com a actriz, criticando que não tivessem previsto um número certo para receberem os autógrafos em hora e meia.

Pediu livro de reclamações mas não havia e, a exemplo de outros adultos, solicitaram a comparência da GNR, a fim de serem ressarcidos do dinheiro, mas a organização não acedeu, argumentando que tinham sido avisados das condições do evento, que contou ainda com a actuação de uma banda jovem local.

Outro pai, António Costa, natural da Seara, Ponte de Lima, em cujo posto de turismo foram comprados os bilhetes, manifestou a sua "tristeza" com a situação, concluindo que quem organizou o espectáculo "apenas quis ganhar dinheiro e quando se apanhou com ele na mão deu um pontapé no traseiro ao pessoal e ponde-vos a andar", depois de terem feito tanta publicidade à volta da Floribella.

Como forma de palear a situação, foram distribuídos postais já com assinaturas da actriz que actuou durante mais de meia hora antes de iniciar o showtógrafo, lamentando Rui Belo que as pessoas não tenham lido o que constava no canhoto dos ingressos e à entrada do recinto, "depois de termos tomado todas as precauções para que estivessem informadas".

CÂMARA CONFIRMA DESCONTENTAMENTO

O vereador Paulo Pereira descartou qualquer responsabilidade na organização do espectáculo, ao qual prestaram apoio publicitário, logístico e cederam o pavilhão, conforme referiu na altura ao C@2000 e reconfirmou na reunião camarária do dia 28, designadamente no que se refere à cedência de instalações e à reacção dos pais, cujos filhos não tinham conseguido o autógrafo da Floribela após a hora e meia destinada a esse fim pela organização.

"Foi uma situação que ultrapassou a Câmara Municipal de Caminha", asseverou o vereador com o pelouro da Cultura.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
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