Responsáveis pela Comissão de Melhoramentos de Caminha (COMDECA), acompanhados pelo arqueólogo António Baptista, deslocaram-se recentemente a Vilar de Mouros e terão descoberto um santuário rupestre da época castreja, no interior de um povoado (castro) pré-romano com estruturas circulares.
O achado contempla 11 insculturas (pias) quadrangulares e duas apenas desenhadas no afloramento granítico, abertas com recurso a picos de ferro e apontando para usos rituais, como o provarão vestígios de ressaltos para suporte de grelhas utilizadas nos sacrifícios.
As pias agrupam-se em seis linhas horizontais adaptadas ao rochedo e não apresentam uma sequência muito ordenada, podendo apreciar-se ainda algumas fossetes e outras insculturas muito vulgares nas gravuras rupestres da região, a par de outras mais recentes, como é o caso de uma cruz (pateia) e sulcos para drenagem de águas pluviais.
A COMDECA visitou o local atraída pelo apelido do lugar (Castelhão) -na sequência de um estudo sobre toponímia- e entende que seria importante proceder a escavações, uma vez que o aluvião procedente de explorações mineiras a céu aberto e em galerias da época romana, em que a cassitrite era importante na produção de estanho, poderá tapar mais insculturas.
Segundo se crê, a exploração mineira do sítio foi uma constante até aos nossos dias, como o atesta a extracção de volfrâmio por alturas da II Guerra Mundial, após o que foi suspensa.
Foi ainda evidente a existência de minério com abundantes resíduos de cassitrite não aproveitada
O investigador adiantou que encontrou "certos paralelismos com outros santuários rupestres", dando como exemplo o de Panóias, em Vila real, embora o de Vilar de Mouros revista a particularidade de se situar dentro de um povoamento castrejo.
Perante a necessidade de datar os vestígios que existam, a associação de defesa do património propõe investigações arqueológicas, como adiantou o seu presidente Augusto Sá, sendo ainda constatado que este achado "nunca referenciado anteriormente", se localiza precisamente no enfiamento do IC1/A28 que termina nesta freguesia.
Daqui resulta que um eventual prolongamento para norte da via rápida (presentemente em fase de estudo prévio), poderá interceptar o castro e o possível santuário rupestre, contribuindo para que esta associação exija o mais rapidamente possível, um estudo aprofundado do achado arqueológico.