Jornal Digital Regional
Nº 278: 25 Fev a 3 Mar 06 (Semanal - Sábados)
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Domingos Gastronómicos
Arcos de Valdevez, 26 a 28 de Fevereiro de 2006
EM FÉRIAS DE CARNAVAL

Dois Roteiros: S. Bento do Cando e S. Bento do Ermelo

Uma Romaria "Sem Sol", isto é, os romeiros tinham que cumprir suas promessas – dar as voltas prometidas (sempre em nº ímpar), em redor da capela e sempre da direita para a esquerda; depor, depois, a oferenda no altar do "santinho"; cravos vermelhos (mulheres), brancos (homens); ovos (nunca menos de três ou múltiplos de três); telhas (roubadas); franguinhos ou pombas brancas; galinhas pretas; sal ou moedas brancas; colocar a "cartolinha" na cabeça – tudo com uma condição: ser feito antes do sol nascer!

Memórias da velha mitologia galaica?S. Bento do Cando (de carro)

Saio dos Arcos pela EN 101, passo a nova ponte sobre o Vez, viro à esquerda e já com a Igreja Paroquial de S. Paio e escadaria à vista, viro à direita para a Av. António Caldas. A sinalização rodoviária diz-nos o que podemos visitar: em frente, Paçô (2 Km), S. Jorge (6), Vale (7), Ermelo (20); à esquerda, Mezio (13), Soajo (20), Sistelo (22 Km). Vamos já em direcção ao Mezio. Ao (Km 4) e ao nosso lado direito o Paço da Giela, da família dos Limas datável pelo estilo da época de Quinhentos. Dois corpos distintos: uma torre do Séc. XIV e uma área residencial do Séc. XVI. A fachada principal (oeste), está coroada de ameias decorativas e patenteia, além do portal gótico, duas janelas "manuelinas". Ao (Km 6) viramos para o Soajo. É uma região diferente esta que percorremos; de novo, a "Montanha" a querer impor-se pelo seu comunitarismo, pelas suas liberdades ao mundo da "Ribeira". Grade, Carralcova e ao (Km 12) Cabana Maior.

Ao (Km 17) Mezio, com Centro de Interpretação, exposição permanente e onde podemos recolher literatura sobre o Parque Nacional da Peneda Gerês. À esquerda, a cerca de 2 Km, uma visita a Bouça das Donas e Burcelinhos, casais e lugares ainda de Cabana Maior. À entrada um dólmen em bom estado de conservação e logo a seguir um Centro Equestre. Ao (Km 24), o nosso desvio para Adrão – Rouças – Tibo – S. Bento do Cando. E cumpri com o ritual! S. Bento do Cando na imagem da capela veste o hábito negro da ordem. Nas mãos tem o livro e o báculo. Crânio cercilhado, com resplendor.

Não tem chapéu (cartolinha) colocado na cabeça (caso do Ermelo), mas sim junto ao pé esquerdo. Tirei o chapéu, persignei-me com ele, beijei-o e coloquei-o de novo. Com um afago, um pedido. É que o Senhor S. Bento é o Santo curandeiro "por excelência" cá pelas nossas Bandas para os "males ruins", mas especialista (como agora se diz) em fazer desaparecer os incómodos cravos.

S. Bento do Ermelo (a pé)

Aqui se realiza uma das Romarias mais importantes das terras vezelianas: o S. Bento do Ermelo. Segundo Rosa Araújo (As Romarias "sem sol" Terras de Valdevez – Boletim Cultural – 1984), o caminho percorrido pelos romeiros a partir dos Arcos era: subiam a Costeira, chegavam ao Alto de Morilhões, depois o lugar do Castanheiro, Calçada do Proja, Coutada, Nossa Senhora da Luz, Senhora dos Milagres, Gração, descia-se ao Lima, passava-se por baixo de Vilarinho e chegava-se ao Ermelo. Entre a Serra do Soajo e o Rio Lima, num paradisíaco anfiteatro, com o Cisterciense Mosteiro do Ermelo e a aldeia ao fundo, parece um nicho de telhados com os seus laranjais, suas ruelas estreitas e casas medievais. Mesmo à borda d«água num pano de fundo verde. E não esqueça o S. Bento da "Cartolinha". É uma graciosa imagem de madeira policromada e dourada de feitura popular. Também cumpri com o ritual. Peguei na Cartolinha coloquei-a na cabeça e fiz o tradicional pedido.

As Laranjas do Ermelo, com tantas bençãos do céu e da terra são únicas no mundo: um citrino de casca fina, doce, com ausências de fibra e sementes. Organizada numa Associação já com Marca Certificada quanto à qualidade do produto, a laranja do Ermelo é apreciada pelos vizinhos galegos e já é cobiçada por todos os restaurantes de Portugal e, não só! Um bom futuro este para as Laranjas do Ermelo! Entre o rio, o céu e as montanhas escarpadas, como comentou Frei Claude de Bronseval, monge cisterciense, nos idos de 1553, quando por aqui passou o Dom Abade de Claraval.

Regresso aos Arcos já com o sol posto! E fico a cismar nestas "Romarias sem Sol", tradição celta que os castrejos ainda mantêm a relembrar velhos cultos que são lugares-memórias de uma cultura materno-ctónica nela avultando o culto da fertilidade, dos mortos e ciência oracular!

Domingos Gastronómicos – Arcos de Valdevez – 26 a 28 de Fevereiro de 2006

Venha até aos Arcos de Valdevez, no Fim de Semana Gastronómico, aliás, venha sempre! Abanque num dos nossos restaurantes e experimente um assombro de paladares! O Cozido à Minhota, fossado, esgravatado e escorneado. Divino!

Ingredientes: - Batata, couve galega, cenouras, carnes de porco salgadas, carne de vaca barrosã, enchidos, pica no chão da "casa".

Depois de arranjado, introduz-se o "pica no chão" numa panela grande com água fria. Junta-se a carne de vaca, as carnes de porco salgadas, e por fim os enchidos. Depois das carnes cozidas, deitam-se na mesma panela as batatas, as couves e as cenouras. Serve-se tudo numa travessa, colocando-se as carnes por cima todas cortadas aos bocados.Bolo de Mel: Ingredientes – 90 grs de farinha; 2 colheres de sopa de mel; 2 colheres de leite; 150 grs de açúcar; 3 ovos; 1 colher de café de canela; 40 grs de manteiga; 1 colher de fermento. Põe-se o açúcar com os ovos, a manteiga derretida, a canela e o mel, batendo-se muito bem. Adicionar o leite e a farinha com o fermento e mexe-se. Deita-se em forma redonda, untada com manteiga e polvilhada com farinha e vai ao forno. É acompanhado normalmente de pequenos favos de mel, com que as pessoas podem, depois, barrar as respectivas fatias.

... Mas os Arcos são também, o Cabrito do Soajo, tenro dos retouços do Mezio, com as ervas aromáticas dessas paisagens, são o Arroz de Feijão com a Posta da Vitela Barrosã, são os enchidos e fumados caseiros, são os frescos e capitosos vinhos verdes, são as laranjas de Ermelo e o queijo da Branda da Cachena... São ainda as doces sobremesas tradicionais, aqueles charutos de ovos (que divinos!), e os não menos conhecidos rebuçados dos Arcos... são todos estes sabores que esperam por si aqui – em Arcos de Valdevez!...

Animação de 4 a 8 de Fevereiro de 2005

Dia 24 de Fevereiro – 23, horas - 4ª Mostra de Música Moderna de Arcos de Valdevez – Sons do Vez – Blind Zero – Auditório da Casa das Artes

De 25 a 28 de Fevereiro - VII Feira do Fumeiro e Artesanato – Centro de Formação e Exposições de Arcos de Valdevez – Abertura Inauguração – dia 25 de Fevereiro, pelas 15,00 horas

Dia 26 de Fevereiro (Domingo) – Baile de Carnaval – Centro de Formação e Exposições de Arcos de Valdevez, 22,30 horas

Dia 27 de Fevereiro (Segunda-feira) – Baile de Máscaras – Conjunto Eclipse - Centro de Formação e Exposições de Arcos de Valdevez – 22,30 horas

Dia 28 de Fevereiro – 15,30 horas - Corso Carnavalesco "Palhaços com Bombos" / 22,30 horas – Baile de Carnaval – Conjunto Curtisom - Centro de Formação e Exposições de Arcos de Valdevez.


EPRALIMA associa-se ao espírito dos Domingos Gastronómicos – Seminário "Despertar dos Sabores" – 24 de Fevereiro de 2006

A Escola Profissional do Alto Lima no âmbito do espírito do programa de sensibilização pedagógico "O Despertar dos Sabores, o Paradigma do Território e Os Mimos da Horta", promovido pela Região de Turismo do Alto Minho e, devidamente, autorizado pela Direcção Regional de Educação do Norte, associa-se, uma vez mais, ao espírito dos Domingos Gastronómicos, promovendo um Seminário alusivo ao "Despertar dos Sabores" no próximo dia 24 de Fevereiro, envolvendo toda a comunidade escolar numa iniciativa direccionada no sentido de sensibilizar para a importância da (re)valorização dos valores tradicionais e dos produtos endógenos de cada região que concorrem para que a Gastronomia se afirme, crescentemente, como um bem imaterial integrante do Património Cultural Português.

O Programa é o seguinte:

9,30 horas – Seminário: "O Despertar dos Sabores"

Moderador: Dr. Francisco Araújo – Presidente da Direcção da EPRALIMA

Intervenções: Dr. Tito Morais – Escola Superior Agrária de Ponte de Lima / Engº Leite Gomes – Confraria dos Gastrónomos do Minho / Engº Luís Ferreira - Enólogo da Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes

11,00 horas – Pausa para Café - Animação: Recriação da Malhada – Animação de Concertinas (Curso de Animador)

11,30 Horas – Continuação do Seminário

Intervenções: Chefe Hélio Loureiro – Chefe de Cozinha do Porto Palácio Hotel / Dr. Francisco Sampaio – Presidente da Região de Turismo do Alto Minho

13,30 horas – Almoço (preparado pelos alunos do Curso de Cozinha / Hotelaria e Mesa Bar)

(Ementa: Entradas Regionais, Caldo de Farinha, Cozido à Minhota, Bolo de Mel e Pudim de Laranja de Ermelo)

Local – Escola Profissional do Alto Lima – Rua Dr. Joaquim Carlos da Cunha Cerqueira – Arcos de Valdevez – Telef. 258 520 320 / Fax. 258 520 329

A EPRALIMA evidencia, uma vez mais, um permanente diálogo com os parceiros institucionais e actores regionais potenciando assim uma relevante estratégia de ensino-aprendizagem que permitindo revelar o Mundo à Escola e mostrar a Escola ao Mundo, viabiliza qualificar e dignificar Recursos Humanos, imbuída do espírito que através da partilha de práticas e saberes poderemos crescer e acrescentar à nossa vida sentido, valor e grandeza.

A EPRALIMA e a RTAM convidam toda a comunidade a associar-se a esta iniciativa e a partilhar um espaço de reflexão sobre a arte dos sabores e dos saberes.

RTAM

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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Autor
Domingos
Cerejeira