Jornal Digital Regional
Nº 278: 25 Fev a 3 Mar 06 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


Jovens europeus: que segurança no trabalho?

Nunca a preocupação com os jovens foi tão grande no continente europeu e, em particular, no espaço da UE, como nos tempos que correm. Preocupação quanto ao emprego e à educação e formação, mas também quanto à sustentabilidade e futuro da segurança social. Documentos recentes da Comissão Europeia(1) apresentam várias iniciativas para apoiar os jovens europeus e incluir a "juventude" nas políticas comunitárias.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho(2) acaba de escolher também a segurança dos jovens no trabalho como tema para a "Semana Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho 2006" tendo em conta as altas taxas de sinistralidade laboral. Será possível tomar medidas concretas de prevenção ao nível dos locais de trabalho?

De certo modo, é compreensível esta preocupação com a juventude, na medida em que a Europa se encontra envelhecida e os desafios no domínio económico e social são cada vez maiores! A inserção no mercado de trabalho é complicada para a maioria dos jovens, dada a taxa de desemprego, mais de duas vezes superior à taxa global europeia!

Caso acedam ao mercado de trabalho a sua vida não está fácil. Para além de um emprego pouco estável, os jovens trabalhadores correm um risco de acidentes de trabalho superior, em 50 por cento, aos demais trabalhadores. Em Portugal, as regiões "Norte e "Vale do Tejo" estão em primeiro lugar nas taxas de sinistralidade juvenil e os acidentes ocorrem, prioritariamente, nas actividades de construção e indústria transformadora(3).

O Director da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, em declarações recentes, colocava em cima da mesa alguns dos problemas que afectam a segurança dos mais novos ao afirmar que "os jovens trabalhadores têm mais dificuldade em reconhecer o risco de acidentes e, mesmo quando o reconhecem, podem ter mais dificuldade em tomar as medidas adequadas. Além disso, são-lhe por vezes atribuídas tarefas que estão para além das suas capacidades ou, muito simplesmente, não lhes é dada a formação adequada ou assegurada a supervisão necessária".

Daqui se conclui que, em geral, os jovens trabalhadores não possuem suficiente informação e formação para reconhecerem a avaliarem os riscos da sua profissão e local de trabalho; têm dificuldade em tomar ou aceder a medidas preventivas e desenvolvem, por vezes, tarefas não adequadas às suas capacidades. Falta, também, uma supervisão e devido enquadramento do seu trabalho.

Esta realidade vem mostrar a justeza de todas as iniciativas públicas que apostam na integração de conteúdos de segurança e saúde no trabalho (SST) no ensino e formação profissional e na sensibilização dos educadores para esta temática. Uma questão que está a ser assumida pela maioria dos Estados Membros da UE, nomeadamente por Portugal, com o Programa Nacional para a Educação em Segurança e Saúde no Trabalho (PNESST) e com a integração da SST em cursos de formação profissional(4). Esta é uma aposta e um investimento a médio e longo prazo com resultados positivos na qualidade de trabalho das futuras gerações de trabalhadores.

Mas as empresas terão que fazer também, no presente, um esforço diário de melhorar a situação ao nível da integração dos jovens trabalhadores, proporcionando-lhes formação e informação sobre os riscos inerentes às respectivas actividades e locais trabalho.

Todavia, aquilo que é verdadeiramente decisivo é a existência de uma cultura de prevenção e de promoção da saúde e segurança do trabalho na empresa. O jovem que chega de novo deve sentir que esta questão é assumida com seriedade por todos, desde a gestão de topo, passando pelas chefias até aos companheiros mais velhos de trabalho que estão a seu lado no dia a dia.

Os riscos são identificados, avaliados e controlados. Não se vive na precariedade permanente e no sentimento meramente utilitarista da "força de trabalho". As actividades de SST estão organizadas, existem responsáveis que acolhem os jovens trabalhadores e solicitam a sua participação.

Ora, a Semana Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho que vai ter lugar este ano, com o seu ponto alto em Outubro, visa precisamente, para além dos objectivos de sensibilização para os riscos de crianças e jovens, a promoção da qualidade de vida no trabalho destes, através de locais e práticas de trabalho saudáveis e seguros. Pretende chamar a atenção para a importância da formação e supervisão no local de trabalho. Pretende ainda criar um sentimento de que é necessário, sem obsessões, cuidar dos jovens que são o futuro da Europa.

António Brandão Guedes

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