Júlia Paula, presidente da Câmara Municipal de Caminha (PSD), recusou uma proposta de aquisição de um mini-autocarro pertencente à Junta de Freguesia de Caminha (PS), alegando que esse veículo fora adquirido pelo Executivo da Junta anterior (PSD), graças à transferência de 76.500€ autorizada pela própria câmara.
Na reunião camarária desta semana, a autarca declarou-se indisponível para "comprar por duas vezes" o mini-autocarro de 21 lugares, sugerindo à junta que "transfira a sua titularidade" a favor do Município, alegando ainda que tem competindo a este suportar todas as despesas com o veículo (condutor de pesados, seguros, combustíveis, etc.), de acordo com um protocolo celebrado entre ambas as autarquias, então, da mesma cor política.
Recorde-se que Eduardo Gonçalves, actual presidente da junta, e que arrebatou o poder ao PSD nas Autárquicas de Outubro do último ano, tinha manifestado a sua intenção de vender o veículo logo após ter assumido funções, após se ver a braços com dificuldades de tesouraria, face à supressão de delegação de competências nas juntas por parte do novo Executivo municipal, além de ainda lhe serem devidos 22.000€ do ano anterior.
Após um encontro com o vereador com o pelouro das autarquias e o adjunto da presidente da Câmara, foi-lhe pedida a apresentação de uma proposta de venda do veículo. Assim o fez, mas recebeu agora a resposta negativa de Júlia Paula.
No decorrer da discussão gerada ao redor da decisão agora tomada pela líder do Executivo, os vereadores socialistas referiram que a compra do autocarro pela anterior Junta fora um mero "expediente", pois esta autarquia não tinha qualquer interesse em possuir um veículo que obrigava à contratação de um condutor com carta de pesados, face aos encargos que tal acarretaria.
Contudo, Eduardo Gonçalves, confrontado com esta posição camarária, considera-a "ridícula e lesiva para a freguesia de Caminha", garantindo que não transferirá "gratuitamente" a viatura, tendo já requerido a sua entrega e os respectivos documentos, reafirmando a sua intenção de a vender.
Acusa o anterior elenco da Junta de ter feito um mau negócio com a Câmara, pois, na prática, o mini-autocarro é totalmente gerido por ela, "sem que seja dado conhecimento da sua utilização ao verdadeiro proprietário" (Junta), além de referir que a compra do veículo só se concretizou por "existirem valores a receber pela Junta respeitantes a obras protocoladas em 2004 e não concretizadas", e, dessa forma, foram canalizadas para o negócio.