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Nº 24: 7 a 13 Abr 2001

VAI-SE A PÉ ATÉ À ÍNSUA!

Uma conjugação de dois factores está a possibilitar a passagem pedonal a partir da costa (Ponta Grossa) até à ilha da Ínsua, na foz do rio Minho, desde o passado Sábado, facto raro e que se deve ao actual período de marés vivas e a um avassalador assoreamento de todo o estuário.

Um istmo de areia com quase um quilómetro, e que a meio evidencia um "cabeço" de dois metros de altura, quase que permite o atravessamento a pé enxuto, verificando-se apenas um ponto onde circula um pequeno rego de água, já junto da ilha, embora não atinja mais de meio metro na maré baixa.

Grupo de Moledo Família de pescadores de Caminha

Existe uma lenda enraizada na população local, de que de cada 50 anos se dá o "milagre" da ligação a terra, o que não se confirma, porque a última vez que em tal aconteceu, foi em 1947 e assim permaneceu durante umas semanas, contudo, o fenómeno já está a atrair a atenção de muitos curiosos, desejosos de visitar a fortaleza aí existente, sem necessidade de utilizar barco.

PESCADORES COM DIFICULDADES

Mas o mesmo não dizem os pescadores, e que mais sofrem as consequências deste invulgar depósito de areias no estuário e foz.

As traineiras que pretendem regressar ao Cais de Caminha após uma jornada de trabalho no mar, vêem-se constrangidas a aguardar durante umas quatro horas à entrada da barra, até que as águas subam o suficiente e possibilitem o seu atravessamento!

No Cais da Rua, junto à marginal de Caminha, o acesso aos seus barcos é um quebra-cabeças, embora já preventivamente ancorados a umas centenas de metros de terra, com o objectivo de lhes ser possível partir para a pesca todos os dias, sem se verem compelidos a ficar em terra.

É que um canal existente possibilitando algum espaço de manobra às embarcações, encontra-se coberto de areia.

E se a partida para a faina é complicada, o regresso é bem mais penoso, porque arcar com o pescado e os apetrechos de pesca ao longo dessa distância, é tarefa nada recomendável.

O aspecto apresentado pelo estuário nestes últimos dias junto à margem portuguesa, mais parece o de um grande deserto com pequenas bolsas de água no meio, tal a quantidade de inertes depositados nestes meses de fortes correntes que tudo arrastaram em direcção à foz.

Há cerca de um mês, a Associação de Pescadores encontrou-se com o Secretário das Pescas em Lisboa, sendo-lhe prometido que realizaria um contacto com o governador civil de Viana do Castelo, de modo a desbloquear um concurso público aberto pelo Instituto Marítimo Portuário, mas anulado pelo Instituto de Conservação da Natureza há quase dois anos, impossibilitando dessa forma a limpeza de um canal de acesso ao cais.

Em contacto com Oliveira e Silva, representante do governo no distrito, disse-nos não ter recebido qualquer pedido de informação nesse sentido, e voltou a lamentar a falta de resposta do ICN.

Oliveira e Silva Secretário de Estado com Pescadores de Caminha

Tendo aproveitando a presença do secretário de Estado da Administração Marítima e Portuária em Vila Praia de Âncora, no passado fim de semana, esta associação e o próprio presidente da câmara solicitaram-lhe o seu empenhamento a fim de desbloquear a situação.

Entretanto, o longo areal é ponto de atracção turística nestes deliciosos dias de bom tempo, com centenas de pessoas a atravessá-lo, numa peregrinação que requer algum cuidado, não se devendo arriscar demasiado se a maré começar a subir.


SEQUESTRADOR DETIDO NA PONTE DE CAMINHA

À porta do Tribunal de Caminha... ...e já no seu interior

Pelas nove horas e meia de hoje, Quarta-feira, uma acção conjunta da GNR de Caminha e da Brigada de Trânsito, pôs fim a um sequestro de um industrial de Barcelos, à saída norte da ponte rodoviária que cruza o rio Coura na sua foz, levada a cabo por um cadastrado que se encontrava a cumprir prisão na cadeia de Paços de Ferreira.

O raptor, Paulo João Pereira, igualmente de Barcelos, tinha-se evadido no decorrer de uma consulta médica realizada ao hospital de Sª Maria, no Porto, conseguindo retirar a arma a um guarda prisional, fugindo de seguida num táxi em direcção a Barcelos, onde consumou o sequestro do industrial -por motivos que se relacionariam com uma ex-empregada, casada com o fugitivo- obrigando-o a dirigir-se até Espanha.

Não conseguiu os seus intentos porque, na fuga, não deixou que o condutor coagido pela pistola, obedecesse a uma ordem de stop da Brigada de Trânsito de Viana do Castelo, sendo de imediato perseguido, terminando a fuga à saída da ponte de Caminha, quando a GNR local lhe barrou o acesso, ao ordenar a colocação de uma camião atravessado na via, obrigando-o a deter-se, sendo de seguida dominado pelos polícias da Brigada de Trânsito que seguiam no seu encalço e pelos efectivos da Guarda Nacional Republicana.

De tarde, foi apresentado ao juíz de turno para abertura de novo processo, sendo posteriormente reencaminhado para a cadeia.