As traineiras de Caminha que saíram para o mar na madrugada de Sexta Feira, depararam com uma desagradável surpresa no regresso, sendo forçadas a aguardar cerca de duas horas nas imediações da ilha da Ínsua, até que a maré subisse o suficiente e permitisse a passagem na barra, tal era a quantidade de areia depositada na foz do rio Minho.
O facto de estarmos em época de "marés vivas de Ramos" (uma das duas maiores do ano e que surge por alturas da Páscoa) contribuiu para que a maré baixa evidenciasse a quantidade de inertes depositados no estuário e embocadura do rio, verificando-se o aparecimento de um grande seco entre a costa (ponta Ruiva) e a Ínsua, permitindo, inclusivamente, a passagem a pé (embora com água pelo meio das pernas) desde a praia até à ilha.
De igual forma os pescadores de lampreia foram surpreendidos quando pretendiam iniciar mais um dia de safra, constatando que as suas gamelas se encontravam em seco, nas imediações do cais.
Venâncio Silva, possuidor de um truque, referiu-nos nunca ter acontecido ficar com o barco encalhado no "ancoradouro das traineiras", já distante do cais cerca de 300 metros, de modo a evitar percalços como estes.
Segundo este pescador, uma das causas do acentuado assoreamento da zona envolvente do actual pontão, prende-se com a extracção de areias no canal do ferry-boat, pelo que aguarda uma promessa do Secretário de Estado das Pescas, no sentido de desbloquear uma limpeza no canal de acesso ao designado cais da Rua.