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DOMINGOS GASTRONÓMICOS
Vila Nova de Cerveira
7 e 8 de Abril
O Sável / Os Biscoitos de Milho
Me esqueço do tempo Fica-me a saudade por estes montes! Do franciscano Convento de S. Paio Forja de Bienais Crayon verde negro cinzel de artista Rasgando os céus em traços geniais! De Vilar de Mouros Oh! Fantásticos festivais Banho de virgens estrigas de linho Rituais de amor bragal de um rio Que por Sopo Covas como um fio Das Terras de Coura se alaga até ao Minho! Por Caminha Santa Tecla El Pasaje Monte de Santo Antão Pela ilha da Boega verde-prado De ferry boat me vou até Goyão Entre névoas e ramagens E uma flamejante claridade crua Que faz do rio uma larga rua Sem fronteiras pontes ou paragens! (...) Me esqueço das horas Fica-me a saudade por estes vales! Quase me esqueço da viagem Numa saudade que me faz pena! E vou só com as aves Na doce aragem De tarde amena! Ao fundo... Cheia d e água Espelhante de verdura Rumorejante de cantigas A Ribeira!... Na branqueza do casario Granito puído da velha torre medieval No vermelho dos telhados Que escondem na secular matriz Um São Cristóvão colossal Afogada em paleta de cores Que a Ilha dos Amores Lhe deu em demasia Cerveira!... Francisco Sampaio |
Vim morrer a Gondarém Pátria de contrabandistas A farda dos bandoleiros Não consinto que ma vistas Numa banda a Espanha morta Noutra Portugal sombrio Entre ambos galopa um rio Que não pára à minha porta. E grito: acudi-me. Ganhei dor: Busquei prazer. E sinto que vou morrer Na própria pátria do crime. Vim morrer a Gondarém Pátria de contrabandistas. A farda dos bandoleiros Não consinto que ma vistas. Por mor de aprender o vira Fui traído. Mas por fim, Sei hoje que era a mentira Que então chamava por mim. Nada haverá que me acoite Meu amor, meu inimigo, E aceito das mãos da noite A memória por castigo. Vim morrer a Gondarém Pátria de contrabandistas. A farda dos bandoleiros Não consinto que ma vistas Pedro Homem de Melo
"Nelson "Vilarinho" De harmónio à banda, a melena sobre a testa, misto de gladiador e de poeta, fazendo sozinho a festa e deitando os foguetes, cantando e bailando onde quer que haja um adro ou uma eira, pronta a embandeirar em arco, na serra, beira rio ou praia, com a chama da sua presença, ele encarna o rapaz de cravo na boca: eis Nelson Pereira, dito Nelson "Vilarinho", tocador de concertina de Covas, num retrato escrito pelo "nosso" Pedro |
As nossas Receitas
Debulho de Sável
Desde tempos remotos que o sável se pesca nas águas do Rio Minho. Em Cerveira os pescadores pescavam sável e as mulheres encarregavam-se de o vender, indo muitas das vezes de porta em porta vendê-lo ás postas. Como na maioria das vezes os compradores só queriam as postas maiores, elas ficavam com as partes mais fracas do sável que eram a cabeça, o rabo, as ovas e as postas pequenas. E, assim surgiu o saboroso Debulho de Sável.
- O sável deve ser bem escamado e limpo. Em seguida, corta-se a cabeça e o deguladouro (posta junta à cabeça). Junto a este está o fígado ao qual se extrai o fel. Tiram-se as ovas e aproveita-se todo o sangue possível que irá servir para a calda. Cortam-se, também, o rabo e as postas mais pequenas.
Num recipiente, coloca-se então o debulho, que é composto pela cabeça, deguladouro, o rabo, as postas mais pequenas, as ovas e o fígado. Tempera-se com sal, salsa, louro, pimenta, cravinhos e cobre-se com vinho verde tinto. Deixa-se marinar durante umas horas.
Num tacho, pica-se uma cebola grande e deita-se um pouco de azeite, vai ao lume e logo que a cebola esteja estalada, adiciona-se um pouco de pimentão, o debulho e a respectiva calda. Cozido o peixe, retira-se para um recipiente ao lado. À calda inicial, junta-se a água necessária para cozer o arroz e uma boa colher de vinagre.
Assim que o arroz esteja cozido, junta-se o debulho e rectificam-se os temperos.
Deixa-se repousar uns minutos e serve-se o arroz a fugir pelo prato.
Biscoitos de Milho
(100grs de farinha de milho;250grs de farinha de trigo; 100grs de açúcar; 250grs de manteiga ; 8 ovos inteiros 1 colher de chá de fermento; limão q.b)
Mistura-se as farinhas, o açúcar, canela, limão e fermento. Derrete-se a manteiga , que se junta, bem como os ovos, depois de bem batidos. Amassa-se tudo muito bem, com as mãos. Após a massa repousar cerca de meia hora, passa-se pela maquina própria e vão ao forno em tabuleiro untado com manteiga.
Se a massa ficar demasiado tenra, para evitar que os biscoitos alastrem, deverá acondicionar-se mais um pouco de farinha, ficando, porém, rija, levará, então, mais um ovo.
| DIA |
CONCELHO |
PRATO |
| 8/04 |
V. N. Cerveira |
Sável |
| 22/04 |
Caminha |
Caldeirada à Pescador |
| 29/04 |
Paredes de Coura |
Truta do Rio Coura |
| 6/05 |
Barcelos |
Papas Sarrabulho |
| 13/05 |
Ponte da Barca |
Posta Barrosã |
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