Pinhal da Gelfa e Orla Costeira
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Nº 24: 7 a 13 Abr 2001

DOMINGOS GASTRONÓMICOS

Vila Nova de Cerveira

7 e 8 de Abril

O Sável / Os Biscoitos de Milho

Me esqueço do tempo
Fica-me a saudade por estes montes!

Do franciscano Convento de S. Paio
Forja de Bienais
Crayon verde negro cinzel de artista
Rasgando os céus em traços geniais!

De Vilar de Mouros
Oh! Fantásticos festivais
Banho de virgens estrigas de linho
Rituais de amor bragal de um rio
Que por Sopo Covas como um fio
Das Terras de Coura se alaga até ao Minho!

Por Caminha Santa Tecla
El Pasaje Monte de Santo Antão
Pela ilha da Boega verde-prado
De ferry boat me vou até Goyão
Entre névoas e ramagens
E uma flamejante claridade crua
Que faz do rio uma larga rua
Sem fronteiras pontes ou paragens!
(...)

Me esqueço das horas
Fica-me a saudade por estes vales!

Quase me esqueço da viagem
Numa saudade que me faz pena!
E vou só com as aves
Na doce aragem
De tarde amena!

Ao fundo...
Cheia d e água
Espelhante de verdura
Rumorejante de cantigas
A Ribeira!...

Na branqueza do casario
Granito puído da velha torre medieval
No vermelho dos telhados
Que escondem na secular matriz
Um São Cristóvão colossal
Afogada em paleta de cores
Que a Ilha dos Amores
Lhe deu em demasia
Cerveira!...

Francisco Sampaio

Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas

Numa banda a Espanha morta
Noutra Portugal sombrio
Entre ambos galopa um rio
Que não pára à minha porta.
E grito: acudi-me.
Ganhei dor: Busquei prazer.
E sinto que vou morrer
Na própria pátria do crime.

Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas.
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.

Por mor de aprender o vira
Fui traído. Mas por fim,
Sei hoje que era a mentira
Que então chamava por mim.
Nada haverá que me acoite
Meu amor, meu inimigo,
E aceito das mãos da noite
A memória por castigo.

Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas.
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas

Pedro Homem de Melo


"Nelson "Vilarinho"

De harmónio à banda, a melena sobre a testa, misto de gladiador e de poeta, fazendo sozinho a festa e deitando os foguetes, cantando e bailando onde quer que haja um adro ou uma eira, pronta a embandeirar em arco, na serra, beira rio ou praia, com a chama da sua presença, ele encarna o rapaz de cravo na boca: eis Nelson Pereira, dito Nelson "Vilarinho", tocador de concertina de Covas, num retrato escrito pelo "nosso" Pedro

As nossas Receitas

Debulho de Sável

Desde tempos remotos que o sável se pesca nas águas do Rio Minho. Em Cerveira os pescadores pescavam sável e as mulheres encarregavam-se de o vender, indo muitas das vezes de porta em porta vendê-lo ás postas. Como na maioria das vezes os compradores só queriam as postas maiores, elas ficavam com as partes mais fracas do sável que eram a cabeça, o rabo, as ovas e as postas pequenas. E, assim surgiu o saboroso Debulho de Sável.
- O sável deve ser bem escamado e limpo. Em seguida, corta-se a cabeça e o deguladouro (posta junta à cabeça). Junto a este está o fígado ao qual se extrai o fel. Tiram-se as ovas e aproveita-se todo o sangue possível que irá servir para a calda. Cortam-se, também, o rabo e as postas mais pequenas.
Num recipiente, coloca-se então o debulho, que é composto pela cabeça, deguladouro, o rabo, as postas mais pequenas, as ovas e o fígado. Tempera-se com sal, salsa, louro, pimenta, cravinhos e cobre-se com vinho verde tinto. Deixa-se marinar durante umas horas.
Num tacho, pica-se uma cebola grande e deita-se um pouco de azeite, vai ao lume e logo que a cebola esteja estalada, adiciona-se um pouco de pimentão, o debulho e a respectiva calda. Cozido o peixe, retira-se para um recipiente ao lado. À calda inicial, junta-se a água necessária para cozer o arroz e uma boa colher de vinagre.
Assim que o arroz esteja cozido, junta-se o debulho e rectificam-se os temperos.
Deixa-se repousar uns minutos e serve-se o arroz a fugir pelo prato.

Biscoitos de Milho
(100grs de farinha de milho;250grs de farinha de trigo; 100grs de açúcar; 250grs de manteiga ; 8 ovos inteiros 1 colher de chá de fermento; limão q.b)
Mistura-se as farinhas, o açúcar, canela, limão e fermento. Derrete-se a manteiga , que se junta, bem como os ovos, depois de bem batidos. Amassa-se tudo muito bem, com as mãos. Após a massa repousar cerca de meia hora, passa-se pela maquina própria e vão ao forno em tabuleiro untado com manteiga.
Se a massa ficar demasiado tenra, para evitar que os biscoitos alastrem, deverá acondicionar-se mais um pouco de farinha, ficando, porém, rija, levará, então, mais um ovo.

DIA CONCELHO PRATO
8/04 V. N. Cerveira Sável
22/04 Caminha Caldeirada à Pescador
29/04 Paredes de Coura Truta do Rio Coura
6/05 Barcelos Papas Sarrabulho
13/05 Ponte da Barca Posta Barrosã