Pinhal da Gelfa e Orla Costeira
ASSINATURAS
FICHA TÉCNICA

PUBLICIDADE
Nº 24: 7 a 13 Abr 2001

TESTAMENTO MISTERIOSO
AGITA MISERICÓRDIA DE CAMINHA

A existência de um testamento doando à Santa Casa da Misericórdia o edifício onde se encontra uma barbearia, na Rua Direita, em Caminha, foi esgrimido por um irmão desta instituição, como a prova de que o Estado não tem razão em chamar a si a posse do imóvel, como o está a intentar através de um edital recentemente publicado.

José Lima questionou a Mesa da instituição no decorrer de uma assembleia geral, afirmando que o antigo escrivão assegurava de que existia tal documento nos arquivos da Santa Casa, mas o que é certo é que ele não aparece, e esse ex-colaborador nega-se a vir a uma reunião esclarecer a situação, por se encontrar incompatibilizado com os actuais directo-

res, como sublinhou o irmão que secundou a possibilidade de haver esse testamento da autoria de um membro da família Sousa Rego.

Esta controvérsia surge porque a Misericórdia era quem recebia e recebe o aluguer das rendas dos sucessivos inquilinos, de acordo com um auto de entrega datado de 1882 do "hospício de Caminha para recolher transeuntes pobres e por outros misteres ao serviço do Hospital de Caminha" (hospital este que funcionou na mesma rua até há bem pouco tempo), e cuja cedência de utilização foi confirmada em 1939, conforme documentos exibidos pela actual Mesa.

No calor desta discussão, o actual pároco de Caminha, José Maria Gonçalves sugeriu que a Mesa da Misericórdia evidenciasse "oposição" a esta pretensão do ministério das Finanças, recordando que se a matriz do prédio se encontra em nome do estado, não é seguro que o esteja a propriedade, até porque as rendas são usufruídas pela instituição.

Atendendo a que o prazo de contestação expirava três dias depois, a Mesa apenas oficiou as Finanças dando conta de todas as situações que poderão reverter a seu favor. Na altura, foi esclarecido ainda que nunca tinha consultado um jurista sobre o tema, guiando-se pelas sugestões do Chefe da Repartição de Finanças de Caminha.

LAR DE V.P. DE ÂNCORA

Embora o tema que arrecadou as atenções da reunião foi o do testamento, estava previsto analisar a actividade e as contas da Misericórdia no ano findo, sendo referência o investimento de 150 mil contos no futuro Lar de Idosos de Vila Praia de Âncora, subsidiado pelo programa PILAR em 90%, sendo a instituição forçada a vender um terreno por 10 500 contos, a fim de suportar a sua quota parte da obra a inaugurar logo que as condições climatéricas permitam a conclusão dos trabalhos.

Este ponto levou a que o irmão José Lima votasse contra o relatório de contas, interpelando ainda a Mesa pelo facto de a água da piscina se encontrar com mau cheiro e entender que o contrato celebrado com o concessionário do cinema não está a render nada à Santa Casa, alertando ainda para o mau estado dos estandartes utilizados nas procissões da Semana Santa.

Relativamente à questão da piscina, apurámos junto da direcção da Cooperativa Ancorensis, com quem existe um contrato de exploração, que o mau cheiro se deve a um problema de esgotos e não às águas. Este caso será brevemente solucionado, quando for realizada uma intervenção que levará à ampliação dos balneários.


CÂMARA ADQUIRIU NOVO AUTOCARRO

A Câmara Municipal de Caminha adquiriu novo autocarro de passageiros de 36 lugares, por 20 mil contos, de modo a substituir um outro já antiquado e com problemas acrescidos pelo tempo de uso, aconselhando há muito uma renovação que tardava.