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CAIS COBERTO EM MOLEDO ALBERGA AGORA CULTURA EM VEZ DE MERCADORIAS
O cais coberto (local onde se armazenavam mercadorias) da antiga Estação da CP de Moledo do Minho agora desactivada e em acelerado processo de degradação, está a ser recuperado por um artista, no intuito de o tornar num "espaço cultural inédito que encerrará um património e linguagem importantes", revelou ao C@2000 Álvaro Torres, promotor da iniciativa pioneira.
Este artista, ex-professor de desenho, nasceu em V. N. de Cerveira, viveu em Angola e regressou há mais de trinta anos a Portugal, tendo-se radicado em Moledo.
Pintor e ceramista afamado, com vários prémios no seu currículo, não esconde a influência que África exerceu nos seus trabalhos, mas "curiosamente, descobri Angola em Portugal", numa referência às mesmas cores garridas utilizadas nas vestes das mulheres angolanas e nos trajes das minhotas da serra de Arga.
A cerâmica é uma paixão e ainda há dois anos realizou com sucesso uma exposição de instrumentos musicais de percussão (vácuo e pele), na Feira Internacional de Lisboa, mostrando-se apostado "em explorar ainda mais o som que a cerâmica produz".
CONCESSÃO POR 15 ANOS

Álvaro Torres solicitou à Refer a concessão deste espaço e respectivo logradouro para o desenvolvimento de uma "actividade de apoio à promoção de artes, tradições e costumes do Vale do Minho", conseguindo-o por um período de 15 anos, com possibilidade de sucessivas prorrogações anuais.
Candidatou o projecto à Adriminho (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho), e além da recuperação do "Cais" ou "Caos Coberto" -como já o apelidou, pela miscelânea de peças de arte já patentes, desde pinturas, esculturas, cerâmicas, ou joalharia-, pretende construir oito pequenos pavilhões em madeira, de exposições e trabalho destinados a quem "livremente quiser frequentá-los e fazer peças, cozê-las, pintar e desenhar", com o apoio de "literatura específica de consulta", do próprio artista e mais três colaboradores da iniciativa com carácter permanente.

A falta de um atelier próprio, o que quase o levava a desistir da arte, aguçou o engenho de Álvaro Torres, levando-o a apostar neste espaço para as "minhas manias", influenciado por este "espírito de cais de embarque/desembarque de coisas artísticas" e pela sua apetência por tudo aquilo que são máquinas ("sou doido por elas", admitiu).
Frisou que todo o equipamento ferroviário foi restaurado por ele, graça à sua habilidade como serralheiro, carpinteiro ou pintor, concebendo um ambiente condizente com a antiga função do "meu cais".
COMBÓIOS E ARTE

A presença da linha do caminho de ferro e dos comboios passando diariamente mesmo ao lado, conferem uma simbiose ao projecto que o promotor valoriza, sendo exemplo disso a recuperação de um pequeno troço de carril de transporte de mercadorias, sobre o qual vai montar o seu pavilhão móvel, reservando os restantes (fixos) para quem "quiser aprender ou simplesmente combater o stress diário com a nossa ajuda".
Destacou a importância desta "actividade cultural complementar" para Moledo, uma estância balnear de referência, passando agora a dispor de exposições (pintura, serigrafia, cerâmica, etc), work-shops, actividades musicais (jazz) e teatro de marionetes.
Álvaro Torres inspira-se em processos de cozedura antigos, idênticos aos que existiam em várias fábricas de cerâmica de Caminha, como foi o caso da de Além da Ponte, em Vilar de Mouros, cujos fornos eram alimentados a lenha, "o que dava uma determinada cor e beleza (raras) às suas peças", sublinhou, "coisa que hoje já não se faz", lamenta.
JUNTA DE FREGUESIA DE MOLEDO
Horário de Atendimento ao Público
De 2ª a 6ª Feira - 9H / 12H30 e 14H00 /17H30
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MEMÓRIAS DA SERRA D'ARGA |
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Autor Domingos Cerejeira |
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