Temas e Debates
Fevereiro anuncia-se desta feita cheio de sol, mas já de há 6 anos a esta parte os dias das Correntes d'Escritas são certos e seguros, cheios de luz e de letras, nessa Póvoa de Varzim que acolhe escritores trazidos pelas marés e faz seu a cada vez o verso de Drummond de Andrade que este ano serve de mote a ideias e conversas num dos dias do encontro: "No mar estava escrita uma cidade".
A Temas e Debates tem, uma vez mais, dois novos autores sul-americanos em Portugal a convite das Correntes d'Escritas: o colombiano Mario Mendoza e o argentino Pablo de Santis, de quem lançaremos, repectivamente, os romances "Satanás" e "O Calígrafo de Voltaire".
"Satanás", vencedor do prémio Biblioteca Breve, é uma história sobre a presença do Mal na vida quotidiana de Bogotá, sobre o mar de violência que a invade e que é, afinal, o mesmo que banha todas as grandes cidades.
Já "O Calígrafo de Voltaire" conta a história de Dalessius, o calígrafo que teria servido o filósofo Voltaire com préstimos de copista e de espião e que no fim da vida narra a sua história ao serviço de tão ilustre e difícil amo e a maior lição que retirou do conturbado período do Terror que se lhe seguiu: Tudo o que serve para escrever também serve para matar.
De resto, podemos citar Voltaire, esse lutador incansável contra a tirania e o fanatismo, para apresentar as nossas próximas novidades. Disse ele que "todo aquele que nos consegue fazer acreditar em absurdos, pode fazer-nos cometer atrocidades". "Anatomia do Terror: Uma História do Terrorismo", de Andrew Sinclair, trata precisamente de todos os absurdos que, desde a destruição de Cartago pelos Romanos até ao actual terrorismo global, leva estados, grupos ou indivíduos a adoptarem tácticas de terror em nome de causas que crêem justificativas da sua utilização. Um livro inteiramente para os nossos tempos, a merecer atenta leitura e ampla reflexão e debate. Tal como, de resto, o livro que lançaremos já na próxima sexta-feira, dia 11, pelas 18.30h no Corte Inglés: "A Crise, e Agora?", de Mário Soares reúne uma sequência cronológica de textos publicados em vários jornais ao longo do ano de 2004 que nos fornecem - com a lucidez a que o autor já nos habituou - uma perspectiva séria, não catastrofista e única daquele pequeno terror que nos perpassa a cada vez que pensamos no nosso presente em crise e naquilo que essa crise nos reserva para o futuro próximo. A rematar esta análise à lupa, um ensaio inédito e de discussão também urgente sobre o estado actual da nação, a campanha eleitoral que está a decorrer, as medidas que urgirá em absoluto tomar após as eleições do próximo dia 20, ganhe quem ganhar, governe quem governar - Mário Soares quebra por uma vez o seu proverbial optimismo e diz que precisamos de seriedade, precisamos de honradez republicana, precisamos de não nos andar a enganar a nós próprios....
E uma outra espécie de terror, um terror branco, disfarçado de vazio por uma morte que não deixou despojos para chorar, percorre o mais recente romance da vencedora do prémio José Saramago, Adriana Lisboa. "Um Beijo de Colombina" confirma aquela certeza que já nos tinha assaltado em Sinfonia em Branco, o anterior romance da autora: a de que está aqui uma voz seguríssima e encantatória da actual literatura em língua portuguesa. A maturidade de uma reflexão supreendente sobre a condição humana, a saudade, a angústia e o amor servida numa prosa cristalina e fluente, de uma delicadeza que evoca filões clássicos como o do poeta a quem este romance se institui também em homenagem - Manuel Bandeira.
Terminando ainda em terror, agora mais blockbuster, mais page turner, mais, definitivamente, best-seller, o Rei incontestado do terror, Mr. King, Stephen King e o seu "Caçador de Sonhos", ou uma lição de como este mestre pega num dos símbolos mais antigos e universais dos terrores profundos que desde sempre nos assolam - uma floresta negra - e faz dele um livro que nos confronta com os nossos próprios terrores, mas ao qual não conseguimos escapar até chegar à última página... mistérios!
|
Título: O Calígrafo de Voltaire
Autor: Pablo De Santis
Editor: Temas e Debates
Colecção: Ficção-Verdade
Cemitérios, viagens nocturnas no meio de caixões, instrumentos de tortura, máquinas infernais, mulheres-fantasmas e mensagens encriptadas - a escrita é a arma do crime
A Obra:
Um forasteiro chamado Dalessius desembarca num porto com o coração de Voltaire dentro de um frasco. Para trás ficam as atrocidades da Revolução Francesa e a obsessão, não menos terrível, por uma mulher. Dalessius recorda a sua juventude e as andanças pelo mundo, quando procurava renovar a arte da caligrafia através de palavras que desapareciam, letras que brilhavam no escuro e tintas que envenenavam.
Deitado entre os caixões de um serviço nocturno de entrega de cadáveres, e sob as ordens de Voltaire, começa por viajar para Toulouse e daí segue para Paris, onde deverá investigar o plano de um grupo de fanáticos religiosos que lutam para acabar com o Iluminismo e devolver à França a fé perdida. Dalessius segue as pegadas de um fabricante de autómatos, pinta mensagens secretas na pele de mulheres nuas e deixa que o amor o distraia da sua missão. Espreita-o a cada passo a sombra do lendário calígrafo Silas Darel e uma certeza última sobre o seu ofício: tudo o que serve para escrever também serve para matar.
O Autor:
Pablo De Santis nasceu em Buenos Aires em 1963. Licenciou-se em Letras na Universidade Nacional de Buenos Aires. Publicou o seu primeiro romance em 1987 e conta já com uma vasta obra publicada, da qual se destaca A Tradução, finalista do Prémio Planeta em 1999.
Foi chefe de redacção da revista Fierro e dirige actualmente colecções de livros para jovens. Trabalhou muitos anos como jornalista e escreveu várias séries para televisão.
Os seus romances estão traduzidos em nove línguas. O Calígrafo de Voltaire foi galardoado com o Prémio de Romance Rómulo Gallegos em 2003.
Sobre a Obra:
Este romance tem uma virtude: o livro arranca com um mistério irresistível e desenrola-se com um suspense febril até ao final; mas não deixa de ser um romance de ideias, que reflecte sobre os sistemas do saber e do poder, sobre a língua e a natureza da verdade.
Clarín
Eis um romancista notável; no estilo, na concepção da trama, na sedução das personagens. Como Borges, dota a sua narrativa da nitidez de um teorema e de um suspense culto, convertendo o leitor num cúmplice dos factos inesperados que provocam um diálogo cativante entre a realidade e a ficção.
El Cultural
O Calígrafo de Voltaire é uma inteligentíssima intriga sobre a arte das palavras.
Ocio y Cultura
A prosa cuidada de Pablo De Santis consegue fazer erguer através da palavra um mundo já desaparecido, mas presente ainda nas suas paixões, quimeras e mistérios.
El Mundo
Título: Satanás
Autor: Mario Mendoza
Editor: Temas e Debates
Colecção: Radiografias
Um romance sobre a presença do Mal na vida quotidiana de qualquer grande cidade, inspirado num facto real mas com um fôlego literário que lhe valeu o prestigiado Prémio Biblioteca Breve
A Obra:
Uma mulher bonita e indefesa rouba com destreza grandes executivos, um pintor habitado por forças misteriosas vê os seus quadros tornarem-se realidade; um padre chamado para ajudar uma rapariga possessa descobre que todos, sem excepção, albergam em si um anjo e um demónio; histórias que se tecem em redor do caso de Campo Elías, herói da guerra do Vietname, que inicia a sua descida aos infernos para se transformar num anjo exterminador.
Satanás é um romance sobre a presença do bem e do mal na vida quotidiana. O pano de fundo é uma paisagem despedaçada, a da Colômbia de hoje, e uma cidade, Bogotá, por cujas ruas vão e vêm, de forma errática, condenadas a expiar uma culpa interminável, as personagens deste romance inquietante, no qual cenas comoventes se misturam com outras de uma violência crua.
Galardoado com o Prémio Biblioteca Breve 2002, Satanás vem confirmar Mario Mendoza como um dos expoentes máximos da nova narrativa colombiana, uma literatura que se desvinculou do realismo mágico e revelou novas vozes para uma nova realidade.
O Autor:
Mario Mendoza nasceu em Bogotá, Colômbia, em 1964. Licenciou-se em Letras em Bogotá e pós-graduou-se em Literatura Hispano-Americana na Fundação José Ortega y Gasset de Toledo. Deu aulas de Literatura durante mais de dez anos e publicou vários romances, dos quais se destaca La travesía del vidente, galardoado com o Prémio Nacional de Literatura pelo Instituto Distrital de Cultura e Turismo da Colômbia. É colaborador regular de jornais e revistas.
Sobre a Obra:
Mario Mendoza parte de um sucessão de factos reais e revela um notável talento para manter o impacto jornalístico no terreno da ficção.
La Vanguardia
Mendoza usa uma linguagem de extrema economia descritiva, límpida, e de uma perícia narrativa que não permite pontas soltas. O resultado destila autenticidade e deixa uma forte impressão na memória do leitor.
El Diário
Mendoza confere ao seu romance uma dimensão metafísica, integrando-o num contexto que até aqui só tinha sido analisado do ponto de vista social, económico e político.
El País
Um romance descarnado, violento, perturbador e niilista, eficaz e inquietante.
Diário de Sevilla
Com este romance, Mendoza passou a ser considerado um dos expoentes máximos da nova narrativa colombiana.
Excelsior
Título: Um Beijo de Colombina
Autor: Adriana Lisboa
Editor: Temas e Debates
Colecção: Lusografias
Contracapa:
Teresa foi nadar no mar azul de Mangaratiba e já não voltou. Para trás, deixou um pequeno apartamento, um romance por terminar, alguns livros na estante e um vazio absurdo no peito do homem com quem vivia há oito meses. O seu corpo não foi encontrado, mas, preso com um íman ao frigorífico da casa da praia, ficou um poema de Manuel Bandeira: "Nas ondas da praia, nas ondas do mar, quero ser feliz, quero me afogar."
Que fazer agora, sem Teresa? Como matar o tédio e dar sentido às horas que demoram a passar? Numa tentativa desesperada de compreender a fatalidade (oito meses não bastam para conhecer a fundo uma pessoa), o namorado resolve mergulhar no universo da escritora - nas suas coisas e nas suas palavras - e dele se alimenta para escrever, intercalando as memórias com o sofrimento causado pela perda. À medida que o seu relato avança, comovente e lírico, as certezas sobre as circunstâncias da morte de Teresa vão-se, afinal, desfazendo.
Com uma sensibilidade impressionante, Adriana Lisboa presta homenagem a Manuel Bandeira, captando todo o espírito da sua poesia e exprimindo-o de forma belíssima numa prosa fluente e cristalina. Um Beijo de Colombina é um romance surpreendente sobre a condição humana, transbordante de saudade, angústia e amor.
A Autora:
Adriana Lisboa nasceu em 1970 no Rio de Janeiro. Passou a infância e a juventude entre a cidade e a fazenda da família, tendo morado ainda em Brasília, Paris e Avignon. Estudou música, tendo sido flautista, cantora e professora. Traduziu vários autores, entre os quais Robert Louis Stevenson, Mary Shelley e Bram Stoker. Com uma pós-graduação em Letras, há já algum tempo que se dedica exclusivamente à literatura, sendo considerada uma das vozes mais fortes e originais da nova geração de escritores brasileiros. O seu romance Sinfonia em Branco, publicado nesta mesma colecção, foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago em 2003.
Sobre a Obra:
Um livro que transborda delicadeza e cujo subtexto lateja a idéia de que o amor e a arte têm de fato a capacidade de elevar ao sublime instantes que no caldo morno do cotidiano possam aparentar insignificância.
Jornal do Brasil
O apego ao detalhe [...] dá corpo a um sentimento de ausência e luto vazado em linguagem desinflada. E a beleza violenta das passagens eróticas e as descrições da sexualidade masculina [...] mostram uma singular capacidade de ir além ao registro pessoal.
Folha de São Paulo
O texto consegue a proeza de conceder jeito de poesia a uma prosa que é contemporânea, sem que isso signifique fazer concessão à precisão e à elegância da frase.
Jornal Zero Hora
Que valor têm os prêmios literários? De que valem os holofotes? Por que e para que escrever? Perguntas sutilmente respondidas na própria história, nas entrelinhas, no não-dito, mas que deixam pelo menos uma certeza: Adriana tem prazer no que faz e passa o mesmo prazer para o leitor.
Diário de Pernambuco
Título: Anatomia do Terror: Uma História do Terrorismo
Autora: Andrew Sinclair
Editor: Temas e Debates
Colecção: Temas e Debates
A Obra:
Vivemos hoje numa época de terror. Não há como evitá-lo. Nunca houve, desde o tempo de Homero à era de Osama Bin Laden.
A presente história de Andrew Sinclair explora de forma brilhante os métodos e o pensamento que estão por detrás do terrorismo e mostra como a natureza do terror não mudou desde os dias das hordas mongóis. A única diferença é que a tecnologia moderna pode matar milhões de pessoas em vez das centenas que as tácticas da Antiguidade eram capazes de dizimar.
Meticulosamente investigado e escrito de forma belíssima, Anatomia do Terror disseca o uso da atrocidade desde a destruição de Cartago pelos Romanos até aos ataques suicidas das Torres Gémeas. Ousado, incisivo e comovente, Anatomia do Terror é uma história essencial dos nossos tempos.
"Dei a este livro o título de Anatomia do Terror porque não consigo lidar com um tema tão indiscriminado sem o dissecar nem analisar as suas várias componentes. Quase todos aqueles que se apoderaram de estados-nações cometeram actos terroristas que contribuem para o seu descrédito. Em geral, são julgados à escala desses crimes. A verdade é que todos os países, nas guerras que travavam, são culpados de ter adoptado certas tácticas de terror. A culpa mede-se através da contagem dos mortos. Quantos foram dizimados? E como? Quanto tempo demoraram a morrer?
Os filósofos do terrorismo, de Maquiavel a Robespierre, de Lenine a Hitler, advogaram que ele fosse usado com restrições, até que o Estado fosse derrubado. Todos os grupos terroristas foram desculpados, assim que os seus membros chegaram ao governo; na luta pelo poder, o sucesso deixa poucos inimigos. Todavia, o horror dos tempos modernos tem sido a escala a que tem sido utilizado o terrorismo de Estado, que, no século passado, conseguiu massacrar mais de cem milhões de pessoas.
Nenhuma história do terror pode ser exaustiva. Seriam necessários muitos volumes. Procurei não me exceder nas proporções desta breve história, embora tenha incluído pequenos estudos sobre sociedades clandestinas que recorreram ao terror na sua ânsia de influência: os Cavaleiros Templários, os Assassinos, os Tugues, a Mafia e o Ku Klux Klan. Apesar de estes grupos serem menos conhecidos do que os anarquistas e os bolcheviques, os seus desígnios parecem-me mais esclarecedores e dignos de revelação. Tentei igualmente manter um equilíbrio entre o Ocidente e o Oriente, embora hoje em dia a luta global contra o terrorismo seja mais dirigida para o sol nascente e para o crescente da lua.
E assim nasceu aquilo a que chamo os dez princípios do terror:
O terror é a guerra por métodos extremistas.
O terror é o sangue que alimenta a tirania.
O terror é a arma do marginalizado contra o opressor.
O terror é o assassínio a baixo preço.
O terror é a chicotada nas costas do refugiado.
O terror é a vitória da minoria por métodos inconfessáveis.
O terror é a derrota da multidão pela cobardia. Se estivermos aterrados, podemos ser terríveis para aqueles que nos metem medo.
O terror mede-se pelo número das suas vítimas e não pelo mérito da sua causa.
Tolerar o terror não é uma virtude."
Andrew Sinclair, da "Introdução"
O autor:
Andrew Sinclair nasceu em 1935 em Oxford. Estudou em Cambridge, onde se tornou mais tarde deão, bem como em Harvard e na Columbia University. É um historiador reconhecido, que escreveu sobre temáticas tão diferentes como os Templários e a CIA. É também romancista, pintor e realizador. Vive em Londres.
Sobre o livro
Em Anatomia do Terror, Andrew Sinclair demonstra que a agressividade das sociedades modernas é tal que, embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por vinte e quatro no século XX. Sinclair expõe também com grande clareza o que distingue o terror actual: enquanto no século XX os actos terroristas eram, na sua maioria, "ateus", os do XXI remetem para o terror religioso absolutista das Cruzadas, com judeus, cristãos e muçulmanos emulando a brutalidade de eras passadas com o auxílio das modernas tecnologias de extermínio. A este respeito, o deslize do presidente George W. Bush ao falar de "cruzada" contra o terrorismo é extremamente significativo. [...] Mas Sinclair não deixa de propor um antídoto para o terrorismo, que passa pela necessidade de o revelar ao maior número de pessoas, em toda a sua brutalidade, onde quer que aconteça. Como explica o autor, a exposição diária por meio da televisão aos horrores da guerra do Vietname criou uma repulsa generalizada no povo americano em nome do qual essa guerra era travada.
Michael Karwowski, Contemporary Review
Título: O Caçador de Sonhos
Autor: Stephen King
Editor: Temas e Debates
Colecção: Best-SellersNº de páginas: 740Preço: ISBN 972-759-632-0
A Obra:
Há vinte cinco anos os quatro amigos eram apenas companheiros de brincadeiras. Um estranho encontro na floresta uniu-os para sempre. Foram corajosos, salvaram uma vida e descobriram que sabiam comunicar por telepatia. Ligados pelo passado, cada um seguiu a sua vida: Henry tornou-se um psiquiatra obcecado pelo suicídio; Jonesy sofreu um estranho e premonitório acidente; Pete controla cada vez menos o vício do álcool; Beav é infeliz no amor. Apesar das diferenças que agora os separam, reencontram-se, religiosamente, na época de caça. Mas, mais uma vez, a floresta do Maine guarda obscuros segredos...